11 de abril de 2014

Antônio Perillo, irmão de Marconi, é um dos 36 indiciados da Operação Poltergeist


Toninho, como é conhecido, é acusado de peculato. O deputado estadual Daniel Messac (PSDB) e o vereador Divino Rodrigues (Pros) também são alvos da denúncia

O irmão do governador Marconi Perillo (PSDB), Antônio Pires Perillo, conhecido como Toninho, é um dos 36 denunciados pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por suposto envolvimento no esquema de contratação de servidores fantasmas na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal de Goiânia. Antônio Perillo é acusado de peculato por, de acordo com a denúncia, ter sido flagrado em conversa telefônica com seu motorista, Geraldo da Silva Valverdes, cobrando o repasse de parte de seu salário da Assembleia.

O nome de Geraldo teria sido colocado na lista de funcionários de um dos gabinetes da Casa por indicação de Toninho, que, em contrapartida, precisava repassar a maior parte do vencimento para o patrão. A denúncia não esclarece se o motorista efetivamente prestava serviços à Assembleia ou se era um funcionário fantasma.

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O deputado estadual Daniel Messac (PSDB), o vereador de Goiânia Divino Rodrigues (Pros) e o vereador de Minaçu Fábio de Souza Santana (PDT), também são alvos da denúncia protocolada na tarde desta quinta-feira (10/4). O MPGO pediu a suspensão imediata do exercício das funções públicas dos três legisladores.

A denúncia é assinada pelo procurador-geral de Justiça em exercício, Altamir Rodrigues Vieira Júnior; pelo subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, Spiridon Anyfantis; e os promotores de Justiça Denis Augusto Bimbati Marques, Luís Guilherme Martinhão Gimenes, Walter T. Linzmayer Otsuka, Juan Borges de Abreu e Vinícius Marçal Vieira, do Grupo Especial de Atuação de Combate ao Crime Organizado. Segundo os integrantes do MPGO, as investigações prosseguem e novas denúncias podem ser oferecidas em breve.

Durante as investigações da Operação Monte Carlo, em 2012, o nome de Antônio Perillo chegou a ser ligado ao de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na ocasião, conversas gravadas pela Polícia Federal indicaram que Toninho teria orientado o grupo de Cachoeira para participar de uma licitação do Estado, orçada em aproximadamente R$ 21 milhões.

A Operação Poltergeist foi deflagrada na terça-feira (1º) para investigar desvio de recursos públicos por meio de contratações de servidores fantasmas na Assembleia Legislativa e Câmara Municipal. De acordo com os promotores de Justiça envolvidos no caso, a fraude ocorria com a contratação de funcionários que não trabalhavam e repassam parte do salário para integrantes da organização. Há indícios de possível utilização de notas fiscais de serviços não realizados para desvio de recursos do gabinete, assim como fraude em licitação.

Foram cumpridos, com a cooperação da Polícia Militar e a participação de 31 promotores de Justiça, 13 mandados de prisão e 29 de conduções coercitivas, além de mandados de busca e apreensão, realizados em gabinetes específicos da Assembleia e da Câmara de Goiânia.

Cerca de 150 policiais militares participaram da operação. Os mandados foram cumpridos em Goiânia, Catalão, Iporá e Minaçu. A operação obteve o apoio da Procuradoria-Geral de Justiça, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Centro de Segurança Institucional e Inteligência (CSI).

As investigações apontam compensação “salarial” entre os funcionários fantasmas –– para que embora em Casas legislativas diferentes, os “contratados” recebessem a mesma quantia ––; e que essas pessoas acordavam em devolver entre 80% e 90% do valor total do vencimento. De acordo com o procurador-geral de Justiça, Lauro Machado, eram altos os valores desviados, e o total ainda não foi descoberto devido à complexidade com que se dava o esquema.

Ao menos 90 pessoas foram investigadas pelo MPGO, por um ano, por suspeita de envolvimento. As apurações foram iniciadas com denúncia feita por um dos envolvidos. Foi apurada também a possível prática de nepotismo cruzado entre a Câmara e Assembleia, envolvendo os nomes do deputado Daniel Messac e do vereador Divino Rodrigues, que estariam mantendo em seus respectivos gabinetes familiares de um e de outro.

Na noite de sábado (5), nove dos investigados pelo MPGO foram liberados, enquanto outro deixou a prisão na segunda-feira (7). O motivo foi o término do prazo de prisão temporária, que tem duração de cinco dias. Foram liberados: o ex-diretor-geral da Assembleia, Milton Campos; Waldivino Rosário da Silva, comissionado da Assembleia e apontado como “fantasma” e agenciador no esquema; Adailton Ferreira Campos, irmão de Milton; e Silma Adriane Monteiro da Silva, mulher de Adailton; Robson Feitosa dos Reis, chefe de gabinete de Messac; Mércia Adriana Reis, esposa de Robson; Myrcea America Dias, irmã de Mércia; Bianca dos Santos Carvalho dos Reis, cunhada de Robson; Regis Feitosa dos Reis, irmão de Robson; e Bruno de Freitas Maciel, sobrinho de Milton e Adailton.


Relação dos denunciados

1.Adailton Ferreira Campos, servidor público

2.Adelide Souza dos Santos, servidora pública

3.Antônio Pires Perillo

4.Arthur Leonel Martins, servidor público

5.Bianca dos Santos Carvalho Reis, servidora pública

6.Bruno de Freitas Maciel, servidor público

7.Christielly Filonones dos Reis, servidora pública

8.Daniel Messac de Morais, deputado estadual

9.Divino Rodrigues dos Reis, vereador em Goiânia

10.Elidete Ribeiro de Oliveira, servidora pública

11.Erisvander da Silva, conhecido como “Rick Cooler”, músico, servidor público

12.Fábio de Souza Santana, vereador de Minaçu

13.Frederico Augusto Auad de Gomes, servidor público municipal (chefe de gabinete do vereador Divino Rodrigues)

14.Geovani Patricio de Souza, empresário, servidor público

15.Geraldo da Silva Valverdes, motorista, servidor público

16. Gilberto Augusto Nogueira, servidor público

17.Greyce Kelly Filonones dos Reis, servidora pública

18.Iolanda Ferreira de Moura, servidora pública

19.Isabel Domingas Bueno, servidora pública

20. Juraci Brandão da Silva, lavador de carros, servidor público

21.Libina Alves Machado Messac, servidora pública

22.Maria Ilda Reinalda Pimenta, servidora pública

23.Maryna Rezende Dias Feitosa, estudante, servidora pública

24.Mércia Adriana Dias, cabeleireira, servidora pública

25.Milton Rodrigues Campos, servidor público estadual (diretor-geral da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás

26.Mirella Paula Dias, servidora pública

27.Myrcea America Dias, servidora pública

28.Régis Feitosa dos Reis, empresário, servidor público

29.Rezende Rocha dos Reis, supervisor de produção da empresa Ideauto Veículos Ltda, servidor pública

30.Robson Feitosa dos Reis, servidor público estadual (chefe de gabinete do deputado estadual Daniel Messac)

31.Silas Ribeiro da Silva Rabelo, músico, servidor público

32.Silma Adriane Monteiro da Silva, servidora pública

33.Sônia da Silva Soares de Almeida, servidora pública

34.Valdeci Eulálio Bueno, servidor pública

35.Vânia Lúcia Cywinski, servidor pública

36.Waldivino Rosário da Silva, mecânico, servidor público

Fonte: Jornal Opção