21 de março de 2014

Faltam professores de ensino médio em Goiás

Déficit é de 1.263 docentes na rede pública de ensino, com perdas ao aluno

A ausência de professores em algumas disciplinas do ensino médio da rede pública de educação de Goiás tem prejudicado diversas escolas. Faltam pelo menos 1.263 docentes, com destaque para as áreas de Física, Sociologia, Química, Filosofia e Artes (veja box). O levantamento, que demonstra o grave problema educacional no Brasil, foi realizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por meio de uma auditoria que teve como principal objetivo avaliar a oferta e a qualidade do ensino médio das escolas estaduais e federais.

O problema presente no ensino médio público de Goiás também se repete em outras regiões do País. A avaliação trabalhou em aspectos relativos a quatro eixos temáticos: cobertura, professores, gestão e financiamento. A oferta de vagas, disponibilidade e formação de professores também foram analisadas.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), apesar de não conseguir obter o real número do déficit total de professores da rede pública, tanto do ensino fundamental quanto do ensino médio, calcula que o déficit seja ainda maior.

A presidente do Sintego, Iêda Leal, afirmou que, com frequência, o sindicato solicita às secretarias de Educação informações referentes ao número de professores comissionados e concursados da rede de ensino, mas sem sucesso. “De uma maneira geral existem muitos contratos e poucos efetivos”, acredita. Ela acredita que apenas na rede estadual de ensino há 32 mil professores, na rede municipal esse número deve chegar a 14 mil.

A auditoria realizada pelo TCU também levantou a quantidade de concursados e comissionados que atuam na formação de alunos do ensino médio no Estado. O estudo destaca que, pelo menos, 20,1% dos professores estão na ativa por meio de contratos temporários e outros 79,3% são concursados.

Meta

Além disso, há risco de não atingimento do objetivo previsto na meta 3 do Projeto de Lei do Plano Nacional de Educação (PLPNE), ainda não aprovado pelo Congresso Nacional, que estabelece o compromisso de alcançar, até 2023, a taxa de escolarização líquida, ou seja alunos com faixa etária adequada ao nível de ensino em que estão matriculados, de pelo menos 85%.

Em 2011, essa taxa estava em cerca de 52% para o ensino médio, segundo dados do Censo Escolar. Existem cerca de 500 municípios no Brasil em que a infraestrutura escolar destinada ao ensino médio não é suficiente para atender à meta, correspondendo a um déficit de pelo menos 38 mil vagas. O maior risco de não cumprimento refere-se a municípios das regiões Norte e Nordeste.

Fonte: Jornal O Hoje