3 de fevereiro de 2014

Cidades goianas têm mais eleitores do que habitantes


Em 25 municípios do Estado, número do TSE e do IBGE não batem. Em outros 67, há fortes indícios de irregularidades nos registros do eleitorado

Ao serem cruzados com as estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que 25 cidades goianas têm atualmente mais eleitores do que habitantes.

A “distorção” também ocorre em outros 67 municípios de Goiás, onde a relação eleitor/habitante é superior a 85%, índice considerado pelo TSE como alarmante para a averiguação de possíveis irregularidades no registro do eleitorado.

De acordo com Juliana Saddi, coordenadora administrativa da Corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a situação não é indício de qualquer tipo de irregularidade. Para ela, os números “aparentemente distorcidos” refletem a amplitude do conceito de domicílio eleitoral.

“É um conceito muito amplo. A legislação eleitoral permite que não só as pessoas que residem tenham direito de votar em determinada cidade. Essa possibilidade também existe para aquelas que provam qualquer tipo de vínculo patrimonial, podendo ser, por exemplo, uma fazenda”, diz.
Ela também cita casos em que uma pessoa muda de cidade mas prefere continuar votando na outra. “Também existem casos de vínculo emocional”, explica.

De acordo Juliana Saddi, nada disso impede, no entanto, a existência de falhas na contagem do eleitorado, que serão corrigidas com o processo de recadastramento biométrico. “O TSE decidiu que todos os municípios passarão pela revisão do eleitorado até 2017. Isso visa tanto a implantação do novo sistema como a correção dessas distorções”, completa.

Atualmente, para que indícios de fraude no eleitorado sejam apurados, é necessário que, além de índice elevado de eleitores por habitantes, haja denúncia fundamentada. Outra exigência é que se constate crescimento do número de eleitores 10% maior do que no ano anterior ao questionamento.

Apuração também é afetada

Diretor do instituto de pesquisa Grupom, Mario Rodrigues Filho aponta que a Justiça Eleitoral está sempre “atrasada” na contagem do número de eleitores.

Para ele, é grande o número de eleitores que, apesar de já terem passado dos 70 anos ou até falecido, continuam contabilizados. “A população já mudou e quando vão apurar o resultado de uma eleição, surge a informação de que houve 30% de abstenção. Não é isso, é que esses eleitores já não existem”, defende.

Fonte: Jornal O Popular