25 de fevereiro de 2014

Transporte coletivo: Medidas para daqui a 90 dias


CMTC e SMT terão link de sistema já utilizado pelas empresas do setor que mostram planilhas em tempo real.

A primeira reunião da Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos (CDTC) neste ano, realizada ontem, em Goiânia, discutiu medidas para solucionar o que o poder público chama de “crise do setor”. A principal medida anunciada após o encontro é a criação, em um prazo de 90 dias, de um Terminal de Controle Operacional para acompanhar, em tempo real, as planilhas de viagem dos ônibus. Hoje, as planilhas são entregues em um prazo de três dias. O objetivo é fazer com que o sistema, alvo de constantes protestos da população por conta de atrasos, volte à normalidade operacional.

O encontro, a portas fechadas no sexto andar do Paço Municipal, durou pouco mais de duas horas e reuniu nove membros da câmara deliberativa, entre eles o presidente da CDTC e secretário estadual de Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos, João Balestra, o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT) e a presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), Patrícia Veras. Assunto previsto na pauta do colegiado, o aumento da tarifa ficou em segundo plano, em relação ao discurso geral de melhora da qualidade.

“Nós estamos vivendo um momento de crise. A frota que está operando hoje não é a programada. Estamos pedindo o cumprimento dos horários e fazendo um estudo para o aumento das linhas onde há superlotação”, disse Patrícia Veras. Durante a reunião, ela apresentou estudo sobre os problemas atuais e parâmetro de qualidade dos serviços.

De acordo com a apresentação, a melhora da qualidade do sistema está dividida em quatro pontos: processos do sistema, ou seja, pontualidade, regularidade e cumprimento das viagens especificadas; melhorar a interação com os usuários; equilíbrio financeiro, incluindo o reajuste anual previsto no contrato com as operadoras; e o fortalecimento da gestão pública, com a implantação do terminal de controle operacional e a criação do Conselho Metropolitano de Controle Social.

O terminal de controle será, na verdade, um link de um centro operacional mantido atualmente pelas empresas, por meio do consórcio Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC). “Vamos aproveitar uma estrutura de alta tecnologia que já existe, com monitoramento por GPS, com um link para a Secretaria e outro na CMTC”, explicou João Balestra.

Balestra critica gestão anterior da CMTC

Na manhã de ontem, em entrevista à TV Anhanguera, o presidente da Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos (CDTC) e secretário estadual de Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos, João Balestra João Balestra, criticou a gestão anterior da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos. “Antes existia inoperância, omissão e frouxidão da CMTC. Eu espero que agora a CMTC haja com autoridade para não permitir esses abusos”.

Depois da reunião da CDTC, no fim da tarde, ele preferiu não comentar a crítica e focou o discurso nos problemas da mobilidade. “Atualmente, 70% das multas das empresas de ônibus são por questão de horário. O terminal vai ser um valioso para analisar essa situação, para saber se realmente está havendo um espaçamento maior entre as viagens ou o trânsito da capital tem prejudicado o cumprimento da planilha.”
A reunião da CDTC também abordou duas reivindicações dos empresários, a implantação dos corredores exclusivos e a criação do Fundo de Transportes. A presidente da CMTC, Patrícia Veras, informou que os projetos dos corredores estão prontos e aguardam recursos federais para serem implantado. Os membros da CDTC não deram mais detalhes sobre a criação do fundo.

O gestor de relacionamento do Setransp, Marcos Villas Boas, rebateu a informação sobre o não cumprimento das planilhas. “Nenhuma linha deixou de existir. A dificuldade atual se deve a fatores como o trânsito, o sucateamento da frota e falta de motoristas”, argumenta.

Usuários fizeram dois protestos ontem na capital

Duas novas manifestações de usuários ontem mostram o descontentamento dos usuários do transporte coletivo. Em um dos caso, uma linha ficou sem funcionar por 8 horas. A circulação dos ônibus da linha 341, que estava interrompida desde às 5 horas em função de um protesto no Residencial Buena Vista, foi restabelecida às 13h05, de acordo com a Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC). Os moradores do bairro, nas proximidades da BR-060, cobravam a melhoria do transporte coletivo na região.
Durante o ato, os usuários pararam o primeiro ônibus da linha 341, que parte do Terminal Parque Oeste, e impediram que ele voltasse a circular. Houve depredação de outro coletivo e muitas pessoas ficaram sem opções para seguir viagem.

Já à noite, um protesto no Terminal Novo Mundo, reuniu cerca de 600 pessoas. De acordo com informações da Polícia Militar (PM) os manifestantes reclamavam da demora dos ônibus e da falta de linhas para Senador Canedo. Houve confronto com a PM e duas pessoas foram detidas.

Fonte: Jornal O Popular