20 de abril de 2014

Goiânia Urbanismo: Tendência de prédios cada vez mais altos


Com a escassez de terrenos, que estão mais caros,cidade passa a ter prédios com maior número de pavimentos

Com terrenos cada vez mais escassos e caros nas regiões mais nobres, e a demanda por unidades de alto padrão aquecida, os prédios cada vez mais altos são uma tendência na verticalização, como forma de obter maior aproveitamento das áreas reduzidas disponíveis para construir. É uma forma de as construtoras conseguirem ampliar a rentabilidade dos empreendimentos.

“Além disso, quanto mais verticalizado o espaço, melhor para o poder público, que precisa levar menos infraestrutura para bairros mais afastados”, defende Ricardo Teixeira, da Urbs-RT. Por isso, o Plano Diretor contempla essa maior concentração urbanística.

MAIS ALTO

O Premier Vision TCI, com 44 pavimentos, no Jardim Goiás, é o 22º prédio mais alto do Brasil. Porém, ele e o Premier Unique TCI (42 pavimentos) figuram entre as 10 torres construídas com maior número de pavimentos. A TCI tem se especializado no projeto e construção das torres que são as mais altas do Centro-Norte do Brasil, seguindo a tendência mundial de aproveitar o espaço para mais moradias.

De acordo com o gerente Comercial e Incorporação da TCI, Nicollas Bruno Di Carlo, uma torre mais alta possibilita perspectivas urbanas e vistas mais belas da paisagem. Por isso, os empreendimentos TCI estão localizados em terrenos estratégicos nos endereços mais valorizados e de paisagem mais bonita, como o Parque Flamboyant, Alameda Ricardo Paranhos, Parque Areião e Lago das Rosas. “Quando se constrói em vários pavimentos, se garante mais privacidade para cada morador e se consegue um condomínio mais baixo, sem a necessidade de construir plantas com muitos apartamentos por andar”, justifica.

Mas os projetos arquitetônicos estruturais e de instalações ganham maiores exigências nas torres altas, o que representa valor agregado. Também existe mais investimento em tecnologia: utiliza-se um número maior de elevadores e sistemas de alta velocidade.

CONFORTO

Segundo Nicollas, se possibilita muito mais iluminação e arejamento nas faces da torre e a temperatura nas cotas mais elevadas é bem mais amena, o que gera mais conforto. “Existia uma demanda reprimida por torres inovadoras em Goiânia, visto que a cidade esteve durante muitos anos sujeita a projetos de conceito mais arcaicos e não figurava como referência em modernidade”, afirma.
A Loft Construtora também deve entregar este ano o Residencial Ecoliving, no Setor Bueno, em frente o Goiânia Shopping, que terá 39 pavimentos e mais de 120 metros de altura, que abrigarão 66 unidades.

Plano Diretor muda concepção urbana

Muita gente que comprou casa em bairros nobres visando um perfil mais residencial, agora está vendo isso mudar. A arquiteta e urbanista Izabel Pastore, gerente técnica do Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo e professora da PUC-Goiás, explica que os planos diretores anteriores contemplavam a cidade por tipo de uso, como residencial e comercial. Ele determinava uma taxa de ocupação para terrenos em cada região, ou seja, um limite de construção em relação à área.

Se um terreno em determinado local tinha 300 metros quadrados, só se podia construir até 300 metros nele, por exemplo, o que limitava muito a verticalização. Já em outras zonas, onde ela era permitida, era possível construir dez vezes o tamanho do terreno. Assim, alguns bairros ficaram mais residenciais ou comerciais.

DESCARACTERIZAÇÃO

Aí veio o Plano Diretor de 2008 que trabalhou com um planejamento mais voltado ao sistema viário, permitindo a verticalização no entorno das avenidas. Segundo Izabel Pastore, isso acabou com o conceito de zonas e criou uma única macrozona. “Dentro dela, se permitiu a verticalização nas proximidades das vias de transporte”, destaca. São os chamados eixos de desenvolvimento.
Essa lógica de mais densidade populacional onde há maior circulação é típica do planejamento urbano. Por outro lado, Izabel Pastore lembra que edifícios imensos descaracterizam o desenho original de bairros tradicionais da capital, como o Setor Marista e Setor Sul.

CERCADOS

Para ela, o pior é para os atuais moradores, que viviam numa zona residencial de baixa densidade e se sentiam protegidos pelos planos diretores, mas agora estão ficando cercados pelos “espigões”.
A urbanista também admite que, na lógica do planejamento urbano, isso ajuda a trazer mais movimento e até mais segurança para essas regiões nobres. Em outro ponto, a construção de grandes edifícios pode abalar a estrutura de construções mais antigas, que acabam rachando, como já aconteceu no Setor Marista. “Isso acaba fazendo muitos desses moradores antigos se mudarem para condomínios fechados, por exemplo, para fugir da verticalização”.

Fonte: Jornal O Popular