Uma praia para Goiânia

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Projeto prevê a construção de um lago com 1,5 milhão de metros quadrados para esportes náuticos, diversão, pesca esportiva e projetos de aquicultura.

O engenheiro florestal Leopoldo de Castro, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) coordenou um grupo de trabalho que concluiu pela necessidade de construir um grande lago no Ribeirão João Leite para servir a turismo e aproveitamento aquícola para a população de Goiânia. O complexo deve se chamar “Parque João Leite” e será construído a jusante (abaixo) do lago que foi feito pela Saneago para abastecimento de água potável para a Grande Goiânia.

“Os técnicos estudaram detidamente os problemas envolvendo esse precioso manancial e decidiram pela necessidade de criar uma alternativa para diminuir a pressão sobre o reservatório do João Leite que servirá para abastecimento de Goiânia. Vimos que é possível fazer algo que sirva para prática de lazer e para produção de algumas formas de cultivo utilizando a lâmina d’água”, explica.

A maior preocupação dos técnicos que participaram desse projeto é proteger o grande lago que a Saneago ergueu. Ocupação das margens, pesca ilegal, possibilidade sempre premente de contaminação, ameaça de ocupação por movimentos de sem-terra e outras formas de degradação.

O resultado do estudo explicita claramente a “criação do Parque Estadual João Leite, envolvendo a faixa de proteção do reservatório (área pública), parte do sítio da Barragem (área pública) e a área existente entre a Barragem e os Córregos Entre-Serras e Poções. Deve ser editado decreto de limitação administrativa provisória para a realização de estudos técnicos para a criação do Parque.”

“O que se pensou é basicamente um lago com medidas que beiram a 30 alqueires, o que daria aproximadamente 1,5 milhão de metros quadrados. Ao seu redor será feita uma barreira de proteção verde com arborização e recomposição da vegetação nativa, em locais a ser definidos deverá ser garantida que a ocupação será de baixíssima densidade demográfica para impedir degradação e políticas de implementação de uso sustentado e bem ordenado do lago”, explica o engenheiro.

O atual Parque Altamiro de Moura Pacheco será ampliado, fazendo com que a arborização chegue até bem perto do lago garantindo uma “barreira de proteção” para o manancial e ampliando a biodiversidade.

Manejo consciente e sustentado

A Semarh traçou há 10 anos o Plano de Manejo do Ribeirão João Leite e vem tentando colocá-lo em prática. Sua efetivação depende também dos municípios que ele banha e que as razões políticas de cada gestor municipal nunca são devidamente explicitadas, até porque isto depende de revisão dos Planos Diretores de cada município, o que nunca consta da pauta de prefeitos. O resultado é que o João Leite segue sem um plano de manejo decente que garanta sua proteção de forma perene e continuada.

Esse plano de gestão fala em “criar formas para não deixar o ônus da conservação da água para os proprietários das áreas de influência direta do reservatório” e na possibilidade de “incentivo a implantação de reflorestamentos comerciais nas microbacias hidrográficas de contribuição direta para o Reservatório João Leite.”

Os técnicos que se debruçaram a planejar o Parque João Leite tiveram uma visão de futuro louvável ao propor uma ocupação ordenada e com controle para permitir que o espaço se preste a todos, independentemente de classe social. Deverá ser para práticas de esportes aquáticos, pesca esportiva, lazer na água pura que descerá do lago que já existe. Enfim, uma praia que Goiânia tanto almeja.

Usando metodologia destinada a adequar a utilização economia e social do espaço, os técnicos definiram que o parque virá com a “implantação de empreendimentos de qualificação urbanística e de baixa densidade de ocupação (considerando o Plano Diretor, o Zoneamento Ecológico Econômico e a Carta de Risco de Goiânia), ancorados em grandes equipamentos como lagos de esporte e lazer, parques urbanos lineares e outros equipamentos como: centro tecnológico, hotéis, campus universitário, etc;” e que a ocupação da área “deverá ocorrer preferencialmente sob a forma condominial, que possui personalidade jurídica para assumir responsabilidades com as propostas, evitando/minimizando a adoção de loteamentos individuais. Estes equipamentos funcionarão como uma barreira física à expansão urbana desordenada.”

