20 de janeiro de 2014

Trânsito na região deve piorar


Novos empreendimentos e demora do poder público em realizar adequações nas principais vias afetará mobilidade

O entorno das Avenidas D e 85, que se encontram na Praça Latif Sebba (Praça do Ratinho), receberá nos próximos anos centenas de unidades residenciais e comerciais, muitas delas com mais de uma garagem. Um dos resultados do boom imobiliário na região será o aumento do fluxo de veículos na região. O Plano Diretor de 2007, prevê a construção de corredores e alargamento das vias na região, para suportar a quantidade de deslocamentos. O problema é que o os prédios estão chegando antes da reformulação da estrutura viária e da melhorias substanciais no transporte coletivo. Ou seja, o trânsito por ali vai piorar.

“No caso de uma cidade como Goiânia, que tem um crescimento sob pressão, vamos dizer assim, a Prefeitura vai mitigando à medida que o problema vai surgindo. Não existe nem recursos disponíveis nem capacidade para preparar todas as vias de Goiânia para receber os grandes empreendimentos”, afirma o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável, Nelcivone Melo. O ideal, diz, seria uma cidade planejada, com vias largas o suficiente para suportar o aumento na quantidade de habitantes por quilômetro quadrado. A capital tem hoje 2 mil. Melo diz que o mais racional seria 5 mil.

O Plano Diretor prevê diversos corredores, seis deles exclusivos, onde o ônibus deve ter uma via segregada. A Avenida 85 deveria receber um destes, mas não vai. O prefeito Paulo Garcia (PT) já disse anteriormente ao POPULAR que não há dinheiro para implantar tais projetos. A solução é fazer corredores preferenciais. A implantação do corredor da 85 é um dos projetos a serem executados com dinheiro da venda de áreas desafetadas, que ainda depende de aprovação na Câmara Municipal.

Numa perspectiva otimista, este dinheiro – estimativa de R$ 300 milhões – estará disponível no final do ano. Aí caberá ao prefeito Paulo Garcia definir quais de 12 grupos de obras – os corredores compõem um deles – terão prioridade. Outra alternativa é dinheiro do Programa de Aceleração do Crescimento 2, o PAC Mobilidade. “O que chegar primeiro vai ser usado”, afirma Nelcivone Melo.

Faixa na 85

Enquanto nenhuma das verbas está disponível, como fica o trânsito no local? A Secretaria de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT) informa que a faixa preferencial de ônibus da Avenida 85 está em fase de implantação com entrega para o final de fevereiro. A SMT ressalta que a Avenida 85 já está recebendo pintura horizontal e após a implantação haverá um período educativo e de adequação para pedestres e condutores”, informa em nota. Esta faixa preferencial no entanto, já foi implantada há anos, e nunca respeitada pelos motoristas. É consenso entre técnicos que somente a fiscalização – especialmente a eletrônica, com radares – consegue evitar o tráfego no local.

Avenida sem solução

O alargamento do corretor da T-8, que inclui a Avenida D, apesar de previsto no Plano Diretor de 2007, não está nos planos da Prefeitura. A lei define que o conjunto de vias deveria ter 36 metros de largura.

Na confluência dos Setores Marista e Oeste, onde há um boom de empreendimentos com o metro quadrado mais caro da cidade, a via tem aproximadamente 25 metros de caixa. É necessário desapropriar mais 11 metros, metade de cada lado. Por enquanto, apenas dois empreendimentos aprovados após 2007 têm esta previsão.

Um deles é o Residencial Botanic, edifício da construtora do presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi), Ilézio Inácio Ferreira. Na visão da Prefeitura, por enquanto, o terreno de 5,5 metros fica sob responsabilidade dele, embora já pertença ao município. O outro é no local que receberá um hotel e hospital, na mesma quadra onde futuramente Ilézio Ferreira pretende erguer um complexo empresarial (ele não dá maiores detalhes do empreendimento), onde hoje estão localizados o Mc Donald’s e o prédio do antigo Supermercado Marcos.

Ilézio afirma que sugeriu, em 2011, a Paulo Garcia, a edição de um decreto garantindo à Prefeitura o direito de perempção (prioridade para comprar) a faixa necessária para implantar o corredor. O decreto ainda não foi feito. Ele questiona ainda a aplicação dos recursos pagos em impostos e principalmente outorga onerosa, entre outros instrumentos que garantem e ampliam o direito de construir. “Somente no Botanic paguei R$ 1 milhão de outorga onerosa. “Por que a lentidão em aplicar?”, questiona.

O secretário de Desenvolvimento Urbano Sustentável afirma que os recursos estão sendo usados: “O projeto do BRT (Bus Rapid Transit, a sem implantado no Corredor Norte Sul) foi pago com recursos de outorga onerosa.” Como o Corredor T-8 não é prioridade, os recursos não serão aplicados ali.

Falta planejamento, dizem críticos

Hoje a voz majoritária entre técnicos relacionados à urbanização é favorável aos preceitos do Plano Diretor de 2007, que prevê o adensamento dos eixos de desenvolvimento, com foco no transporte coletivo. O problema, aponta a gerente técnica do Conselho de arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), Isabel Barêa, é a falta de planejamento. Ela tem palavras semelhantes às do deputado estadual Francisco Jr. (PSD), secretário municipal de Planejamento durante a elaboração do Plano Diretor: “O plano permite adensamento mas pede outras ações; tinha tempo para isso, mas a Prefeitura fica remediando em vez de resolver o problema.”

“No caso do adensamento da Avenida D, o problema consiste na mesma forma de atuar que a Prefeitura toma sempre: não existe planejamento de longo prazo para a cidade”, afirma Barêa. Francisco Jr. ressalta a demora em regulamentar o documento que rege a cidade: “Sete anos atrás se previu uma cidade e criou uma legislação. Daqui a pouco (em 2017) será preciso rever a legislação e ela não serve mais.”

Correndo atrás

“Em Goiânia, modificações ocorrem sempre em função das ações da iniciativa privada, que apresenta ambiciosamente suas propostas de intervenção e não encontra barreiras para a implementação de seus projetos”, critica Barêa. “Não existem estudos sobre os impactos que este adensamento pode causar nas redes de distribuição de água, coleta de esgoto, trânsito... Será que a Avenida D e as suas vias próximas

Fonte: Jornal O Popular