24 de janeiro de 2014

Apesar da pressão popular, nada muda no transporte


Diante do problema, prefeito diz, pelo Twitter, que está atento e que dará resposta positiva a usuários

O caótico transporte público de Goiânia e região metropolitana continua gerando revolta nos usuários que, ontem, mais uma vez, demonstraram sua indignação. Os frequentes atrasos na linha 019 (Terminal Cruzeiro – Terminal Praça da Bíblia) foi o principal motivo para que os passageiros bloqueassem o acesso ao Terminal Praça da Bíblia. Revoltados, em uma tentativa desesperada de garantir mudanças, os usuários do transporte também já quebraram inúmeros ônibus durante outros movimentos que aconteceram esse mês.

Mas, desde que as manifestações populares ganharam as ruas da capital, no segundo semestre do ano passado, nenhuma mudança palpável e efetiva foi notada na qualidade do serviço de transporte público. O Fórum de Mobilidade Urbana da Região Metropolitana de Goiânia chegou a sugerir ações que poderiam ser adotadas pelo poder público para amenizar os principais problemas encontrados no transporte. No entanto, nada ainda foi acatado.

Segundo a arquiteta, doutora em transportes e colaboradora técnica do Fórum de Mobilidade, Érika Cristine Kneib, o poder público é o responsável pelo serviço, “mas o que observamos é que existe um jogo de ‘empurra empurra’ entre Estado e Município”, acredita. Ela também ressaltou que, infelizmente, a questão política está superando a questão técnica necessária para garantir um transporte público de qualidade.

No documento enviado ao poder público, ainda em 2013, o fórum sugeriu três proposições técnicas, a primeira delas foi o custeio social dos benefícios e gratuidades, que se baseia na extinção do subsídio tarifário cruzado, a partir do custeio social integral das viagens dos beneficiários de gratuidades e meia tarifa. Isso significaria em modificar o modelo atual de remuneração, no qual a tarifa é o único instrumento de custeio do serviço.

A segunda preposição seria a implantação de infraestrutura adequada para favorecer a competitividade do transporte público coletivo. Isso, segundo Érika, seria basicamente investir nos espaços destinados aos ônibus, reestruturar os pontos de parada e garantir segurança nesses locais. “Hoje tem apenas dois corredores preferenciais (Corredor Universitário e Avenida T-63), enquanto o necessário seria pelo menos 150 quilômetros.”

Ela também destacou que o corredor preferencial instalado na Avenida T-63 está incompleto, pois ainda não há fiscalização eletrônica. “Já observei muitos motoristas invadindo o espaço do transporte coletivo sem necessidade.” A terceira e última sugestão é referente à criação de um fundo metropolitano de mobilidade urbana voltado à melhoria da qualidade de serviço de transporte público coletivo.
A especialista explica que as três ações enviadas, se iniciadas esse mês, até o final do ano já poderia trazer resultados. “Uma coisa vai puxando a outra. Não adianta pensar em só colocar mais ônibus pra circular se não há espaço para que isso aconteça”, disse.

Fonte: Jornal O Hoje