26 de janeiro de 2014

Copa 2014: grupo contrário vai às ruas


Trânsito ficou complicado nas principais avenidas da região Central. Movimento também foi realizado em outras capitais.

Cerca de 100 pessoas, a maior parte delas estudantes, se reuniram no Setor Central na manhã de ontem para manifestar contra a realização da Copa do Mundo no Brasil, marcada para junho. A concentração começou por volta das 9 horas, em frente ao Teatro Goiânia, na Avenida Tocantins. O movimento foi marcado pelo Facebook e também estava agendado para acontecer em cidades como São Paulo (com 500 participantes no vão-livre do Masp, na avenida Paulista), Brasília, Porto Alegre, Curitiba e também em Vitória.

Portando faixas, bandeiras e acompanhado por um carro de som, o grupo ocupou o cruzamento das avenidas Tocantins e Anhanguera por volta das 10 horas. Oito viaturas da Polícia Militar acompanhavam a manifestação. Os manifestantes seguiram pela Avenida Tocantins, em direção à Praça Cívica. No caminho, distribuíram panfletos e picharam muros. Na Praça Cívica, em alguns momentos, o grupo fechou os dois anéis, impedindo a circulação de carros e ônibus. Apenas uma viatura socorrista do Corpo de Bombeiros foi liberada para passar.

Em frente ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira, um cordão de policiais protegia a entrada do prédio. No cruzamento das avenidas 82 e 84, os manifestantes colocaram fogo em pneus e em sacos de lixo que estavam nas imediações. Agentes da Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT) não estavam presentes no local. O fluxo de trânsito foi controlado pelo Batalhão de Trânsito do Detran. Após percorrerem a Praça Cívica, os manifestantes desceram a Avenida Goiás.

Durante o ato, o grupo cantava “Da Copa eu abro mão, quero dinheiro para saúde e educação”. Além do investimento de recursos públicos em grandes obras, os manifestantes alegam que o poder público utiliza a máquina estatal para favorecer grandes empreiteiras. Segundo eles, quem se manifestar durante a Copa do Mundo poderá ser enquadrado na lei antiterrorismo e ser condenado a até 30 anos de detenção.

O estudante João Marcos Aguiar, de 17 anos, é um dos organizadores da manifestação. Ele ressalta que o grupo não é contra o futebol, mas sim contra as mazelas que já aparecem no país com a realização deste evento esportivo. “A lei antiterrorismo é um atentado contra a democracia e contra a liberdade. Além disso, mais de 250 mil pessoas foram despejadas das regiões próximas à construção de locais ligados à Copa. A Copa não vai deixar um bom legado para o povo brasileiro, não é de interesse do povo, somente dos grandes empresários”, explica Marcos.

O estudante também afirma que, diante de serviços públicos precários, como na saúde e na educação, o dinheiro público deveria ser investido nessas áreas e não na Copa do Mundo. “Não podemos fechar os olhos para esses problemas. O jogo passa, é só um momento de alegria”, destaca o estudante.

A Copa, dizem, é um evento voltado para as elites e para as classes dominantes e que os trabalhadores e pais de família jamais terão acesso aos eventos. No ato de ontem, eles aproveitaram para manifestar contra a atuação da Polícia Militar que, de acordo com o grupo, é truculenta, e contra a mídia, chamada de “fascista”.

Fonte: Jornal O Hoje