21 de março de 2014

Avenida (quase) sem lixeira


A Avenida Anhan­gue­ra, na região central da capital, concentra um grande número de pedestres todos os dias. Em meio ao vai e vem de tanta gente, há os que deixam muito lixo para trás, jogado pelas calçadas. Resíduos esses que poderiam ir para locais adequados, como as lixeiras, caso elas não fossem tão poucas no local. Foi o que evidenciou um levantamento realizado pela reportagem da Tribuna, que constatou a ausência de 22 delas, apenas no trajeto entre as avenidas Paranaíba e a Araguaia.

No trecho em questão, somente do lado esquerdo da Anhanguera (sentido Centro - Setor Universitário), faltam 13 lixeiras. Há apenas seis em funcionamento. Em vários pontos se vê somente os locais usados para a fixação dos aces­sórios. Como no caso do cruzamento da Avenida Anha­nguera com a Rua 9, espaço de grande fluxo de pessoas, onde faltam quatro lixeiras, uma em cada esquina. É nesse ponto, inclusive, que a dona de casa Elisa Rocha, de 57 anos, foi encontrada pela reportagem no momento em que colocava um papel de bala no compartimento externo de sua bolsa.

Ao ser questionada sobre a atitude, Elisa disse que costuma guardar o lixo até encontrar um lugar adequado para descartá-lo. “E tem que andar muito para achar uma lixeira aqui”, destacou Elisa Rocha. E tem mesmo. Como faltam muitas delas, as pessoas andam, na maioria das vezes, mais de uma quadra até encontrar um local para depositar o seu lixo. Para se ter uma ideia, da esquina da Avenida Anhanguera com a Paranaíba, até o cruzamento com a Avenida Tocantins, só há uma lixeira no lado esquerdo da rua. Ao todo, são cerca de três quadras. No trecho, deveria existir pelo menos quatro, conforme indicam os locais onde antes havia caixas coletoras.

A falta dos depósitos de lixo na via não é recente, segundo a gari Divina de Oliveira, 52 anos, e que há 16 se esforça para deixar mais limpo, todos os dias, o trecho da avenida. Segundo ela, além das lixeiras que faltam, muitas das que existem estão enferrujadas, algumas até com fundo danificado (o que foi constatado pela reportagem). Com mais de 30 anos de serviços prestados à limpeza urbana, e prestes a se aposentar, dona Divina acredita que a troca dos acessórios contribuiria para que menos resíduos fossem jogados nas calçadas. “Talvez aí as pessoas fiquem com vergonha de jogar no chão, né?” pontua.

Questionado também sobre o baixo número de lixeiras na via, o superintendente da Câmara dos Dirigentes Lojis­tas de Goiânia (CDL), Marco Antônio Milharci, 52, destaca que se trata de um problema bastante sério, e que tem havido reclamações de lojistas da Avenida Anhanguera por conta da situação. A reclamação, segundo ele, contribui para uma imagem negativa de uma região importante, que abriga um significativo número de comércios na Capital.

Segundo o representante do CDL, algumas ações poderiam amenizar o problema. Uma delas seria a colocação de lixeiras maiores ao longo da via, "pelo menos em pontos estratégicos, de maior movimento”. Para Marco Antônio, os modelos atuais são pequenos e por isso enchem muito rápido. Outra sugestão sua seria a intensificação de campanhas educativas sobre o descarte consciente do lixo. "Só que também não adianta ter campanha se não houver lixeira", diz Marco Milharci. De uma maneira geral, ele aposta em uma "parceria" entre poder público, lojistas, e a população para enfrentar o problema. Que, segundo ele, piora ainda mais com o período chuvoso, já que os resíduos que são jogados nas vias acabam indo para a rede de esgoto.

Recuperação em curso
Em busca de respostas para o problema junto à Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), a assessoria de imprensa do órgão informou, via telefone, que muitas lixeiras foram retiradas da Avenida Anhanguera para serem reformadas. Inclusive as de outras ruas do centro, como as avenidas Tocantins, Goiás, e também Rua 3. Locais esses que a reportagem da Tribuna também constatou a falta das caixas coletoras. Sobre o tempo em que os referidos equipamentos estão em reforma, foi informado que já fazem aproximadamente sessenta dias.

A respeito da previsão para a reinstalação das lixeiras, a assessoria de imprensa da Comurg informou que deverá ocorrer no final do mês de março. E sobre a possibilidade da colocação de coletoras maiores em pontos de maior movimento, foi informado à edição que é algo difícil de ser feito porque já há uma padronização específica para as lixeiras das vias. Ainda de acordo com a assessoria, os atos de vandalismo são apontados como uma das principais causas da degradação de muitas das lixeiras, inclusive da Anhanguera.

Fonte: Tribuna do Planalto