Assim, a prática de esportes aquáticos e lazer, a pesca esportiva, a criação de peixes em tanques-rede ficarão regulados pelas instituições que cuidam de cada área distinta, como Corpo de Bombeiros, órgãos ambientais em tudo o que seja necessário para implementar políticas públicas de benefício para a população.

Além disso o estudo prevê a “criação de um programa de Saneamento para a Bacia Hidrográfica do Ribeirão João Leite, (água, esgoto, drenagem urbana, resíduos sólidos)” e a criação de “mecanismos, nas secretarias de educação municipais, para fortalecer a educação ambiental no ensino fundamental”, além de “criar formas para não deixar o ônus da conservação da água para os proprietários das áreas de influência direta do reservatório”. Prevê também o incentivo à “implantação de reflorestamentos comerciais ou outras atividades preservacionistas nas áreas produtivas nas microbacias hidrográficas de contribuição direta para o Reservatório João Leite.

Turismo

incrementado

Para o diretor de Pesquisas Turísticas da Goiasturismo, Luiz Antônio Stival, esse parque será a redenção do turismo para Goiânia e sua região metropolitana. “Será a praia que a Capital tanto anseia. Próxima e bem feita, com uma água limpa e agradável”, comenta.

A água que sai do Lago João Leite agora vem com uma pureza de dar gosto, por já ter sido decantada no grande reservatório. Também tem alto teor de oxigenação, o que favorece sua utilização para todos os fins.

Luiz Antônio Stival lembra que grande número de goianienses e moradores de cidades vizinhas viajam todos os finais de semana para locais onde existam pontos turísticos melhores, como os lagos das Brisas, de Serra da Mesa e até do Rio Araguaia. “Com certeza uma expressiva parcela dessas pessoas que vão fazer turismo em outros locais optará por ficar em Goiânia pela proximidade e pela facilidade logística para se divertir.”

A retenção de recursos destinados ao turismo na economia da Capital será um poderoso incremento para a cidade e principalmente para a região norte de Goiânia, para onde dificilmente a cidade cresce.

Tecnicamente

viável

O geólogo Sílvio Matos vê como plenamente exequível o plano de construir o Parque João Leite com um corredor de biodiversidade e uma ocupação de baixa densidade e que estudos técnicos deverão demonstrar isto. “Um estudo de Geotecnia e sobre o regime hidrológico do João Leite, bem como o sistema de vazão que ele possibilita torna esse projeto bem tentador.”

A maior benfeitoria que ele permitirá será o alívio de pressão sobre o Lago João Leite e as ameaças que pairam sobre suas margens, como poluição e depredação.

A utilização racional e sustentada de um manancial ou de um parque como o que foi planejado deverá ser a tônica de todos os projetos públicos, estimam técnicos como o geólogo Sílvio Matos e o engenheiro florestal Leopoldo de Castro. O Parque João Leite deverá abrigar em suas margens “grandes equipamentos como lagos de esporte e lazer, parques urbanos lineares e outros equipamentos como: centro tecnológico, hotéis e campus universitário”, dentre outros.

Fonte: DM

2 comentários

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Anônimo
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1 de setembro de 2013 13:41 delete

Mas um projeto em Goiânia para satisfazer a especulação imobiliária! CRIA VERGONHA NA CARA SEMARH! Goiânia precisa de atos de preservação e, preservação significa sem nenhum tipo de utilização! Ademais já pensaram nos impactos sociais advindos destas ações ? como ficarão os proprietários rurais da área ?

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27 de dezembro de 2013 21:56 delete

TA CERTO NOS QUE TEMOS LANCHA PRECISAMOS DE UM LOCAL PROXIMO PARA LAZER

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