18 de março de 2014

Presidente da CMTC admite crise e afirma que projeto da governadoria reforça instabilidade

Presente na reunião entre deputados da oposição e o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), a presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), Patrícia Veras, admitiu durante entrevista que o transporte coletivo passa por um período de crise. Ela pontuou que a atual proposta do governador Marconi Perillo (PSDB) de transferir para a prefeitura da capital a responsabilidade de indicar o presidente da Câmara Deliberativa de Transporte Coletivo (CDTC) só vai reforçar o período de turbulência vivenciado no setor.

De acordo com Patrícia, a alteração provocaria mudanças no modelo e forma de gestão do transporte metropolitano. “O governo não consultou nenhum município integrante da rede, nenhum membro da CDTC. Isso muda um modelo de gestão que está construído aqui na região metropolitana de Goiânia há quase 20 anos”, afirmou. ”Isso vai gerar com certeza instabilidade na gestão do transporte metropolitano em um momento em que já estamos com uma crise na operação e na qualidade do serviço prestado à população.”

A presidente da CMTC teme que a medida possa fazer com que cada prefeitura passe a se responsabilizar pelo transporte dentro de seus limites territoriais, acabando ou restringindo assim a atual integração entre os municípios da região metropolitana. Outro fator preocupante é a questão da concessão do Eixo Anhanguera, que poderia ser revogado caso a mudança fosse concretizada. “Não sei qual foi a motivação para encaminhar esse projeto nesse momento, mas achamos que é mais um fator gerador de crise em um período em que estamos buscando uma solução para resolver o problema do transporte”, disse Patrícia ao ser perguntada se achava que a proposta tinha interesses políticos.

Ela declarou que a reunião ocorrida hoje não tinha o objetivo de obter “um encaminhamento prático”. “Foi uma reunião para discutir um tema que vem dificultando a vida da nossa população. Foi para tentar entender o que está acontecendo e buscar uma solução, um caminho”, pontuou, reforçando que nenhuma decisão concreta foi tomada.

Patrícia criticou que o projeto da governadoria encaminhado para a Assembleia foi elaborado sem que nenhuma prefeitura ou membro da CDTC tivesse sido consultado. Agora, ressalta, cabe aos legisladores o papel de decidir o que é melhor para o transporte coletivo na região. “Esperamos que os deputados façam uma discussão séria e com vistas a melhorias da qualidade de vida da população”, declarou. “Não estou nem discutindo se é boa ou não. Achamos que se é caso de mudar, tem que ser discutido com todos os municípios que compõem a região metropolitana porque o que a gente precisa agora é de ações para resolver a crise. E no meu modo de pensar essa ação do governo não resolve a crise que estamos vivendo.”

Fonte: Jornal Opção