5 de maio de 2014

Morro do Mendanha é alvo de ocupação


Obras preocupam por causa do desmatamento e pelos riscos de desmoronamentos no futuro

Os bairros Jardim Petrópolis, o Residencial Jardim Petrópolis e o São Francisco têm em comum, além de ficarem na região sudoeste de Goiânia, o fato de estarem localizados à beira do Morro do Mendanha. O ponto mais alto da capital, com 841 metros de altitude, se vê nos últimos anos como mais um dos alvos de avanço da cidade. Quem passa no local já pode observar as construções ocupando morro acima. A Prefeitura afirma que a região é monitorada e os loteamentos legalizados.

Segundo relatório da Prefeitura de 2012, a região do Jardim Petrópolis possui vegetação totalmente descaracterizada, enquanto o Residencial Parque do Medanha possui uma nascente no Córrego do Café, além de remanescente de mata de galeria. Mas o que chama a atenção é a ocupação do morro. Através de fotos retiradas de satélite, é possível observar as construções morro acima.

No lapso entre 2002 e 2013, o Residencial Jardim Petrópolis, anteriormente apenas um loteamento, foi totalmente ocupado. Pelas imagens de satélite é possível ainda notar o avanço do Bairro São Francisco nas bordas do morro. Embora não seja íngreme como os morros comuns na região Sudeste do país, a ocupação do Mendanha preocupa pelo desmatamento e possível conseqüente deslizamentos e assoreamentos.

Segundo avaliação da Defesa Civil Nacional, os deslizamentos são provocados pelo escorregamento de materiais sólidos, como rochas, vegetação ou materiais de construção, ao longo de terrenos inclinados. Normalmente esses deslizamentos acontecem no período de chuvas intensas, com a água infiltrando na terra e provocando deslizamento e destruição de casas.

Embora a realidade de Goiânia seja diferente da observada em cidades como o Rio de Janeiro ou da região serrana do Espírito Santo, a impermeabilização da cidade devido ao avanço desordenado, a ocupação dos fundos de vales, além da formação de ilhas de calor, tem contribuído para alagamentos constantes e deslizamentos. Pesquisadores afirmam que esses incidentes tendem a piorar. A mudança viria de outro modelo de estrutura urbana, como a utilização de pavimentos mais permeáveis, maior número de parques e árvores e faixas gramadas juntos às calçadas. O que a ocupação do Morro de Mendanha pode contribuir.

Goiânia tem atualmente 17 áreas consideradas de risco pela Defesa Civil. São pelo menos 700 pessoas vivendo atualmente em condições de constante monitoramento pela prefeitura. As áreas de risco estão normalmente localizadas onde há construções que escapam do padrão estipulado pelo código de posturas do município, assim como as próximas aos leitos de rios e córregos, que geralmente inspiram maiores cuidados em tempos de chuva.

Fonte: Jornal O Hoje