7 de março de 2014

Viadutos: Conclusão só no meio do ano



Tanto Agetop quanto Prefeitura culpam chuva por atrasos no serviço e prometem entregar obras em maio e julho.

Os atrasos nas obras dos viadutos que estão em construção em Goiânia pelos governos estadual e municipal caminham juntos. Assim, as obras devem servir como peças da campanha eleitoral que está por vir, em outubro. Nos três pontos em obras na capital o fluxo de veículos se intensificou nos últimos anos e forçou a adoção das novas estruturas.

Segundo a Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), mesmo previstas para serem concluídas em julho, a meta é entregar as obras dos viadutos sob sua responsabilidade no final de maio. As chuvas, que estiveram em um nível abaixo do normal nos meses de janeiro e fevereiro, vem atrapalhando o andamento das construções. “Três bombas estão trabalhando durante 24 horas no viaduto da GO-070 para retirada do excesso de água e o rebaixamento do lençol freático, que impede o andamento de algumas etapas da obra”, diz a nota enviada pelo órgão.

Ainda de acordo com a Agetop, a falta de galeria de esgoto em determinados pontos da área do viaduto exigiu a construção de dispositivos de drenagem, para não comprometer a obra futuramente. E ainda o grande tráfego de veículos no local, que dificulta a movimentação de máquinas e equipamentos, e a chegada de produtos e material pré-moldado são algumas das justificativas para o atraso nas obras.

MARGINAL

No viaduto da Marginal Botafogo, a Secretaria Municipal de Obras (Semob) informou que a intenção da Prefeitura era antecipar a entrega do complexo para o dia 24 de outubro - aniversário de Goiânia -, o que não foi possível “devido a problemas técnicos e administrativos.”

“O primeiro adiamento da obra se deu porque, segundo a pasta, a Companhia de Eletricidade (Celg) não havia feito a retirada de postes que impediam a construção do elevado. Posteriormente o período chuvoso impediu a compactação do solo”, relata a nota enviada pela assessoria de imprensa da Semob.
A chuva, aliás, segue sendo justificativa para o ritmo lento das obras no local. A realização de serviços de aterro e do muro armado dependem de um clima mais estável para não comprometer a qualidade da construção, conforme alegou um dos funcionários que trabalhava no local.

Enquanto os viadutos não são concluídos os vendedores ambulantes tentam lucrar com os constantes engarrafamentos no cruzamento da Marginal Botafogo com a Avenida 88. A diversidade de produtos à venda impressiona e vai desde água mineral, passando por banana, goiaba, morango e balinhas. Apesar do fluxo intenso, as vendas não vão bem. “Antes era melhor, agora o pessoal chega aqui no sinaleiro nervoso e não compra”, relata uma vendedora que não quis se identificar.

Comerciantes reclamam de demora

Enquanto as obras se arrastam, os comerciantes da região norte, que são vizinhos a dos dois canteiros, reclamam da situação em que se encontram após a implantação das obras. Eles chegaram a articular um abaixo-assinado, solicitando o aceleramento da construção, que estava “paralisada por motivos desconhecidos”, relata o documento. Porém, sem a mobilização necessária, a coleta de assinaturas não foi concretizada.

“O ritmo das obras está absurdamente lento. Estou apenas com dois funcionários, já que tive que demitir outros dois”, revela a comerciante Alba Valéria, que tem uma loja de ferragens na Avenida Bandeirantes, bem em frente ao canteiro de obras do viaduto da GO-060. Instalada no local desde 1996, Alba comenta que até mesmo a segurança está afetada, já que a rua teve o fluxo de veículos interrompido. “Há um clima de medo na região, pela falta de movimento, principalmente à noite.”

O vendedor Adair Ferreira de Souza comenta que sem movimento na rua, as vendas caíram cerca de 80% no comércio da região. “Estamos na expectativa de que melhore para todo mundo quando a obra acabar, mas não sabemos se isto vai acontecer”, reclama. Para Valter Martins, que é dono de uma oficina de máquinas próximo ao canteiro de obras do viaduto da GO-070, o cenário é o mesmo. “(A obra) está atrapalhando demais. Olha aí a buraqueira que está o desvio”, comenta mostrando as crateras no asfalto.

Fonte: Jornal O Popular