14 de dezembro de 2013

Goiás lidera ranking de financiamento de veículos


De janeiro a outubro deste ano foram financiadas no Estado 158.594 unidades, 36,8% do total da região

Goiás liderou o ranking de financiamentos de veículos na Região Centro-Oeste no período de janeiro a outubro deste ano, mesmo com a restrição de crédito das financeiras por por causa de inadimplência.

Foram financiados 198.594 carros no Estado, o que corresponde a 36,8% de todos os veículos vendidos no Centro-Oeste nessa modalidade de negociação. Os dados são da Cetip, empresa de monitoramento e confirmação de garantias.nessa modalidade de negociação. Os dados são da Cetip, empresa de monitoramento e confirmação de garantias.

De janeiro e outubro foram emplacados em Goiás, 101.822 automóveis, dos quais 53.389 foram financiados (47%). Esse porcentual está aquém do registrado nos últimos dois anos. Em 2011 e 2012, 69% e 68,3%, respectivamente, saíram das concessionárias com essa forma de negociação.

Representantes do setor reconhecem que a aprovação do crédito está mais difícil este ano. Para eles, a junção da elevação do porcentual da taxa de entrada (entre 20% e 30%) exigidos pelos bancos, além de parcelamentos mais curtos (48 vezes), emperram as liberações de crédito.

FORMAS

Segundo o gerente comercial da Pinauto, Romildo de Paula, a saída de alguns consumidores foi migrar para outras formas de negociação. Com prazos mais longos e valores das parcelas mais baixos, os consórcios têm sido uma solução. “Em média, o nosso consórcio cresceu 15% este ano.” A lógica está na diluição dos valores. O consórcio pode atingir até 80 parcelas, 22 parcelas a mais que a maioria dos financiamentos oferecidos pelos bancos.

Diante da restrição das instituições financeiras, as montadoras estão liberando recursos para financiamento de veículos. Segundo dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), em outubro, foram R$ 10 bilhões, resultado 11,4% superior a setembro.

Em outubro, os bancos das montadoras cobraram uma taxa média mensal de juros de 1,25% ao mês, 0,2 pontos porcentuais abaixo da efetivada em setembro. Enquanto isso, a média das taxas de financiamento de veículos é de 1,57% ao mês.

Segundo o presidente da Anef, Décio Carbonari de Almeida, a tendência de baixa nas taxas de juros cobradas pelos bancos das montadoras confirma uma postura mais agressiva incentivada pelos próprios fabricantes. “As promoções de taxas zero são um bom exemplo desta política. As montadoras subsidiam taxas menores ou até mesmo a taxa zero, tornando o financiamento mais atraente.”

A gerente comercial da Katan Nissan, Samanta Paula Pinto, não vê crescimento da procura de consórcio, tampouco de financiamento por parte dos bancos das montadoras. “Isso é reflexo do endividamento. As restrições partiram direto do Banco Central.”

CARROS USADOS

Em Goiás, 63.373 carros usados foram financiados de janeiro a outubro. Quase 10 mil a mais que a quantidade de automóveis novos.

Embora a depreciação do veículo seja mais acelerada e muitos bancos só financiem carros com no máximo cinco anos de uso, essa é uma alternativa para os consumidores. Isso porque o valor do financiamento é menor.

Adiar itens de segurança é retrocesso, diz entidade

A discussão no governo sobre o adiamento da exigência de inclusão de freios ABS e air bags em 100% dos veículos fabricados no País a partir de 2014 — motivada pela preocupação com a inflação e pela pressão de montadoras e sindicatos às vésperas de um ano eleitoral — foi interpretada por especialistas como um retrocesso à segurança dos motoristas brasileiros.

Acidentes de trânsito matam mais de 50 mil pessoas por ano e deixam mais de 400 mil com sequelas, destaca José Aurélio Ramalho, diretor-presidente da ONG Observatório Nacional de Segurança Viária. O Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) estima que o uso do ABS e do airbag pode reduzir em 29% o risco de lesão grave ou morte. Cerca de 70% dos carros são vendidos com o equipamento.

Paulo Arthur Góes, diretor-executivo do Procon de São Paulo, lembra que os carros brasileiros têm apresentado repetidamente as piores notas em testes de impacto: “É um absurdo. As eleições não podem estar acima da segurança dos cidadãos.

Fonte: Jornal O Popular