12 de maio de 2014

Autoridades ignoram protesto


Autoridades responsáveis pelo transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia não alteraram em nada o sistema após a manifestação ocorrida na noite de quinta-feira (8), no Terminal Praça da Bíblia, mesmo após 17 ônibus depredados e 1 incendiado. A única alteração foi o reforço na segurança dos terminais do Eixo Anhanguera, cuja concessão é da estatal Metrobus. O protesto foi o primeiro organizado pela Frente de Luta GO contra o aumento da passagem do transporte coletivo. O grupo também cobrou as melhorias anunciadas na mesma data do reajuste.

As empresas têm até o final do mês para implantar as primeiras melhorias acordadas, que vão desde o aumento no número de viagens e de ônibus até a instalação de câmeras de segurança e de um link do Centro de Controle Operacional (CCO) à disposição do poder concedente. A manifestação não redundou em pressão por estas ou quaisquer outras melhorias. As autoridades ouvidas pela reportagem do POPULAR disseram que o protesto não se tratou de uma manifestação popular, do usuário comum do transporte, mas que teria sido orquestrado.

Nos bastidores, representantes das empresas concessionárias afirmam que existe um grupo de estudantes e outro de trabalhadores que organizam os protestos e as ações mais violentas, que não ganham o respaldo da população em geral. O discurso era de que a manifestação apenas atrapalhou o usuário, já que retirou de circulação os ônibus estragados. Entre os empresários, não há a compreensão de que se trata de um movimento popular e, por isso, não vê a necessidade de modificar a operação do sistema.

A Metrobus rodou ontem sem dez veículos de sua frota normal, já que teve um ônibus biarticulado incendiado, com perda total, e outros nove depredados. “Estamos nos esforçando para que estes veículos possam ser consertados rapidamente e voltem para a operação a partir de segunda-feira”, indicou o presidente da Metrobus, Marcos Ferreira. “Pedimos um reforço ainda maior às Polícias Militar e Civil ao longo do Eixo e pedimos que nossos funcionários fiquem atentos.”

Ferreira afirma que se a manifestação teve como foco atingir a Metrobus ou o Estado ela teria sido errônea, já que a estatal “faz um trabalho excelente e tem a aprovação popular”. Ao mesmo tempo, o presidente lembra que o Estado foi o responsável por segurar o reajuste da tarifa em R$ 0,10, já que vai arcar com o pagamento de metade das gratuidades do sistema, como já faz com a passagem do Eixo Anhanguera, além da concessão do Passe Livre Estudantil (PLE), que passa a valer na segunda-feira.

Operação

De acordo com o tenente-coronel Divino Alves, porta-voz da Polícia Militar (PM), o reforço da segurança no Eixo Anhanguera é uma determinação do comandante da corporação, coronel Silvio Benedito. Na tarde de ontem, houve o início de uma manifestação no Terminal Praça da Bíblia, em que usuários queriam impedir a entrada de veículos no local. Duas viaturas da PM passavam pelo terminal e impediram a manifestação. Por volta das 15h, seis viaturas da corporação e 13 policiais militares estavam dentro do terminal.

Divergências sobre possíveis prisões

A Polícia Militar reiterou, na tarde de ontem, que não ocorreu nenhuma detenção durante a manifestação realizada no Terminal Praça da Bíblia na noite de quinta-feira (8). Segundo o tenente-coronel Divino Alves, porta-voz da corporação, os atos entendidos pelos militares como sendo de vandalismo eram causados por pessoas encapuzadas que logo retiravam os panos do rosto e se misturavam na multidão. A dificuldade em identificar a autoria fez com que ninguém tivesse sido detido, para que “não houvesse abuso de autoridade”, diz Alves.

A Frente de Luta Goiás, no entanto, afirma ter notícia de pelo menos cinco manifestantes presos na noite de ontem. Segundo o grupo, três teriam sido detidos na Praça da Bíblia após a manifestação e dois na Praça Universitária. A acusação é de que um manifestante teria sido agredido. O grupo teria denunciado o caso na Corregedoria da PM. A reportagem do POPULAR tentou contato com o advogado da Frente, pelo número fornecido por um representante do grupo, mas ele não atendeu as ligações e nem retornou as mensagens.

Fonte: O Popular