2 de abril de 2014

Estado acumula obras atrasadas em Aparecida de Goiânia


O primeiro Centro de Referência e Excelência em Dependência Química (Credeq) está sendo construído pelo governo de Goiás na Avenida Copacabana, em Aparecida de Goiânia, dentro de uma área da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (Agsep), e está sendo feito com recursos do Tesouro Estadual estimados em R$ 19,864 milhões. O projeto de construção dos Credeqs foi anunciado em 2011, mas até hoje o governo do Estado não conseguiu concluir nenhuma das quatro unidades previstas para Aparecida de Goiânia, Rio Verde, Morrinhos e Caldas Novas.

Em janeiro de 2013, o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincón, garantiu que quatro Centros de Referência e Excelência em Dependência Química (Credeq) seriam construídos e entregues à população até o final do ano passado, o que não ocorreu. “Goiás terá quatro casas de internação até o final deste ano”, garantiu ele naquela data.

De fato, a construção do primeiro Centro de Referência e Excelência em Dependência Química foi iniciada no dia 23 de janeiro de 2013, com previsão de conclusão em 15 meses, o que deveria ocorrer entre março e abril deste ano. Mas a data de inauguração foi adiada para maio e, depois, junho. Como ainda faltam cerca de 50% das obras físicas, as previsões já apontam para o final deste ano.

O Credeq de Aparecida de Goiânia, quando pronto, fará parte da Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde (SUS) e será integrado aos demais serviços públicos de saúde que atendem os usuários de drogas.

O Centro, que vem para atender uma demanda antiga no Estado de Goiás, está com as obras atrasadas em relação ao cronograma original e, enquanto isso, dependentes químicos de todas as idades seguem desassistidos em unidades dirigidas diretamente pelo Estado.

Escola do Pontal Sul segue sem previsão de aula

Em agosto de 2013, a Agetop anunciou que as obras de construção da Escola Padrão Século XXI, no Pontal Sul, em Aparecida de Goiânia, que havia passado por problema na licitação, seguiam em ritmo normal e que a previsão de conclusão estava marcada para outubro do ano passado. Mais uma vez o cronograma não se confirmou e a data foi adiada, inicialmente para fevereiro de 2014 e, depois, para março deste ano. Mas o que se vê é que a escola, transformada em unidade militar, deve funcionar bem depois, só lá para o segundo semestre, se tudo der certo.

A demora na conclusão da unidade, que vai atender 1,2 mil alunos, deixa muita gente aflita, já que deveria estar pronta desde o ano passado. E olha que o projeto de construção de quatro escolas deste modelo é do governo anterior. A primeira escola construída no Padrão Século XXI em Aparecida foi inaugurada pelo então governador Alcides Rodrigues em 19 de maio de 2010. Trata-se do Colégio Estadual Donato Coutinho de Abreu, no Setor Cidade Vera Cruz I.

Esta foi a primeira de quatro escolas no Padrão Século XXI que o governo anunciou para o município. As outras são do Pontal Sul, Jardim Tiradentes e do Setor Garavelo, que também se encontram atrasadas.

Avenida da Paz: só a parte da prefeitura está pronta

Convênio entre o governo de Goiás e a Prefeitura de Aparecida prevê a construção da Avenida da Paz, via que ligará o centro histórico de Aparecida a Goiânia sem ter que passar pela BR-153.
A nova via, quando totalmente pronta, terá 11,5 quilômetros de extensão. O convênio assinado prevê investimento de R$ 19,2 milhões, sendo R$ 8,6 milhões referentes à contrapartida da Agetop e R$ 10,6 milhões de responsabilidade do município.

O governador Marconi Perillo assinou em maio de 2011 protocolo de intenções para a construção da via. Em setembro de 2013, a Agetop fez a licitação. Esta é, por sinal, outra obra atrasada do Estado em Aparecida de Goiânia. A parte que cabia à Prefeitura de Aparecida foi lançada em maio e inaugurada em dezembro do ano passado.

Iluminação da BR-153 fora do cronograma

A iluminação da BR-153 está sendo implantada pela Agetop, mesmo sendo uma rodovia federal. A licitação foi feita em outubro de 2013. São 27 quilômetros de uma rodovia federal em perímetro urbano, entre Aparecida e Goiânia, que receberão 646 postos de concreto e luminárias, com investimento de R$ 4,9 milhões.

Em recente entrevista ao Diário de Aparecida, o diretor de obras rodoviárias da Agetop, Marcos Mussi, falou sobre a obra. “Sempre houve o problema de quem era a responsabilidade da iluminação. O governador resolveu assumir essa responsabilidade e, com isso, diminuir o grande número de acidentes ocorridos na via.”

