8 de agosto de 2013

Clima deixa Goiás em alerta


Umidade relativa do ar começa a cair no Estado e já varia entre 12% e 20%. Poluição agrava quadro.

Goiás já vive uma situação de alerta em decorrência de baixos índices de umidade relativa do ar, que segundo a Organização Mundial de Saúde varia de 12% a 20%. Este ano, o menor índice registrado foi de 13%, no dia 4 deste mês, no município de São Simão, no sul do Estado, mas a previsão para as próximas semanas não é nada animadora. Historicamente os piores índices são registrados em setembro, quando as rajadas de vento são mais comuns levantando os poluentes, como poeira, fumaça e fuligem. A massa de ar seco que paira sobre Goiás contribui para a formação de um belo espetáculo ao por do sol, “mas tudo não passa de poluição”, alerta a chefe em Goiás do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), Elizabete Alves Ferreira.

O tempo seco somado aos agentes nocivos à saúde estão levando milhares de pessoas às unidades de Saúde, principalmente crianças, mais suscetíveis às doenças virais. No Hospital Materno Infantil (HMI), referência no atendimento de problemas respiratórios, houve um crescimento superior a 64% nesse tipo de doença entre janeiro a julho deste ano, em comparação ao mesmo período de 2012. No ano passado, nos sete meses foi registrada uma média de 1.102 casos por mês e este ano, subiu para 1.817 casos.

Pediatra, alergista e imunologista do HMI, Lorena de Castro Diniz atribui a uma soma de fatores a alta demanda de pacientes na unidade. “Há mais poluição no ar, como excesso de veículos, uso excessivo de ar condicionado e crescimento dos polos industriais e da construção civil, que produz muita poeira. Com o tempo seco há mais concentração de poluentes, que são vetores de doença. Essa concentração de poluentes faz diminuir a força dos pulmões”, afirma.

Os registros metereológicos confirmam que a tendência é que umidade do ar fique pior na capital em decorrência dessa soma de poluentes. A médica alerta os pais para evitar ambientes fechados, com muita aglomeração de pessoas e que tenham ar condicionado. “Por terem menos imunidade, as crianças estão mais sujeitas às doenças respiratórias”.

Em Goiás, segundo o Inmet, a última chuva registrada foi no município de Caiapônia no dia 19 de julho. Em Goiânia, na chegada da frente fria, no dia 23, houve uma espécie de garoa, mas não o suficiente para mudar o quadro de sequidão que provoca irritação nos olhos e ressecamento das vias respiratórias. Ou quadros mais graves, como gripe forte, asma, bronquite e sinusite.

De acordo com o Inmet, no domingo completou oito dias de umidade relativa do ar atingindo nível considerado de alerta. O menor valor registrado em Goiânia foi de 13%, no dia 2 de agosto.

NOVA ONDA DE FRIO

O Inmet está prevendo uma nova onda de ar frio na semana que vem. Vindo do sul do Brasil, a massa de ar frio vai atingir o Centro-Oeste, com pico de resfriamento previsto para o dia 14, quando a temperatura máxima em Goiânia deve atingir 23% e a mínima 12%. Neste período, a umidade do ar vai dar uma trégua por causa do aumento de nebulosidade.

Estado tem situação crítica de incêndios

Um das maiores contribuições para piorar ainda mais a qualidade do ar são as queimadas, sejam elas em fundos de quintal ou em áreas maiores. Ontem à tarde, o site do sistema monitoramento de queimadas do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrava que a situação na maior parte do território goiano é crítica.

As chamas ocorrem em propriedades rurais, mas também em unidades de conservação. Nesta quarta-feira satélites detectaram focos em diversas delas, como a Chapada dos Veadeiros e o Recanto das Araras de Terra Ronca, ambas na região Nordeste de Goiás, e na APA do Planalto Central, em Planaltina.

Na Serra de Jaraguá, a 130 quilômetros de Goiânia, o Corpo de Bombeiros até a noite de ontem ainda tentava debelar as chamas que tinham destruído boa parte da unidade de conservação de 2,8 mil hectares.
Titular da Delegacia Estadual do Meio Ambiente (Dema), Luziano Carvalho está investigando as causas do incêndio que pode ter originado na queima de uma caixa de marimbondo por um trabalhador rural.

A região, muito rica em vegetação de Cerrado, é procurada por praticantes de mountain bike e voos livres.

Fonte: Jornal O Popular