13 de março de 2014

Paulo diz a vereadores que não é canalha


Prefeito prestou contas à Câmara Municipal e foi duro ao responder a ataques de representantes da oposição

Em meio ao bombardeio da oposição sobre eventuais desmandos administrativos, que teriam contribuído para um déficit fiscal de cerca de R$ 300 milhões só no último quadrimestre de 2013, o prefeito Paulo Garcia (PT) contra-atacou dizendo não ser conivente com eventuais irregularidades, e que, por isso mesmo, não se considerava um canalha.

Ele usou o substantivo para responder a questionamento do vereador tucano Geovani Antônio de que a Prefeitura teria se apropriado indevidamente de valores descontados em folha do funcionalismo, em regime consignado, desde maio do ano passado.

“Uma outra questão que é importante afirmar ao senhor, vereador, é que, se você sempre agir com dignidade, talvez você não mude o mundo, mas seguramente será um canalha a menos na terra”. E, diante do olhar de espanto dos vereadores oposicionistas, que não conseguiam entender se o recado seria para eles, Paulo fez questão de ler, em tom professoral, o significado da palavra em questão. “O que é um canalha? É um substantivo de dois gêneros, é um sujeito infame, miserável, desprezível, sem moral, velhaco, desonesto. E eu tenho certeza em afirmar que a minha posição talvez não mude o mundo, mas seguramente será de um canalha a menos”.

Aos presentes que se encontravam na minúscula Sala das Comissões, acompanhando a prestação de contas, Paulo comentou que se tratava de uma célebre frase dita pelo ex-presidente dos Estados Unidos John Kennedy de que, se alguém conseguisse agir sempre com dignidade, talvez não conseguiria mudar o mundo, mas seria um canalha a menos. “Eu procuro agir com muita dignidade e responsabilidade, para que nenhum desses adjetivos ou substantivos de dois gêneros sejam imputados à minha pessoa”, afirmou para arrematar. “Nós não promovemos, não aceitamos e nem somos coniventes com nenhuma irregularidade.”

Em seguida, Paulo Garcia, ao sustentar que abordava com segurança as questões financeiras da Prefeitura, e que atendia à determinação do governo federal de estabelecer o piso salárial aos professores, teceu críticas a vereadores, sem citar nomes, que defendiam reajuste à categoria, durante a greve do final do ano passado, mesmo tendo informação de que a folha do funcionalismo havia atingido o seu limite prudencial. “Me lembro de muitos vereadores, no direito legítimo de suas funções, apresentarem proposta de majoração maiores que as apresentadas pelo município”. Imperava aí, segundo o prefeito, em contradição da oposição. “Ou se aumenta o bolo da receita ou se diminui o gasto em folha. Ou um ou outro. Isso não é posição política, é posição administrativa regida por lei”.

Antes das respostas dadas a Geovani Antônio, o prefeito já havia travado um breve bate-boca com o ex-aliado Djalma Araújo (Solidariedade), que deixou o PT, alegando discordar das políticas públicas empreendidas pela Prefeitura. O vereador fez questionamentos contundentes a Paulo sobre a existência de contratos irregulares na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e na Secretaria Municipal de Transportes (SMT).

Djalma

Sem abordar diretamente as indagações de Djalma, o petista fez referência à mudança de partido do vereador. “Não mudei de lado, mantenho a minha coerência. O que tenho dito durante toda a minha vida é a mesma coisa. Tenho a convicção de que sou um homem probo, que jamais fui conivente com qualquer tipo de irregularidade, que tenho um nome a zelar, que tenho uma historia pessoal que me permite afirmar em todos os fóruns que estou presente, que jamais participei de um conluio onde eu tivesse a oportunidade de ter benefícios pessoais”.

Em dois momentos, o vereador Paulo Borges (PMDB), que coordenava a audiência pública, teve de intervir, informando a Djalma que a palavra estava com o prefeito. Paulo Garcia continuou a sua fala sugerindo que havia omissão por parte do ex-petista, por não ter denunciado os fatos que disse ter conhecimento. Disse ainda que não admitia ilações descabidas, como as que foram feitas pelo vereador, de que o Jardim Botânico seria privatizado. “Isso não é verdade, e o senhor sabe que não é verdade”.

Fonte: Jornal O Hoje