6 de dezembro de 2013

Goiânia terá contorno para desafogar BR – 153


Três rodovias que cortam Goiás vão pagar pedágio a partir de outubro de 2015. Tarifa será de R$ 2,85 para cada 100 quilômetros

O anúncio da concessão das rodovias federais que cortam Goiás traz também a notícia da construção do contorno da capital. A obra do desvio poderá minimizar o tráfego de caminhões no perímetro urbano de Goiânia, o que é um anseio antigo dos motoristas. Com tarifa de R$ 2,85 por cada 100 quilômetros, a Companhia Triunfo Participações e Investimentos S.A. (TPIS3) venceu ontem a licitação para implantação de pedágio em três rodovias federais: BR-060, BR-153 e BR-262. Duas vias (153 e 060) cortam 15 cidades em Goiás e deverão receber melhorias até a data para início da cobrança do pedágio, que está marcada para outubro de 2015.

A empresa que ganhou a concessão atuará por 30 anos. Até o final da concessão, também deverão ser implantadas em todo o trecho goiano outras 16 interseções, seis passarelas, duas melhorias em acesso, além de seis quilômetros de vias marginais. O contorno de 30 quilômetros em Goiânia poderá resolver o problema enfrentado diariamente pelos motoristas na BR-153, durante os horários de pico. Com a BR-153 contornando a cidade, o tráfego de caminhões poderá ser transferido para essa nova via. O valor estimado desse contorno é de R$ 151,4 milhões.

Um projeto para construção do contorno vem sendo elaborado pelo Dnit desde 1998, mas de acordo com a empresa vencedora, não é certo que os projetos serão aproveitados. O trecho chamado informalmente de Desvio da BR-153 deverá começar em Aparecida de Goiânia e vai até as proximidades do posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na saída para Anápolis. Pelo traçado do Dnit, o traçado passaria atrás do Jardim Mariliza e do Autódromo Internacional de Goiânia. O Dnit não se pronunciou sobre o assunto, mas a assessoria confirmou que os documentos do projeto já foram repassados ao Ministério dos Transportes.

A TPI venceu a licitação após apresentar preço 52% menor do que o teto definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que foi de R$ 5,94. Além de realizar obras, a vencedora deverá investir na recuperação, manutenção e conservação da rodovia em todo o trecho concedido, além de oferecer diversos serviços aos usuários e implantar terceiras faixas em pista duplicada quando o volume de tráfego exigir. Ao todo, as três rodovias têm 1.176,5 km. Desses, 630,2 km são das BRs 060 e 153 e os outros 546,3 são da BR-262, em Minas Gerais.

Ministro dos Transportes, César Borges comemorou o desempenho do programa de concessões. Ele destacou que os deságios têm alcançado o nível da modicidade tarifária, que é um dos objetivos do governo. “O governo está feliz com o andamento. Nós vamos continuar nessa linha de procurar fazer com que os projetos sejam atrativos.” A concessão vai gerar para a Triunfo investimentos na ordem de R$ 7, 15 bilhões ao longo de 30 anos. Esse é o terceiro leilão de rodovias do Programa de Investimentos em Logística (PIL), do governo federal.

Concessionárias terão que fazer reparos

A Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) informou que até o quinto ano do contrato de concessão, a concessionária deverá efetuar intervenções estruturais no pavimento e melhorias funcionais e operacionais nos demais elementos da rodovia. Trata-se de reparos no pavimento e acostamento, adequação da sinalização, recuperação dos elementos de segurança, recuperação emergencial de pontes, viadutos e drenagem, implantação dos Serviços de Apoio ao Usuário – SAU, tratamento da faixa de domínio, cadastro de todos os elementos da rodovia e realização de estudos de acidentes até o final do contrato.

Os investimentos em conservação serão traduzidos em intervenções físicas programadas para recompor e aprimorar as características técnicas e operacionais da rodovia. A manutenção será feita com operações rotineiras e de emergência que têm o objetivo de preservar as características técnicas e físico-operacionais da rodovia.

Até o final deste ano ano, serão leiloados mais dois lotes de concessão: BR-163/MS e BR-040/DF/GO/MG; totalizando 4.248 quilômetros concedidos em 2013. Isso representa aumento de 81% na malha federal de rodovias transferida à iniciativa privada. O contrato de concessão do primeiro lote leiloado, da BR-050/GO/MG, será assinado hoje e as obras já podem ser iniciadas. Do lote leiloado, ontem, os contratos serão assinados em 27 de janeiro, permitindo, a partir dessa data, as intervenções em solo goiano.

Empresa

A Triunfo Participações e Investimentos S/A (TPIS3) foi uma das primeiras empresas a assumir a concessão de uma rodovia no país, em 1995. Atualmente, administra três concessionárias que somam 642 quilômetros, por onde passam cerca de 80 milhões de veículos por ano no Sul e no Sudeste do Brasil, por meio das concessionárias Concepa, Concer e Econorte. A empresa possui participação de 50% na Portonave, que opera o Terminal Portuário de Navegantes, em Santa Catarina e também controla a Rio Verde Energia, concessionária da UHE Salto, em Goiás, e a Rio Canoas Energia, concessionária da UHE Garibaldi – que opera em Santa Catarina, entre as cidades de Abdon Batista e Cerro Negro.

Fonte: Jornal O Hoje
Foto: André Saddi