5 de novembro de 2013

Transporte: Pesquisa aponta problemas nas 20 principais GOs


Estudo realizado pela CNT considerou dez rodovias goianas ruins, oito regulares e duas péssimas.

Pesquisa anual da Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgada na sexta-feira concluiu que nenhuma das 20 rodovias estaduais goianas consideradas relevantes está em ótima ou boa condição. O levantamento, realizado em julho deste ano, considera dez vias ruins, oito regulares e duas péssimas. O estudo avaliou 2 mil quilômetros de GOs. No ano anterior, 2012, apenas a GO-080 teve avaliação positiva; dez eram ruins, cinco regulares e quatro péssimas.

A avaliação do estado geral das rodovias considera três fatores: pavimento, sinalização e geometria. O presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Eduardo Rincón, discorda dos critérios e afirma que, em relação à geometria, com exceção das pistas duplicadas ou construídas recentemente, “vai ter problema sempre”. Ele diz ainda que o levantamento está defasado: “A realidade hoje é totalmente diferente.”

A CNT avaliou 5.357 quilômetros de vias - 3.354 delas, federais. São as BRs que impedem uma avaliação geral pior do Estado. Das 18 analisadas, 9 estão em bom estado, 8 regulares e apenas 1 - a BR-158 -, é considerada ruim. O relatório da entidade aponta que 27,6% das rodovias analisadas estão em estado ótimo e bom. Estas receberam cor azul. As 72,4% descritas como regulares, ruins e péssimas foram pintadas de vermelho.

RELEVÂNCIA

Os pesquisadores da CNT selecionaram os trechos de rodovias estaduais relevantes “de acordo com o volume de tráfego de veículos (obtido de órgãos oficiais), a importância socioeconômica e estratégica para o desenvolvimento regional e a contribuição para a integração com outros modos de transporte (ferroviário, aquaviário e aeroviário).”
Em comparação com o ano anterior, seis rodovias estaduais pioraram. São elas as GOs 080, 427, 431, 213, 237 e 070. As três últimas têm trechos coincidentes com BRs.

O relatório da CNT informa que “rodovias estaduais coincidentes são aquelas em que o traçado está na diretriz definida pelos pontos de passagem de uma rodovia federal planejada.” As variações, com exceção da GO-080, de regular para ruim e de ruim para péssimo.

SUBJETIVO

Por outro lado, seis rodovias estaduais melhoraram entre 2012 e 2013: quatro deixaram de ser péssimas e duas deixaram de ser ruins. A comparação entre os anos mostra subjetividade na avaliação dos pesquisadores da CNT.

Em 2012, quando foi classificada como rodovia em bom estado geral, a GO-080 tinha pavimento bom e sinalização e geometria consideradas regulares. Em 2013, a avaliação nos itens se manteve, mas o estado geral passou a ser descrito como regular.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Estado de Goiás (Sindittransporte), Alberto Magno, preferiu não comentar a pesquisa ontem, sob argumento de que precisaria antes conversar com motoristas e representantes de empresas sobre a condição das vias.
O relatório nacional mostra que das dez melhores rodovias do País, nove se encontram no Estado de São Paulo e são administradas por empresas privadas, por meio de concessões, onde há cobrança de pedágio.

Presidente da Agetop discordade critérios utilizados pela CNT

O presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Eduardo Rincón, discorda dos métodos de avaliação usados na pesquisa nacional sobre condição das rodovias realizada há pelo menos 14 anos pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). “Às vezes o asfalto está excelente, mas falta sinalização”, afirma, ao defender a qualidade das pistas sob responsabilidade do governo estadual. “Tem muita coisa que talvez não estivesse totalmente concluído e eles consideram ruim.”

Rincón coordena um dos principais programas do governo estadual, o Rodovida, voltado para manutenção e reconstrução das rodovias estaduais. Ele afirma que de julho - mês em que a CNT coletou os dados da pesquisa - até a atualidade “80% das rodovias foram recuperadas”. “Foram 1,2 mil quilômetros só do grupo 2 do Programa Rodovida Reconstrução. Somando os dois grupos dá em torno de 1,8 mil quilômetros de reconstrução.”

“Se for analisar o mesmo período do ano passado, a situação era muito mais critica que agora”, afirma. Ele cita a GO-118, listada em 2012 e em 2013 como ruim. O presidente da Agetop diz que a via, do Distrito Federal a São João d’Aliança, está totalmente recuperada. “Na GO-237, entre Uruaçu e Niquelândia, é um trecho de 89 quilômetros e que já executamos 49 quilômetros. Está pronto para rodar. Falta sinalização em algumas das rodovias, mas isso dá para fazer em período de chuva.”

A GO-427, entre Itaguaru e Jaraguá, classificada como péssima na pesquisa da CNT, está incluída no grupo 3 do Rodovida Reconstrução, com previsão de obras em 2014.

Fonte: Jornal O Popular