24 de outubro de 2013

Martim Cererê: Enfim, pronto


Espaço cultural reabre as portas hoje com a pré-festa do festival musical Vaca Amarela.

Após dois anos fechado para restauração, o Centro Cultural Martim Cererê será reaberto ao público hoje. Ontem pela manhã Gilvane Felipe, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás), apresentou o espaço reformado à imprensa e artistas convidados. Na obra, orçada em cerca de R$ 1 milhão, foram realizados serviços como adaptações de acessibilidade, substituição do cabeamento elétrico, de telefone e instalações hidro-sanitárias, proteção contra descargas atmosféricas e ajustes para prevenção de incêndio. A reabertura do centro cultural será hoje, com a pré-festa do Vaca Amarela, festival musical, a partir das 21 horas.

O secretário destacou que essa foi a primeira reforma ampla do espaço, no Setor Sul, inaugurado em 1988 como centro cultural. “Desde então foram feitos pequenos reparos, como pinturas e trocas de um outro equipamento. Era necessário uma restauração completa na parte elétrica e acústica dos prédios”, afirmou Gilvane Felipe.

No entanto, acrescentou o secretário, a reforma não poderia afetar a aparência externa do complexo, formado por três teatros. “O Martim Cererê é histórico. A restauração se deu de forma que a gente não percebe grandes mudanças do ponto de vista estético, porque as mudanças foram estruturais”, frisou. O atraso na reforma, justificou, prevista para ser concluída há um ano, teve dois motivos. “Na questão da segurança tivemos o Corpo de Bombeiros como parceiro e para se adequar a todas as normas tivemos de refazer parte da obra, mas o resultado está maravilhoso, com conforto e segurança”, assegurou. O outro fator na demora, alegou, foi a necessidade de adequações ao projeto de lei do Fundo de Cultura na Assembleia Legislativa.

CULTURA PLURAL

O centro cultural continuará aberto a vários segmentos artísticos e já abriu sua pauta. Até o final do ano já estão programados 17 eventos, começando pela pré-festa do Vaca Amarela, hoje, a partir das 21 horas. O festival será realizado de 14 a 16 de novembro. Segundo Márcio Jr., gerente de Projetos Especiais da Secult, as propostas para quem quiser promover eventos e apresentações no espaço vão ser avaliadas por um conselho.

O gerente reforçou que o uso do espaço deve ser democrático e plural. “De certa forma aqui ficou estigmatizado como um lugar para público jovem e rock e não é nada disso. O Cererê, com o conselho de pautas, vai ter um uso amplo, sem se identificar apenas com um outro estilo ou público. A pauta está aberta para teatro, dança, audiovisual e as várias vertentes musicais, do samba à MPB, passando pelo erudito também. E essa reforma garante a qualidade artística para diversos tipos de atividade culturais”, destacou. “Trata-se de um dos principais equipamentos culturais do Estado e tem uma dimensão ideal para eventos de pequeno e médio porte, que é onde se formam muitos artistas, produtores e também a ligação com o público”, enfatizou.

A pauta para o primeiro semestre do ano que vem estará aberta de 15 de novembro a 15 de dezembro pelo e-mail pautacerere@gmail.com. Os interessados devem especificar, no projeto, a faixa etária e a previsão de público. A partir de agora, por questões de segurança, o Martim Cererê não vai mais funcionar com superlotação: o limite é de mil pessoas por período.

Histórico do espaço

De símbolo da ditadura à referência cultural. A história do Martim Cererê começa em 1988, com ênfase nas atividades teatrais, para logo ser tomado por uma agenda cultural ampla e intensa em seus dois primeiros anos, para em seguida ser praticamente esquecido pelo poder público. A partir dos anos 2000 a área é retomada pela comunidade artística. Porém, houve intervalos para reformas ao longo dos anos.

Os teatros Yguá, Pyguá e Itaká originalmente, eram reservatórios de água. Durante a ditadura militar, o espaço, dizem vários pesquisadores, era utilizado como local de interrogatório. No final dos anos 80, o lugar, praticamente abandonado, ganhou um projeto do arquiteto Gustavo Veiga que adaptou a estrutura como um centro cultural, cujo nome é inspirado no livro homônimo do modernista brasileiro Cassiano Ricardo.

O Martim Cererê tem três teatros: Yguá (lugar de guardar água, em Xavante), Pyguá (caverna de água) e o teatro de arena Ytakuá (buraco na pedra). Além de um espaço agradável de convivência, com bancos à sombra de árvores frutíferas, o Centro ainda tem um bar, o Karuhá (lugar de comer, em Xavante).

Fonte: Jornal O Popular