11 de março de 2014

Passageiro do transporte não confia no poder público


Pesquisa aponta os principais problemas enfrentados em seis capitais, incluindo Goiânia, onde foram aplicadas 8.438 multas desde o ano passado.

Pesquisa mostra que passageiros do transporte coletivo de seis capitais pesquisadas – entre elas, Goiânia – são insatisfeitos com o serviço prestado. O levantamento aponta que a maioria não reclama formalmente aos órgãos competentes porque não confia em resultados a partir das queixas protocoladas. Ainda assim, a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo de Goiânia (CMTC) informou que foram aplicadas 8.438 multas às empresas de ônibus, desde o ano passado. Boa parte delas teve origem nas 4.202 queixas feitas por usuários. O estudo foi feito pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e mostra ainda que os usuários se declararam habituados aos transtornos. Entre os problemas, ônibus que demoram a passar. E, quando passam, transportam mais passageiros que o limite recomendável, razão usada como justificativa para que os motoristas não parem nos pontos onde usuários esperam, em alguns casos, por quase uma hora.

Também figuram entre as reclamações, ônibus que param, mas apenas para deixar descer alguns passageiros, não permitindo o embarque de mais ninguém – o que acaba por amenizar o desconforto de quem viaja espremido, de pé, em ônibus velhos e malcuidados: não raro, quebram no meio do caminho. E a falta de melhorias, segundo o instituto, faz com que o usuário não exija que o Poder Público fiscalize e puna as empresas concessionárias que não oferecem serviço de qualidade.

Antes mesmo das grandes manifestações populares do ano passado, estudantes e passageiros de Goiânia, insatisfeitos com a falta de qualidade dos serviços prestados pelo sistema de transporte público foram às ruas para protestos, inclusive com enfrentamento policial. Mas apesar dos grandes movimentos de 2013, parte da população ainda não tem hábito de reclamar. “Muitas pessoas acham que reclamar não faz sentido. Por isso, o número de reclamações registradas [pelos órgãos públicos de fiscalização] não dá conta da realidade”, disse João Paulo Amaral, coordenador da pesquisa Transporte Público, Insatisfação Coletiva.

Como já foi mostrado pelo O HOJE, o número de viagens realizadas por cada veículo da frota do transporte coletivo de Goiânia e região metropolitana caiu pela metade nos últimos anos. Em 2004, cada ônibus realizava em média 12 viagens diárias. Com o trânsito pesado e a falta de investimentos no transporte coletivo, a média caiu para apenas seis viagens por dia. Com isso, o sistema de transporte público da capital vive dias de colapso, com reflexo na total insatisfação do usuário.

O estudo ainda apontou que, no período, a velocidade dos ônibus sofreu redução de pelo menos 30%. Atualmente, segundo informações repassadas pela CMTC, pelo menos 1.393 ônibus atendem a demanda de milhares de passageiros de Goiânia e outras 17 cidades vizinhas. A quantidade de veículos é a mesma apresentada há cinco anos. No entanto, o problema não está na frota, mas, sim, em sua capacidade de circulação.

Fonte: Jornal O Hoje