O problema é que, da mesma forma das outras, a obra está atrasada. A previsão inicial era de inaugurá-la no final de fevereiro. Foi adiada para março e parece distante de ficar pronta no momento, mesmo já estando em abril.

Empresários aguardam expansão do Daiag

O projeto executivo da expansão do Distrito Agroindustrial de Aparecida de Goiânia (Daiag), desenvolvido pela Secretaria Estadual de Indústria e Comércio, ainda continua no papel, mesmo estando pronto para ser implantado. Ele agrega mais 1,6 milhão de metros quadrados ao Daiag, espaço suficiente para abrigar outras 54 indústrias.
A projeção é de que essas empresas gerem inicialmente de 10 a 15 mil empregos diretos e outros tantos indiretos. O investimento do Estado será de R$ 15,61 milhões aplicados em infraestrutura urbanística – pavimentação asfáltica, saneamento e energia elétrica. Os 34,7 alqueires, correspondentes a 1,6 milhão de metros quadrados, representam mais do que o dobro da área existente. A expansão ocorrerá em área a ser desmembrada da Agência Prisional, com a qual o Daiag faz divisa.

O prefeito Maguito Vilela já aprovou na Câmara Municipal, desde o ano passado, expansão da área urbana do município até o local para que a expansão do Daiag possa ser concretizada. No início de janeiro deste ano, houve um imbróglio envolvendo o então secretário de Indústria e Comércio, Alexandre Baldy, e os políticos de Aparecida que não o deixaram entregar mais de 100 títulos de concessão de área no local a empresários cadastrados por ele. Como não havia projeto finalizado sobre a expansão, as áreas não puderam ser doadas até agora.

A expansão está emperrada e centenas de empresários continuam aguardando a liberação de área para implantar seus negócios no município.

Água tratada e esgotamento sanitário: problemas crônicos

A Saneago anunciou maciços investimentos em saneamento básico em todo o Estado – mais de um R$ 1 bilhão, sendo R$ 527 milhões em esgoto e R$ 554 milhões para água tratada – e que tem no município de Aparecida de Goiânia um de seus principais objetivos para a universalização dos serviços. O prazo e os valores estimados são de que em cinco anos serão investidos cerca de R$ 940 milhões, quando será alcançado o objetivo de 100% da cidade atendida com sistemas de coleta e tratamento de esgoto e tratamento e distribuição de água.

Mas o problema é que as obras de construção da Estação de Tratamento de Esgoto de Aparecida, que, segundo o cronograma da própria Saneago, que ficariam prontas em julho de 2012, ainda seguem sem previsão oficial de inauguração. Apesar de anunciar recursos do PAC já assegurados, a ETE de Aparecida está sendo construída há cerca de dez anos.

A subdelegação dos serviços de esgoto em Aparecida de Goiânia, Rio Verde, Jataí e Trindade já está valendo desde o dia 1º de novembro do ano passado. O novo modelo prevê R$ 1 bilhão para investimentos em obras de saneamento, dos quais R$ 580 milhões deverão ser investidos nos primeiros seis anos, para universalizar o atendimento nestas cidades, assegurando o cumprimento dos Planos Municipais de Saneamento.

Só que a demora é muito grande e Aparecida, a segunda maior cidade de Goiás, tem até hoje apenas cerca de 60% de suas casas servidas com água tratada e pouco mais de 15% com rede de esgotamento sanitário. O atraso da Saneago já está prejudicando o trabalho de asfaltamento de bairros no município, já que o asfalto novo só pode ser feito em locais onde há redes de água e esgoto.

IML, obra já dura mais de uma década

Entre as obras do governo de Goiás mais emblemáticas em Aparecida de Goiânia está o Instituto Médico Legal (IML), em fase de construção há mais de dez anos no Parque Real.
O projeto já ficou parado durante muitos anos, foi retomado e paralisado novamente.
As obras do IML de Aparecida de Goiânia estão 50% concluídas e uma nova licitação está sendo feita para dar continuidade ao projeto.

De acordo com a Agetop, a empresa, primeira ganhadora da licitação, não apresentou capacidade técnica e operacional para executar a obra completa. Com isso, o contrato foi rescindido e deu-se início a uma nova licitação.

Orçada em R$ 2 milhões, a obra estava prevista para ser reiniciada em março, com conclusão no dia 31 de maio de 2014. Mas do jeito que está hoje, não há como prever a data da sua inauguração. O IML é de grande importância para a população de Aparecida de Goiânia e não há mais como justificar um atraso tão grande assim.

Fonte: Diário de Aparecida