8 de novembro de 2013

Qualificação: Falta pessoal qualificado em 65% das indústrias goianas


Maior desafio é despertar o interesse pelas profissões do setor e atrair trabalhadores para qualificação, pois sobram vagas até em cursos gratuitos, segundo levantamento da Fieg.

Enquanto cerca de 65% das indústrias goianas sofrem com a falta de profissionais qualificados, sobram até 30% das vagas oferecidas em cursos de qualificação profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Diante da demanda por pessoal capacitado, o maior desafio atual do setor é despertar o interesse pelas profissões na indústria e atrair mais mão de obra para os cursos de qualificação.

O nível de déficit de profissionais na indústria goiana foi medido pela Sondagem Industrial Especial, divulgada ontem pela Federação das Indústrias de Goiás (Fieg). O problema é ainda maior entre as indústrias de grande porte, onde a demanda por pessoal chega a 75%. A maior carência é por operadores qualificados na produção, uma carência verificada em 89,6% das empresas (veja quadro).

Já o déficit de técnicos qualificados atinge 81% das indústrias. O diretor de Operações da indústria Embalagens Allbox, de Anápolis, André Lavor, confirma a grande carência por mão de obra operacional e técnica, principalmente impressor de máquina off set, de grande porte. “Tivemos de trazer todo nosso quadro de São Paulo, pois não encontramos aqui impressores com a qualificação exigida pela máquina”, destaca.

ROTATIVIDADE

De acordo com André Lavor, a situação poderia ser pior sem a atuação do Senai, que ajuda muito na qualificação das funções mais básicas. Porém, ainda é difícil encontrar técnicos de níveis mais elevados.
Outro problema enfrentado pelas indústrias é a alta rotatividade entre o pessoal de nível mais básico. Muitos ficam apenas seis meses no trabalho e forçam uma demissão para terem direito ao seguro desemprego. Preencher a cota para deficientes físicos é outro grande desafio.

Para conseguir ocupar todos os postos e não prejudicar o andamento da produção, a indústria, que conta com um parque gráfico formado por 400 trabalhadores, faz treinamento de pessoal dentro de suas próprias instalações, em parceria com o Senai. “Mesmo assim, temos cinco vagas para impressor para rótulos e etiquetas adesivas, que exige mais qualificação”.

O levantamento da Fieg mostra que, por causa dessa dificuldade de encontrar profissionais qualificados, as empresas têm dificuldade para aumentar a produtividade, garantir e melhorar a qualidade dos produtos fabricados e expandir a produção. Para 90% das médias empresas, a maior consequência da falta de pessoal qualificado é a dificuldade em buscar eficiência ou reduzir desperdícios.

O diretor regional do Senai Goiás, Paulo Vargas, lembra que a falta de mão-de-obra é um problema que atinge todo País e todos os segmentos. Uma prova disso é busca de médicos em outros países. Segundo ele, o Senai tem conseguido atenuar esse déficit, que chegava a 72% das indústrias em 2011. Para isso, os cursos de qualificação estão funcionando com capacidade total, até num quarto turno, em horários entre um período e outro e aos sábados.

Parcerias beneficiam os bairros

Além das 20 unidades do Senai nos principais pólos produtivos de Goiás, a instituição ainda realiza ações móveis em mais de 100 municípios goianos, através de parcerias com empresas, prefeituras e outras entidades.

Através de parcerias, o Senai também está levando qualificação a bairros mais periféricos da capital, como o Madre Germana, e da Região Noroeste. A instituição leva equipamentos, material didático e recursos humanos, de acordo com a necessidade. Um dos beneficiados têm sido o setor de confecções.

Após concluir o ensino médio, o estudante Gustavo de Moura Borges Cardoso está matriculado no curso de Eletrotécnica da Faculdade de Tecnologia Senai Ítalo Bologna, que tem duração de cerca de 1,5 ano. Ele conta que escolheu o curso porque essa área tem um mercado de trabalho muito amplo de atuação.

Fonte: Jornal O Popular