15 de novembro de 2013

Mercado imobiliário: Vendas de imóveis em Goiânia crescem 18%


Resultado anima empresas do setor, que voltam a fazer lançamentos, após um período de recuo.

O desempenho do mercado imobiliário voltou a animar as empresas do ramo. No último mês de setembro, foram vendidos 958 imóveis em Goiânia, um crescimento de18,4% sobre o mesmo período do ano passado. Depois de pisarem no freio com os lançamentos em 2012, este ano as incorporadoras já lançaram 10% mais unidades. Com um consumidor mais confiante na economia e uma velocidade de vendas maior este ano, as empresas conseguiram reduzir seus estoques de imóveis, mesmo com mais lançamentos.

A Pesquisa Mercado Imobiliário, divulgada ontem pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-Goiás), mostra que o estoque de imóveis vem caindo desde junho: naquele mês, haviam 11.437 unidades disponíveis, contra 10.469 em setembro. O presidente da Ademi-Goiás, Ilézio Inácio Ferreira, lembra que, no mês de setembro, só a venda de apartamentos cresceu 32% em relação a agosto e 12,6% sobre o mesmo período do ano passado.

Os preferidos são os imóveis de dois e três quartos. Os apartamentos que têm entre 76 e 90 metros quadrados registram a maior velocidade de vendas do mercado. Este ano, já foram vendidas 7.177 unidades. “O mercado hoje é mais equilibrado. O que é lançado, está sendo vendido”, avalia Ilézio. Para ele, a leitura atual é de um mercado estabilizado, lançando mais e reduzindo as unidades em estoque.

INVESTIMENTO

O presidente da Ademi-Goiás lembra que no segundo trimestre deste ano foi registrado o maior valor de investimentos da série histórica do setor: R$ 967,7 milhões, contra R$ 358,3 milhões no mesmo período de 2012, um crescimento de 170%. Ele explica que isso é resultado do investimento em unidades de maior valor, com muitos apartamentos acima de R$ 1 milhão. “Esses imóveis de alto padrão são nichos de mercado que receberam mais investimentos das empresas”.

Para Ilézio, o crescimento acelerado que ocorreu até 2011 acarretou problemas como a redução da oferta de mão de obra, o encarecimento das matérias-primas e o atraso na entrega das obras. O aumento dos custos acabou pressionando os preços das unidades. A desaceleração dos lançamentos em 2012 ajudou a equilibrar mais o mercado hoje. Ele lembra que, em 2005, as unidades ofertadas estavam nas mãos de duas dezenas de incorporadoras. Hoje, a pesquisa já abrange 145 empresas.

ESTOQUE MENOR

No ritmo atual, o presidente da Ademi prevê que o setor fechará o ano com um estoque 15% menor. Mas ele acredita que esse volume ainda não deve se refletir nos preços, o que só ocorre com estoques abaixo de 6 mil unidades. Para ofertar mais lançamentos no mercado, a Ademi realiza um trabalho junto à Prefeitura de Goiânia para tentar acelerar mais a aprovação de projetos.

DEMANDA

Para o gerente de Lançamentos da Bambuí Empreendimentos, Roberto Luiz Ribeiro, esse foi um bom ano de vendas para os lançamentos. Ele conta que somente um empreendimento com um e dois quartos foi 90% vendido em 60 dias. Ao mesmo tempo, lançamentos previstos para este ano estão atrasados, aguardando licenças na prefeitura. Com isso, o estoque disponível está menor. “Já estamos precisando de produto hoje.”
Os compradores têm perfis cada vez mais variados: namorados que vão se casar, famílias que vão aumentar, casais cujos filhos saíram de casa e procuram um apartamento em busca de comodidade, descasados que vendem um imóvel para comprar dois, além dos investidores. Em setembro, a pedagoga Zilda Jorge comprou dois apartamentos de três quartos na planta para investir, no Parque Eldorado.
Cada imóvel de R$ 65 metros quadrados com três quartos saiu por cerca de R$ 200 mil. Para Zilda, o investimento em imóvel ainda é a melhor opção do mercado, por ser mais seguro e com valorização garantida, melhor que qualquer outra opção do mercado financeiro.

Mas, para o empresário Moacyr Moreira, diretor da CMO Construtora, hoje a maioria está comprando mais para morar.

Empresas trabalham mais com a venda de estoques anteriores.

Hoje, a grande maioria dos empreendimentos está na fase de acabamento ou concluídos. Os setores Bueno e Oeste e o Jardim Goiás apresentaram o maior número de unidades disponíveis em setembro. O empresário Gustavo Veras, diretor da Loft Incorporadora, concorda que o mercado tenha passado por um período de acomodação, com redução do número de lançamentos. “As empresas pisaram no freio para ver como reagiria a economia global ”.

Por isso, ele também acredita que, este ano, as vendas estão mais direcionadas aos estoques de lançamentos feitos em anos anteriores. Com a redução da oferta, a velocidade de vendas aumentou. “Hoje, vejo um cenário de mais acomodação, mas com vendas que continuam acontecendo num ritmo bom”, avalia Gustavo. Segundo ele, hoje dificilmente há empreendimentos que não estejam pelo menos 70% vendidos e o desempenho será ainda melhor no próximo ano.

O economista Marcelo Ladvocat, professor do Ipog e especialista em varejo, acredita que há uma mudança na forma de ver o imóvel hoje. Na opinião dele, até num passado recente, o imóvel era um grande investimento, de valorização muito rápida, principalmente na planta, pois os valores subiam muito até a entrega das chaves. Hoje, as incorporadoras já lançam o imóvel na planta com um valor normal de mercado.

Fonte: Jornal O Popular