17 de maio de 2014

Decisão de recolher ônibus às garagens teve o aval da CMTC


As empresas de transporte coletivo, incluindo a Metrobus, decidiram recolher os ônibus às 20 horas de ontem, segundo confirmou a Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC), por causa de supostas ameaças à segurança de motoristas e passageiros. Tomados pelo cansaço e pela angústia por não saber como voltariam para casa, centenas de trabalhadores lotaram os arredores dos Terminais Isidória, no Setor Pedro Ludovico, e Praça da Bíblia, no Setor Leste Universitário.

Depois de um dia exaustivo de trabalho, a copeira Josina Macedo da Silva, de 59 anos, não escondia a aflição. No terminal Praça da Bíblia, ela esperava o ônibus da linha 021, para chegar à sua casa, no Parque Atheneu. “Consegui chegar ao serviço depois de ficar mais de duas horas no ponto, de manhã, e, agora, não sei como voltar”, desabafou, para emendar: “É muito sofrimento.”

O mecânico Faustino Pereira Teles Filho, de 57, também estava no Praça da Bíblia, e torcia para chegar logo à casa dele, no Setor Buriti Sereno, em Aparecida de Goiânia. “A gente não pode ficar preso num terminal. Isso é um absurdo”, afirmou.

Apesar do clima de tranquilidade na maioria dos terminais, o padeiro Marcelo Roseno Batista da Silva, de 21 anos, foi levado para o 8º Distrito Policial (DP) de Goiânia, no Setor Pedro Ludovico, por suspeita de apedrejar um ônibus que estava estacionado no Isidória. Ele teria negado a policiais militares que quebrou o vidro do ônibus, mas admitido que incentivou o ato de vandalismo.

A Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) diz que a decisão de tirar os ônibus de circulação às 20 horas de ontem, sem oferecer um serviço essencial à sociedade, foi tomada após diálogo com as empresas concessionárias, tendo em vista as ações que ocorreram durante todo o dia. “Não é uma decisão tomada por medo do que pode acontecer. É com base no que aconteceu”, disse o chefe de gabinete da companhia, Tales de Castro.

Segundo a promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira, do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), a CMTC, por ser responsável pela organização e fiscalização do sistema de transporte coletivo, tem autonomia para autorizar a retirada dos veículos das ruas. “As ameaças à segurança torna legítima a ação da CMTC. Uma coisa é você protestar, outra é depredar o patrimônio”, argumenta.

O conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Alexandre Prudente diz que as empresas têm que justificar o motivo da retirada dos ônibus das ruas, principalmente por ser um serviço essencial, mas pontua a responsabilidade do Estado. “Elas têm obrigação de prestar o serviço público e o Estado a segurança para que isso ocorra.”

Fonte: O Popular