3 de dezembro de 2013

Marconi x Iris A batalha das obras

Eleições de 2014 devem ser decididas por diversos fatores, mas as obras ganham destaque na agenda dos pré-candidatos.

A disputa em 2014 ao governo de Goiás poderá ser feita com uma fita métrica. É que os dois principais nomes cogitados para as eleições majoritárias são políticos experientes e com larga capacidade administrativa. Marconi Perillo (PSDB) e Iris Rezende (PMDB) foram os gestores que mais fizeram obras no Estado.

Apesar de ambos negarem interesse na disputa, os demais pré-candidatos são infinitamente inferiores no quesito mais importante para parcela significativa do eleitorado: a comprovação da competência administrativa.

Uma das características da criação de uma boa imagem política, que influencia a opinião pública, reside na capacidade de concentrar ações visíveis. O tempo dá ao político um currículo. E este pesa no final das contas.

É verdade que não basta apenas se concentrar nas questões físicas. Tirar do papel efetivamente direitos sociais pode render votos, caso do programa Renda Cidadã criado pelo governador Marconi Perillo e que inspirou o Bolsa Família, hoje a principal trincheira eleitoral da presidenta Dilma Rousseff (PT).

No terreno das obras, contudo, nenhum pré-candidato tem o mesmo portfólio de Iris e Marconi. A maioria das obras está visível: são estações de tratamento de esgoto, pavimentação de rodovias, eletrificação, edifícios públicos. Nos investimentos sociais e humanos, existe um leve predomínio de Marconi Perillo, que criou programas como Bolsa Universitária e investiu na realização de concursos públicos, aprimorando a gestão.

Mas nas obras, conforme se percebe, existe uma disputa centímetro a centímetro que revela a aptidão gerencial de cada um. Cabe ao leitor interpretar quem fez mais quando esteve à frente do Poder Executivo.

Iris lidera em pavimentação

O ex-governador Iris Rezende afirma ao Diário da Manhã que um dos trunfos de suas duas gestões foi o investimento em pavimentação. Ele diz que no total fez 7,8 mil quilômetros de asfalto. Jayme Rincón, presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), contesta: “Ele fez, em Goiás, 4.294km. Pode ser que fez em outros Estados... E nós vamos alcançar e ultrapassar isso.”

O presidente da Agetop também critica a qualidade do asfalto feito nas gestões de Iris Rezende, durante as décadas de 1980 e 1990. “Era um asfalto horrível, de péssima qualidade, que acabamos tendo a necessidade de refazer”, diz.

“Quando assumi a primeira coisa que fizemos foram estradas. Para que o Estado pudesse expandir, crescer, precisamos, então, de fazer isto. Partimos para a construção de estradas em todo Estado. Fizemos 4 mil quilômetros e depois fizemos mais 3 mil”, afirma o ex-governador, que aponta a pavimentação como um dos propulsores da industrialização de Goiás.

Em contrapartida, conforme o responsável pela Agetop, o governador Marconi fez 3.686 quilômetros, o que ainda seria menos do que os 4.294km de Iris. Entretanto ele chama a atenção: “Mas nós ainda não terminamos a gestão e reformamos inúmeras rodovias, sem contar as duplicações.”

Rincón afirma que as obras da atualidade são diferentes daquelas realizadas no passado, pois exigem mais conjunto de ações.  Ele cita alguns exemplos, como a duplicação, iluminação, construção de ciclovia e urbanização da GO-020, no entroncamento da BR-153. “Você vê e percebe a diferença imediatamente”, diz.

Marconi tem vantagem em saneamento básico

Além de pavimentação, o ex-governador Iris Rezende afirma que investiu em educação, eletrificação rural e em hidroelétricas, caso da unidade instalada em  São Domingos.

Em educação, Iris afirma que também foi propositivo, inclusive ironizando o atual governo. “Dizem que criaram a UEG. Mas é bom lembrar que fomos nós os criadores da Universidade Estadual de Anápolis. Só em Anápolis criamos 11 cursos. Antes, todo o Estado tinha dois.”

Jayme Rincón diz que o governador Marconi Perillo investiu significativamente em tratamento de água e saneamento. “Além da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), fizemos trinta ETEs em todo Estado. É até difícil de comparar.”

Iris ressalta que fez inúmeras obras dentro da Capital, caso do Centro de Convenções de Goiânia, o Palácio da Justiça (atual Fórum), a nova Rodoviária de Goiânia e inúmeras escolas.

Jayme Rincón questiona a gestão peemedebista em algumas áreas que considera estratégicas e fundamentais e diz que recebeu uma carcaça de “Estado”. “Mesmo com todas as facilidades do passado, sem o controle que existe hoje nas licitações, o ex-prefeito não construiu nenhum hospital. O Marconi está fazendo o Hugo 2, mais cinco Credeqs, construiu o Hospital de Anápolis e inaugurou o Crer – que é referência no Brasil. Fez então seguramente mil vezes mais do que o ex-governador Iris nessa área.”

Dois governadores juntos fizeram mais do que quase todos os outros

As três gestões de Marconi Perillo e duas de Iris Rezende entram para a história das obras públicas. Talvez apenas Pedro Ludovivo possa ser incluído em uma disputa direta, pois levantou uma cidade inteira.

Mas nenhum outro fez mais do que os dois políticos. Mauro Borges, no início da década de 1960, investiu no aparelhamento do Estado. Ou seja, suas intervenções tornaram a administração pública mais efetiva, com novos órgãos e uma central de planejamento. Em sua gestão ocorreu a ampliação da Celg, que se tornou a maior empresa de Goiás. Seu sonho de investimento em estradas de ferro, entretanto, perdeu fôlego.

Os gestores posteriores, todos ligados ao regime militar, realizaram pouco, com destaque para Leonino Caiado e Irapuan Costa Jr. O primeiro é lembrado por obras de entretenimento, não obrigatórias ao Estado, caso do Estádio Serra Dourada e Autódromo de Goiânia. Já Irapuan Costa Jr. desenvolveu o Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) e traçou a Avenida Anhanguera, organizando o transporte metropolitano.

Ary Valadão, o último governador indicado pelo regime militar, não deixou obras significativas para o Estado de Goiás que se separou do Tocantins. Investiu, todavia, em projetos para o norte, quando ainda era território goiano, como o Rio Formoso, maior área de cultivo irrigado do mundo.

Outra ação de Ary Valadão é o Colégio Hugo de Carvalho Ramos, atualmente sob coordenação da Polícia Militar. É uma das principais escolas estaduais nas médias do Enem.

Fonte: DM