13 de dezembro de 2013

Tempo: Estragos da chuva complicam trânsito na manhã desta sexta


O Corpo de Bombeiros atendeu a mais de 17 ocorrências de estragos ocasionados pela chuva da noite dessa quinta-feira (12) em Goiânia e Aparecida. Foram registradas ocorrências de seis carros arrastados pela enxuradda e mais de 11 casas alagadas.

Nas proximidades do Córrego Cascavél, a ponte da Avenida T-2, no Jardim América, foi encoberta e precisou ser inderditada, congestionando o trânsito na manhã desta sexta (13). Devido à força da água, as muretas de proteção da pista e o asfalto foram arrancados. Em outro ponto às margens do córrego, no Setor Sol Nascente, foram encontrados dois veículos vazios.

Várias árvores também caíram durante esta noite. No Bairro Santo Antônio e Setor Sul árvores caíram sobre carros. No Setor Pedro Ludovico uma árvore caiu sobre uma residência e outra caiu na via pública no Jardim da Luz.

Bombeiros encontram um dos corpos levados pela enxurrada

O corpo do motociclista Ediarlei Ramos de 43 anos foi encontrado, na manhã desta sexta-feira (13), pelo Corpo de Bombeiros no Córrego Botafogo, em Goiânia. Ele e a esposa Luz Marina Vargas Moreno, de 35, foram levados pela enxurrada quando estavam na Viela Nonato Mota, no Setor Pedro Ludovico.

O corpo, que estava a cerca de três quilômetros do local do desaparecimento, foi reconhecido por familiares e amigos. Já a moto foi encontrada a cerca de dois quilômetros do local do acidente. Os bombeiros continuam as buscas pela esposa.

Segundo um amigo da família, o casal saiu de casa por volta das 19 horas para fazer compras e deixou os filhos menores com a avó. O acidente aconteceu a cerca de 600 metros da casa das vítimas.

Estragos em toda a cidade

Tempestade que caiu ontem ficou concentrada no início da noite, mas foi suficiente para vários transtornos

A chuva que caiu na capital e Aparecida de Goiânia na noite de ontem alagou ruas e casas, derrubou árvores, invadiu estacionamentos subterrâneos e auditórios, deixou semáforos desligados, arrastou carros, provocou acidentes de trânsito, interrompeu o fornecimento de energia elétrica e televisão à cabo e até cancelou festa. O Corpo de Bombeiros atendeu 16 ocorrências de alagamentos em residências e estabelecimentos comerciais, onde havia pessoas dentro. Não houve registro de vítima grave.

As primeiras ocorrências foram registradas em Aparecida de Goiânia, no setores Expansul, dos Afonsos e Jardim da Luz por volta das 19h30. Próximo ao Polo Industrial os bombeiros socorreram duas crianças e um adulto que estavam em um carro que ficou ilhado desgovernado na BR-153.

Uma pessoa ficou presa dentro de um carro em decorrência da enxurrada na Rua Jundiaí, no Setor dos Afonsos. E outras duas ficaram presas em um automóvel na Avenida Rio Verde, no Bairro Cardoso, em Aparecida de Goiânia. Três pessoas subiram em cima de um carro para escapar da enxurrada na Marginal Cascavel, no Setor Campinas.

Os bombeiros também atuaram em três buscas e salvamentos que envolviam quedas de árvores na Rua 103, no Setor Sul, e na Avenida do Líbano, no Setor Santo Antônio, e na Rua Jerusalém, Setor Pedro Ludovico, todos na capital. A Avenida 85 ficou com o trânsito travado por conta da chuva. O viaduto da Praça do Ratinho ficou completamente alagado, com carros presos no meio do volume de água e pessoas ilhadas nos pontos de ônibus.

Chefe do setor de comunicação social dos bombeiros, o tenente coronel Leonardo Rodrigues de Afonseca afirmou que houve vários chamados para atendimentos de acidentes de trânsito. A corporação atendia seis dos mais graves por volta das 20h30 de ontem, incluindo um capotamento. O militar ressaltou que tinham outros pontos de alagamento mas que não cabia aos bombeiros dar asistência.

Na internet várias fotografias ajudaram a dimensionar o tamanho do estrago. Um prédio na Avenida T-63, no Setor Bueno, teve o estacionamento subterrâneo alagado. Na República do Líbano, no Setor Aeroporto, a água chegou até a altura do joelho. A chuva arrastou o jardim lateral do viaduto da Avenida Araguaia, mas uma equipe da Prefeitura de Goiânia limpou a terra arrastada para a via ainda ontem à noite.

Motociclistas sofreram para atravessar as Avenida T-10 e T-9, no Setor Bueno. O lago do Parque Vaca Brava transbordou e pelo menos dois motociclistas caíram enquanto tentavam atravessar o local empoçado. Nas proximidades do Clube Oásis a água cobriu os pneus dos carros.

Uma árvore caiu na Praça Cívica em frente ao Palácio Pedro Ludovico interrompendo a circulação de veículos no anel interno. O temporal alagou o Centro Médico da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), na Vila Aurora.

O auditório da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) ficou completamente alagado. A água cobriu o palco, onde ontem seria entregue o Prêmio de Jornalismo – Faeg. A assessoria de comunicação da Faeg informou que todos os equipamentos de áudio e vídeo estragaram, assim como a decoração e a comida. O evento foi cancelado e ainda não há previsão de quando e onde ele será realizado.

Chuva vai continuar nos próximos dias

Entre 19 horas e 20 horas de ontem choveu 33.8 milímetros - 82% mais que o pico registrado na quarta-feira, quando a precipitação que está sobre Goiânia chegou. A chuva que assustou o goianiense e provocou estragos na noite de ontem vai continuar pelos próximos dois a três dias. A previsão é da coordenadora do Sistema de Meteorologia e Hidrologia do Estado de Goiás (Simehgo), Rosidalva Lopes.

O acúmulo de precipitação em dezembro estava, até às 20 horas de ontem - enquanto a água ainda caía -, em 275.20 milímetros. A média esperada para o mês inteiro é entre 250 e 300 milímetros. “Nas próximas horas e dias teremos problemas sérios”, avalia Rosidalva Lopes. Ela explica que a formação começou na quarta-feira e deve continuar até o final de semana.

“O fenômeno atuante é a zona de convergência do Atlâtico Sul, típico do verão. Houve alinhamento entre a umidade que vem da Amazônia e está consequentemente se desviando para o Oceano Atlantico.” A coordenadora do Simehgo diz que nas regiões Sul e Sudeste também houve muita chuva.
A concentração da água na capital acontece devido ao bolsão de calor, provocado pelo excesso de áreas impermeabilizadas e emissão de gases. “A característica desta chuva é cair sempre no final de tarde para inicio de noite ou da madrugada até 8 a 10 horas da manhã. A chuva típica de verão é assim”, explica meteorologista.

Ela ressalta que, por ainda estarmos na primavera, os modelos de previsão meteorológica são falhos. “Estamos na primavera, por isso muitas vezes os modelos dão muita falha ainda, porque a transição é muito confusa.” Ainda assim, afirma Rosidalva Lopes, os temporais destes dias estavam previstos.
A coordenadora afirma que, apesar de estar chovendo muito no Centro-Sul do Estado, na região Norte, que concentra as hidrelétricas, a precipitação continua abaixo da média.

Fonte: Jornal O Popular