5 de maio de 2014

Oscar Niemeyer Centro cultural... e de lazer


Espaço é ocupado por famílias que ontem aproveitaram para brincar com pipas. Mas tem quem vá ver arte

Um espaço cultural querido por esportistas. Assim é o Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON). Parece contraditório? Ou melhor seria usar o termo diversificado? Pois o CCON atrai um público plural. Ontem, a principal atividade foi o projeto Pipas, Raias e Papagaios. Mas o evento lúdico precisou dividir espaço com patinadores, ciclistas e skatistas que se apropriaram da Esplanada JK. Até um time de hockey in-line aproveita as tardes de domingo para treinar no local cada vez mais popular entre os goianienses.

Com o slogan Todo Mundo de Pipas para o Ar, o festival lúdico atraiu centenas de pessoas, das 9 horas às 16 horas, segundo a coordenadora do projeto, Kátia Barreto. Os primeiros 50 participantes ganharam uma raia e, no período da manhã, o artista de rua Bolacha ministrou uma oficina para ensinar pais e crianças a montar o próprio brinquedo. Um DJ embalava a brincadeira, que contava ainda com malabaristas, artistas em pernas de pau e maquiadores infantis.

Segundo Kátia, a oficina teve grande participação de crianças e adultos. Ela estava prevista para durar até as 16 horas. Mas bem antes desse horário, o material suficiente para fazer 200 pipas se esgotou. “Eu solto papagaio desde menina e ensinei meu filho. O que a gente percebe é que os pais, hoje em dia, não sabem mais fazer pipa”, observa.

O músico Fabius Borba, o Smooth, levou a filha Luna Borba Rampazzo, de 7 anos, para aprender a soltar pipa. “É minha primeira vez. Achei divertido. Gostei da pipa porque ela é rosa”, disse Luna.
Smooth acabou se divertindo tanto quanto a filha. “A impressão que a gente tem é que essa cultura de brincadeira de rua está em desuso, por causa da tecnologia. É uma iniciativa legal porque além de resgatar isso faz um aproveitamento do espaço público.”

O engenheiro de sistemas Luciano Reis, de 38, levou o filho Vitor Reis, de 5, para andar de patinete. Mas quando chegou lá, o garoto se encantou com as pipas. O pai acabou comprando uma raia em uma banquinha, por R$ 5. “Eu trago ele para cá justamente para isso, para não ficar só nos joguinhos eletrônicos.”

Mas há quem não se sente atraído pela badalação da Esplanada JK e vá ao CCON apenas para contemplar o trabalho de artistas. É o caso do estudante Juan Sebastián Ospina, de 26 anos, que aproveitou o domingo para ver a Mostra de Arte Urbana no Brasil Central, em cartaz nas galerias do Centro Cultural até o dia 6 de junho.

Colombiano, Ospina se mudou para Goiânia há poucos meses para fazer doutorado em Arte e Cultura Visual. “É a primeira vez que venho aqui. Achei a exposição legal.”

MULTICULTURAL

Para o gestor do CCON, Nasr Chaul, a ocupação espontânea é ótima. “O Centro Cultural Oscar Niemeyer sempre se propôs a ser um espaço multicultural. O esportista vem aqui e aproveita para ouvir um DJ tocar, ver a apresentação de uma orquestra, visitar uma exposição. E essas atividades como o skate e o patins também são uma forma de cultura.”

Inaugurado há oito anos, o CCON ainda não funciona plenamente. Falta a conclusão da biblioteca, de dois cinemas e do restaurante do local. Chaul afirma que os projetos estão em andamento, mas a demora ocorre porque o Centro Cultural não tem a autonomia necessária para dar agilidade aos processos. O gabinete é vinculado à Secretaria da Casa Civil.

Ao POPULAR, Chaul defendeu a terceirização da administração por meio de uma organização social (OS). “Para que o Niemeyer funcione plenamente, acredito que ele deva ser administrado por uma OS. Ou pelo menos que passe para a Secretaria de Cultura. Tem mais a ver”, afirma.

Fonte: Jornal O Popular