21 de janeiro de 2014

Mercado de imóveis dobra em Goiânia em cinco anos


Setor acompanha o crescimento brasileiro com aumento superior aos 100% no último quinquênio.

Um levantamento realizado por bancos centrais de 54 países de todo o mundo apontou que preço médio dos imóveis brasileiros subiu 121,6% nos últimos cinco anos, no período pós-crise de 2008. Goiânia experimentou crescimento parecido na mesma época e registrou alta de mais de 100%. Segundo os especialistas, o setor apresentou uma alta entre 20% e 30% ao ano. E para 2014, a expectativa é de um crescimento de 10%, o que não pode ser considerado uma desaceleração, pois a base de comparação é alta tendo em vista um mercado aquecido e uniforme no último quinquênio. De acordo com pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás (Creci-GO), de outubro de 2013, o metro quadrado dos condomínios verticais em Goiânia teve uma elevação de 72,25% nos últimos cinco anos. Em Aparecida de Goiânia, o aumento foi de 60,66%.

Segundo o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Ilezio Inácio Ferreira, Goiás experimentou um crescimento no setor imobiliário que variou entre 20% e 22% ao ano, nestes últimos cinco anos. “Houve praças como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo que tiveram altas espetaculares e que no final do ano passado sofreram recuo nos preços. Aqui em Goiânia, a valorização foi moderada e constante”, explica.

A expectativa de Ferreira é de que neste ano os preços dos imóveis tenham uma valorização, mas não na mesma proporção dos anos anteriores. Ele diz que a oferta de imóveis na cidade caiu no ano passado e isso vai influenciar nos valores. Em 2012, havia 13 mil unidades a venda em Goiânia, já em 2013 o volume caiu para dez mil unidades. Ele enumera como regiões que tiveram maior alta na capital são os setores Oeste, Marista, Bueno e Jardim Goiás, bairros onde foram construídos, e estão em construção, empreendimentos voltados para classe média e alta.

Além de Goiânia, Ferreira diz que Aparecida tem vivenciado um crescimento bastante significativo, assim como Senador Canedo, Trindade, o Entorno de Brasília e os municípios do Sudoeste goiano onde estão em construção empreendimentos muito bem-sucedidos. Na região metropolitana de Goiânia, composta por 19 municípios, o mais comum tem sido a construção de condomínios horizontais de casas já construídas e de condomínios de chácaras.

Mercado tem nichos a serem explorados

De acordo com o Ricardo Teixeira, diretor da URBS-RT, Goiânia sentiu menos a crise do mercado imobiliário internacional que as demais capitais brasileiras. Para ele, o crescimento previsto para 2014 é da ordem de 10%. O executivo explica que a indústria imobiliária atuou em nicho, condo-hotel, em empreendimentos comerciais em regiões não assistidas como em Aparecida de Goiânia, que experimenta um desenvolvimento imobiliário muito grande, principalmente na região próxima do Buriti Shopping. “Goiânia é um trevo imobiliário, cuja a parte logística tem sido explorada há muito pouco tempo. O que foi trabalhado tem apresentado resultados acima da média e ainda há muitos nichos no mercado imobiliário a serem explorados na cidade”, relatou. Ele aposta ainda no crescimento da renda, no fato da população ser bastante jovem e por apenas 6% da população goianiense morar em apartamentos.

Análise

Teixeira diz que, apesar de jovem, o mercado imobiliário goianiense é muito maduro e que nada é colocado em prática sem uma análise criteriosa. Questionado sobre um risco de bolha imobiliária, ele garante que esse perigo não existe, e cita como exemplo o ano passado em que as vendas foram maiores que o número de unidades vendidas foi maior que o de lançamentos. “O mercado está muito atento, além disso no Brasil, diferente do que ocorreu nos Estados Unidos, o acesso ao crédito não é facilitado e o dinheiro só é liberado para quem tem condições de honrar os compromissos”, ressaltou.

Fonte: Jornal O Hoje