1 de novembro de 2013

Vila Cultural: De portas abertas





Quase dez anos depois de ser idealizado, centro cultural é inaugurado, mesmo com espaços ainda incompletos.

Nove anos depois de sua idealização, em 2004, quando foi tema de campanha eleitoral – e seguiu como promessa até o último pleito –, a Vila Cultural de Goiânia foi inaugurada na manhã de ontem. Batizado com o nome da poetisa Cora Coralina, o espaço foi construído como anexo ao Teatro Goiânia, na área entre os cruzamentos das Avenidas Anhanguera e Tocantins e das Ruas 3 e 23, e foi apresentado pelo governador Marconi Perillo como uma dentre várias ações que deverão revitalizar a região central de Goiânia, projeto que também se arrasta por vários anos.

O complexo, que tem a proposta de intensificar as possibilidades culturais da capital com a promoção de exposições artísticas e também funcionar como espaço de convivência e lazer, é formado por espaços como a Sala Multimídia João Bennio, com capacidade para 50 pessoas, e o Espaço Sebrae de Artesanato. Este último, conforme declarou o governador durante seu discurso de inauguração, receberá o nome do ex-deputado estadual Sebastião Augusto Barbosa Filho, morto no último dia 19, pai do também ex-deputado Barbosa Neto, que foi quem idealizou o projeto quando ainda estava à frente da então Agência Goiana de Turismo (Agetur), hoje Goiás Turismo.

A Sala de Exposições Antônio Poteiro foi aberta com a mostra Art Déco, coordenada pelo professor Wolney Unes, e que, ao longo de seis meses, vai apresentar imagens inéditas da arquitetura em todo o País. O acervo faz parte do material levantado pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade Federal de Goiás (UFG), em uma pesquisa que vem sendo realizada há mais de 15 anos, ao qual serão somados textos e ilustrações a respeito do estilo. Já o Café e a Praça Belkiss Spenciere, que deverá funcionar como um centro de convivência ao lado do teatro, ainda não foram finalizados.

INACABADOS

Também não foram concluídos a biblioteca e o primeiro museu dedicado ao estilo art déco no Brasil. O espaço projetado para eles está sendo ocupado pela exposição multimídia Goiânia 80 Anos, que destaca os costumes da capital a partir de sua arquitetura, história, povo, gastronomia, cultura e natureza, por meio de instalações interativas, projeção de vídeos e apresentação de artesanato. As instalações ficarão montadas por oito meses, período depois do qual o espaço deverá abrigar suas funções originais.

A exposição é coordenada por Maria Clara Rodrigues e produzida por Nei Caramês, da empresa carioca 32Bits, responsável pela exposição inaugural do Museu de Arte do Rio (MAR). “O convite veio depois que a Sandra Méndez (diretora de Infraestrutura e Operações Turísticas da Goiás Turismo e gestora temporária do espaço) fez uma visita ao MAR e conheceu nosso trabalho”, conta Caramês, que esteve presente na inauguração.

“Foi um trabalho conjunto que contou com a ajuda de pesquisadores locais, coordenados pelo Wolney Unes, e que poderá gerar frutos, já que há canais para que os visitantes gravem depoimentos e deixem mensagens através dos totens interativos”, observou.

SOLENIDADE

Diversas personalidades políticas e representantes de entidades culturais subiram ao palanque ao lado do governador Marconi Perillo durante a inauguração da Vila Cultural. A senadora Lúcia Vânia anunciou uma emenda parlamentar de R$ 3,5 milhões para a construção da Casa do Turismo, a ser erguida nas antigas instalações da Central de Medicamentos de Alto Custo Juarez Barbosa.

“Nomear a Vila Cultural de Cora Coralina é uma homenagem mais do que justa para esta poetisa que transcendeu Goiás para Brasil e para o mundo”, declarou Marconi Perillo. “Esta inauguração no mês do octogésimo aniversário de Goiânia é uma contribuição para a revitalização do centro histórico da capital, neste triângulo arquitetônico que vai da Praça Cívica à Rua 3. Além disso, este espaço irá agregar muito valor ao Teatro Goiânia, que já recebeu as maiores personalidades artísticas do País”, emendou o governador.

O novo centro cultural

Inaugurada ontem, a Vila Cultural é formada por vários espaços, mas nem todos eles foram concluídos.
Confira o que está pronto e o que falta ser finalizado:

■ O que está pronto:

– Sala Multimídia João Bennio (com capacidade para 50 pessoas)
– Espaço Sebrae de Artesanato
– Sala de Exposições Antônio Poteiro (foi inaugurada com a mostra Art Déco)

■ O que ainda não está pronto:

– Café e a Praça Belkiss Spenciere (devem funcionar como um centro de convivência ao lado do teatro )
– Biblioteca
– Museu de art déco

* O espaço projetado para a biblioteca e o museu de art déco está sendo ocupado pela exposição multimídia Goiânia 80 Anos, que ficará em cartaz por oito meses

Cronologia

2004 – A Vila Cultural é tema de campanha eleitoral. Projeto é apresentado
Fevereiro/2008 – Projeto é lançado efetivamente
Abril/2008 – Início das desapropriações
Fevereiro/2009 – Liberação de parte dos recursos
Agosto/2009 – Início das demolições dos imóveis
Julho/2011 – Relançamento do projeto e início da construção
Julho/2012 – Primeira data anunciada para entrega da obra. Não se concretizou
Janeiro/2013 – Novo prazo previsto para entrega da obra. Não se concretizou
Outubro/2013 – Inauguração do centro cultural

Fonte: Jornal O Popular