12 de outubro de 2013

Enade: Goiás está abaixo da média


Os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2012, divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC), colocam Goiás em situação pior que a média nacional (Veja lista ao lado). Enquanto 30% dos cursos avaliados no País obtiveram notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias, no Estado esse porcentual foi de 41,5% de um total de 207. O exame do ano passado avaliou cursos das áreas de Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e eixos tecnológicos de Gestão e Negócios, Apoio Escolar, Hospitalidade e Lazer, Produção Cultural e Design.

A nota insatisfatória é motivo para decretar o fechamento do curso ou o cancelamento de vestibulares futuros. Nesses casos, o MEC avalia cada situação, se houve ou não reincidência e se existem perspectivas de melhora, e indica qual medida tomar. Dentre os
cursos com conceito baixo em Goiás, constam, por exemplo, o de Direito da Faculdade Alves Faria (Alfa), com nota 2, Direito da Universidade Salgado de Oliveira, também nota 2, Administração da Faculdade Padrão, com nota 2, e Direito da Faculdade Lions (FacLions) de Goiânia, que obteve nota 1 – o pior dentre todos os cursos de Direito avaliados em Goiás.

MELHOR

Na outra ponta da tabela, o melhor desempenho, até mesmo na relação geral, comparando todos os cursos do Estado que participaram do Enade, é Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG), que obteve nota 5. Esse conceito lhe garantiu, ainda, uma posição comemorada pelo reitor Edward Madureira Brasil e pelo diretor da faculdade, o professor Pedro Sérgio dos Santos, que foi o de oitavo melhor curso de Direito do Brasil, a partir do ranking das notas obtidas no exame. Ficou atrás somente de instituições como as federais de Ouro Preto, Viçosa e Juiz de Fora – todas em Minas Gerais – e Roraima.

A tradição da Faculdade de Direito, a quinta mais antiga do País e fundada antes da própria UFG, ajuda na obtenção de bons desempenhos, mas tanto o reitor quanto o diretor pontuam a contratação de professores efetivos e a maioria com mestrado ou doutorado como um elemento que influenciou diretamente nesse resultado. O Enade avalia exclusivamente o aluno e formula a média final a partir do cruzamento da nota obtida por cada estudante com a média do curso. “Professores capacitados e exclusivos, grande número de pesquisas e projetos de extensão, tudo isso cria o ambiente propício para elevar o rendimento dos estudantes”, avalia Pedro Sérgio.

Só 13 cursos com nota máxima no Estado

Dos 207 cursos goianos avaliados pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2012, só 13 conseguiram conceito máximo – seis da Universidade Federal de Goiás (UFG). Isso equivale a 6,2%. Além de Direito de Goiânia, a UFG conseguiu melhor nota no Direito da cidade de Goiás, bem como em Publicidade e Propaganda, Ciências Contábeis e Administração de Empresas, das unidades de Goiânia e Catalão.

O reitor da UFG, Edward Madureira Brasil, enfatizou que a reestruturação dos cursos e o investimento em docentes em regime de exclusividade, ambas políticas da atual gestão foram cruciais para isso. As aulas do curso de Direito da cidade de Goiás, por exemplo, até 2006, eram dadas por professores que mantinham vínculos empregatícios temporários, outros trabalhavam até de maneira voluntária, e a rotatividade era alta. A mudança de postura passou pela realização de concursos e contração de servidores efetivos.

“Já temos de 20% a 25% dos professore em regime de dedicação exclusiva e há uma tendência de melhoramento desse quadro”, expõe Edward. Ele lembra, também, que a concorrência do vestibular é um elemento que ajuda a selecionar o estudante, que vem, na maioria dos casos, com uma boa formação do ensino médio.

Dentre os cursos com nota máxima, constam ainda os de Administração da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e também da Universidade Paulista (Unip), que obteve o mesmo conceito em outro dois.

Pró-reitora da PUC-GO sugere mudanças

Todos os cursos da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) avaliados pelo Exame Nacional de Desempenhos de Estudantes (Enade) 2012 obtiveram nota 3. O resultado é satisfatório, conforme a pró-reitora de Graduação Sônia Margarida Gomes, mas poderia ser ainda melhor se o Exame fosse aplicado de maneira diferente.

A professora sugere que a diferença entre o Enade e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está na motivação que um e outro gera no candidato. Enquanto o Enem traz consequência direta para a vida do estudante, com a nota utilizada como parâmetro para outras situações, o Enade se apresenta apenas como avaliação, sem ganhos diretos. Fosse o contrário, segundo ela, a participação e o empenho de alunos seriam maiores. “A motivação do Enem é infinitamente maior. Seria uma grande contribuição se a nota do Enade fosse colocada no histórico escolar”, diz.

Resultado insatisfatório para 30%

Brasília - Cerca de 30% dos cursos avaliados no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2012 apresentaram resultado insatisfatório, com notas 1 e 2 (de um teto de 5), informou ontem o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. O Enade é um teste do governo federal que serve para avaliar redes de ensino, públicas e privadas. A edição de 2012 avaliou 7.228 cursos de 1.646 instituições de ensino superior - participaram 536 mil estudantes concluintes, do penúltimo e último semestre de seus respectivos cursos.

O próximo Enade vai ser aplicado no dia 24 de novembro. Deverão participar da prova cerca de 200 mil estudantes de 4.916 cursos da área de ciências de saúde e agrárias.

Fonte: Jornal O Popular