7 de janeiro de 2014

Concessões Anápolis: vitrine da privatização


Município reúne um porto seco, duas rodovias e duas ferrovias, que passaram ou passarão à iniciativa privada.

Anápolis - As concessões em infraestrutura do governo federal têm uma vitrine plantada no centro do País. A 50 quilômetros de Goiânia e 150 de Brasília, o município de Anápolis reúne, em um mesmo local, um porto seco, duas rodovias federais e duas ferrovias - uma delas, a Norte-Sul, em fase final de construção. Também avançam as obras de pavimentação de um aeroporto de cargas, empreendimento do governo estadual. Tudo é ou será concedido à iniciativa privada, o que transforma a cidade numa “Concessionápolis”.

Esses aspectos da economia de Anápolis são mostrados em reportagem especial distribuída ontem pela Agência Estado, que enviou uma equipe jornalística à cidade. O texto acrescenta ainda uma abordagem sobre os avanços da economia de todo o Estado.

De acordo com a reportagem, todos esses empreendimentos de Anápolis estão interligados, em meio a um crescente distrito industrial que reúne um polo farmoquímico, esmagadoras de grãos, fábricas de fertilizantes e até uma montadora, a coreana Hyundai. A paisagem que se vê trafegando pela rodovia é similar a das áreas mais dinâmicas do interior paulista.

“Anápolis é o principal centro de distribuição de carga do País e talvez o distrito industrial que mais evoluiu”, disse o diretor de Operações da Valec, Bento José de Lima. A empresa, que é uma estatal federal, é a responsável pela construção da Norte-Sul.

A conclusão das obras da ferrovia, prevista para junho de 2014, consolidará Anápolis como uma inédita referência logística bem no centro do País. “Isso é o sonho de consumo de uma nação que quer o desenvolvimento”, entusiasma-se o diretor-superintendente do Porto Seco Centro-Oeste, Edson Tavares. “Vai ser uma mudança drástica em toda a região”, prevê o prefeito da cidade, Antônio Gomide (PT).

MEIO DO CAMINHO

O trecho da Norte-Sul, que está para ser inaugurado, tem 855 quilômetros e vai ligar o interior goiano a Palmas, no Tocantins. Lá, a ferrovia já está operante e segue rumo ao Norte, até Açailândia (MA), onde se entronca com a Estrada de Ferro Carajás e segue para o porto de Itaqui, próximo a São Luís.

Com a chegada da Norte-Sul, a produção de eletroeletrônicos da Zona Franca de Manaus poderá chegar de trem a Anápolis, de onde será distribuída para todo o País. Hoje, esses produtos saem da Amazônia de barcaça e depois seguem de caminhão até o Sudeste, onde estão os centros de distribuição das redes de varejo. E, de lá, voltam para o Centro-Oeste ou seguem para o Nordeste.

“Isso é logística burra”, afirma Tavares. Mais inteligente, acredita ele, seria trazer os produtos para Anápolis, que está no meio do caminho de tudo e tem uma rede de rodovias e ferrovias. “Num raio de mil quilômetros daqui estão 75% da população economicamente ativa do País”, explica.

A ferrovia também servirá para levar a produção agrícola do entorno de Anápolis a Itaqui, no Maranhão.

Economia goiana cresce acima da média nacional

Anápolis - Com a indústria e o agronegócio, a economia goiana tem crescido acima da média do Brasil, conforme mostra a reportagem da Agência Estado. A estimativa para 2013 é de uma expansão de 3%, acima da faixa de 1,5% a 2,5% da economia nacional, segundo estimativas de mercado. “Temos sido ousados”, afirmou o então secretário de gestão e planejamento do Estado, Giuseppe Vecci.

Quando concluído, esse trecho da Norte-Sul até Anápolis será concedido à iniciativa privada. A ferrovia será um teste para o novo modelo de exploração de ferrovias do governo federal, no qual a Valec comprará 100% da capacidade de transporte da linha e a revenderá a quem tiver carga. O concessionário vai cuidar da manutenção e da operação.

Com entroncamento no município de Anápolis, já estão concedidos o trecho da BR-060 até Brasília e outro da BR-153, em direção ao Sul, que passa por Goiânia e segue até a divisa de Minas Gerais com São Paulo. O pedaço da BR-153 que segue rumo ao Norte até Palmas (TO) será leiloado também este ano.

O porto seco é uma concessão federal, assim como a malha da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que já funciona como uma ligação do distrito industrial de Anápolis com o porto de Tubarão (ES). A Norte-Sul será conectada à FCA, que em função disso vem recebendo investimentos para melhorar a operação. A linha é da década de 1930 e a baixa velocidade impede seu uso mais intensivo.

O aeroporto de cargas, igualmente previsto para junho, será concedido pelo governo do Estado. A obra, que é o item número um de uma versão local do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) federal, já deveria estar pronta.

Porém, sofreu atrasos por causa do terreno, que exigiu drenagem e reforços adicionais.

Fonte: Jornal O Popular