23 de março de 2014

Marcha da Família: Seis pessoas comparecem a evento em Goiânia


Divulgado nas redes sociais, manifestação relembra edição que ocorreu em 1964 contra governo João Goulart, que antecedeu ditadura militar no País.

Decepção. Esse foi o sentimento do operador de call center Marcelo Pereira, de 23 anos, em relação à Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu na Praça Cívica, ontem à tarde, apenas seis pessoas. A manifestação, organizada por meio das redes sociais, é uma reedição da marcha anticomunista realizada em 1964 e tem como objetivo o retorno dos militares ao poder. Marcelo não esperava um grande número de pessoas, mas pelo mesmo as cem que, segundo ele, haviam confirmado presença pela internet. O operador defende o militarismo, a religião e as tradições familiares como contraponto ao que ele chama de “força notável dos movimentos de esquerda”. “Acho importante fortalecer os valores da direita para assegurar um equilíbrio entre as forças políticas”, justifica.

Já o corretor de imóveis José Carlos Souza, de 45, não ficou frustrado com a pouca participação. “Todo movimento começa pequeno e estamos só começando, por isso não considero um fracasso.” Para ele, vale a pena tentar “livrar o Brasil desse comunismo antes que o País vire uma Venezuela”. Na opinião do corretor, o movimento não vingou devido à campanha difamatória feita contra os militares. “Uma mentira repetida muitas vezes acaba virando verdade.”

O pequeno grupo se recusou a ser fotografado pela reportagem e apenas dois se dispuseram a dar entrevista. A marcha estava marcada para acontecer em cerca de 200 cidades brasileiras e, na grande maioria, se repetiu a pouca participação de Goiânia. O fracasso do movimento pró-militares não surpreendeu o coordenador da manifestação em Goiânia, Alexandre Seltz, de 26. “Já era esperado que não desse certo porque o tema não tem apelo popular.” Em São Paulo um número maior de pessoas atendeu ao convite das redes sociais. Calcula-se que cerca de mil pessoas participaram do evento, de acordo com a Polícia Militar.

Fonte: Jornal O Popular (Renato Conde)