7 de janeiro de 2014

Goiânia já registra 39 pontos de alagamentos


Bueiros entupidos por lixo e entulhos tornam a situação mais dramática. Defesa Civil alerta para cuidados. Prefeitura elabora projeto que propõe drenagem.

Ruas inundadas, carros debaixo da água e população em risco. As fortes chuvas que caem em Goiânia, que deveriam servir apenas de alento ao calor que predomina durante quase todo o ano, trazem também muita preocupação. Os alagamentos em inúmeros pontos da capital já fizeram até mesmo vítimas fatais. Segundo mapeamento realizado pela Defesa Civil Municipal 39 pontos da cidade ficam alagados durante as chuvas.

A cada ano, a sensação que se tem é de que os estragos se intensificam. As estatísticas da Defesa Civil comprovam o agravamento da situação. A média de ocorrência em dias normais, sem precipitações, é de 30 registros enquanto, por exemplo, durante as chuvas de dezembro foram 64 frentes de atuação, a maioria delas de alagamento.

De acordo com o coordenador técnico da Defesa Civil Municipal, Cidicley Santana, as inundações acontecem principalmente pela falta de educação ambiental dos cidadãos. “A carência de ações para impedir a impermeabilização é amplificada pela quantidade de lixo encontrado nas ruas e, consequentemente, nos bueiros e bocas-de-lobo”, destacou.

A rápida chuva que caiu na tarde de ontem em Goiânia conseguiu demonstrar o quanto a cidade necessita de mudanças com relação aos projetos de sistema de drenagem. Na Praça Cívica, a enxurrada que desceu das Avenidas 84 e Cora Coralina impediu que qualquer pedestre transitasse pelo local. O trânsito também ficou complicado. Cidicley Santana também afirmou que ontem, no trecho da Avenida T-1 com a Avenida T-8, o alagamento foi pior do que o esperado. O motivo seria a presença de vários sacos de lixo em um bueiro.

A Defesa Civil orienta a população a evitar o trânsito pelas ruas durante chuvas intensas. “Evite 100% trafegar em momentos de chuva intensa. Se já estiver na rua, pare em local seguro. Pode ser em um posto de combustível, por exemplo”, disse. “A pessoa pode achar que a chuva é rápida, mas pode ser pega de surpresa a apenas alguns quilômetros para frente do local seguro em que estava.” Vale lembrar que Goiânia não apresenta nenhuma área de inundação, mas apenas pontos de alagamento.

Prefeitura elabora projeto para drenagem

Para tentar impedir que os alagamentos se espalhem por toda a cidade, a Prefeitura de Goiânia prevê enviar para a Câmara Municipal de Vereadores, na próxima sexta-feira, o projeto de Lei Municipal de Drenagem. O projeto de lei é composto por 21 artigos baseados em cinco princípios. Segundo o diretor de planejamento e gestão sustentável da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Semdus), Sérgio Wierderherker, há dois anos a equipe trabalha na elaboração da minuta. “Especialistas em geologia e drenagem urbana atuaram para garantir aspectos técnicos da lei.”

No final de setembro, a equipe finalizou os trabalhos, mas o projeto só será enviado agora, pois houve a necessidade da compilação de dados e outros materiais. “Eram inúmeros documentos de diversas fontes.”

Caso a nova lei seja aprovada na íntegra, cada empreendimento ou pessoa ficará responsável pelo sistema de drenagem do imóvel. “Não interessa se é grande ou pequeno. Cada proprietário terá de se responsabilizar perante a sociedade na questão da drenagem. A população como um todo terá de enfrentar essa responsabilidade.” Normas, como, por exemplo, não pavimentar todo o quintal de casa, serão estabelecidas.

Áreas de inundação também serão previstas. Sérgio explica que elas podem ser construídas em várzeas ou nos vales da cidade. “Seria uma área de inundação temporária para que na hora que vier a enchente aquela área conseguir suportar a quantidade de água.” Todo novo projeto de loteamento também terá de seguir as novas exigências para que sejam aprovados. “A rede de drenagem passará a ser vista como um todo, um sistema.”

Fonte: Jornal O Hoje