12 de agosto de 2013

Anunciada ampliação do atendimento em saúde


Capital poderá contar com 14 novas unidades. Medida visa desafogar o serviço de urgência e emergência, focando nas especialidades.

A saúde pública na capital deve receber 14 novas unidades de atendimento, até o fim de 2014, em um esforço para desafogar as unidades de urgência e emergência. O anúncio foi feito ontem pela Prefeitura durante lançamento de programa de medidas e ações para “ampliar, agilizar e humanizar” o atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa é uma reação às críticas recebidas pela Pasta nos últimos meses, as quais se concentraram principalmente sobre os temas lotação, lentidão e má prestação de serviços.

Batizado de Mais Trabalho, Mais Saúde!, o programa pretende entregar, até o fim do próximo ano, dois novos hospitais – em Campinas e outro na Região Oeste –, 11 UPAs e dois novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Na sequência, a ação visa ainda transformar os Cais e Ciams em UPAs, como a inaugurada no Residencial Itaipu, em Goiânia. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Fernando Machado, a meta é dissolver a demanda reprimida de 80 mil atendimentos, dos quais 70% correspondem à procura por profissionais especializados, por mês, criando centros de especialidades.

Segundo o prefeito Paulo Garcia, o projeto é pioneiro em todo o Brasil e gerou, em conversa com o ministro Alexandre Padilha (Saúde), expectativa para adesão de outros municípios em todo o País. “O projeto piloto será implantado primeiramente no Ciams Novo Horizonte, que realiza anualmente cerca de 400 mil atendimentos.”

Conforme admitem os gestores, a situação da saúde pública atual é precária e aquém do serviço que a Prefeitura deseja prestar à comunidade. Com o intuito de desafogar as unidades de emergência, o município estima contratar mais médicos, ao passo em que propõe ampliação dos serviços de atenção domiciliar, conhecidos como home care, já em atividade. De acordo com o prefeito, pessoas que lotam os corredores dos Cais com problemas como dores e febres “não possuem hoje atendimento de qualidade no Estado” e passam a procurar atendimento nas unidades municipais.

Goiânia gastou 28% do dinheiro do contribuinte, explica Garcia, na área da saúde, enquanto o Estado investiu até quatro vezes menos. “O não investimento do governo estadual em saúde sobrecarrega os centros de Goiânia, que atendem até 6 milhões de pessoas. Apesar disso, vamos continuar atendendo”, assegura.

Segundo Garcia, o home care goianiense atende 200 familias, entretanto, a meta para 2014 é de abarcar mil, evitando a hospitalização e aumentando a quantidade de leitos disponíveis. “O atendimento é feito na casa do paciente, visando o conforto e deixando disponíveis mais leitos que hoje são ocupados desnecessariamente nas unidades”, ressalta o prefeito.

Teleconsultas também modificado

Alvo de críticas de usuários do SUS, o serviço conhecido como Teleconsultas também será modificado. Atualmente, são agendadas 50 mil consultas mensais, quantidade insuficiente para suprir a demanda. “Pacientes demoram muito para conseguir agendar suas consultas e por vezes acabam desistindo”, reconhece o secretário Fernando Machado.

Para amenizar, foi anunciado o acréscimo de 30 mil agendamentos mensais. Outra medida para criar mais possibilidade de atendimento será o credenciamento de médicos da rede privada para compra de consultas especializadas por parte do Executivo municipal.

Mais Médicos

Goiânia foi a cidade que mais atraiu médicos do programa Mais Médicos do governo federal (44 dos 1.753 médicos). Enquanto apenas 6% da meta dos municípios brasileiros foi atendida, Goiânia conseguiu atingir 50% de seu objetivo, número que se deve, de acordo com o prefeito Paulo Garcia, à qualidade de vida da Capital. “É uma cidade que oferece de tudo, por isso mais profissionais se interessaram em vir”. Profissionais advindos do Mais Médicos ficarão lotados em Centros de Saúde da Família.

Apesar dos números, Machado afirma que a preocupação não é com a quantidade, mas com a qualidade dos serviços, uma vez que a proposta é humanizar os atendimentos. “Queremos resolutividade, que o paciente seja bem atendido”. Para contribuir no combate à asfixia do SUS, cursos serão ministrados nas áreas de hematologia, pneumologia, dermatologia e outras especialidades.

Para que permaneçam nas unidades públicas, médicos contratados receberão salários de acima de R$ 11 mil, caso cumpram 40 horas semanais de serviço. “Um incentivo para que eles venham e fiquem”, observa Machado.

Alívio para pacientes da urgência e emergência

A Unidade de Pronto Atendimento do Residencial Itaipu, batizada de Dr. João Batista Sousa Junior, deverá desafogar, provisoriamente, a demanda de atendimentos de urgência e emergência. Com 20 leitos de observação para até 24 horas, salas de raio X e laboratórios, a unidade segue a Política Nacional de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde (MS). “O intuito é descongestionar os serviços de urgência dos hospitais de referência, além de facilitar e qualificar o acesso do usuário aos serviços nas proximidades de sua residência”, afirma Machado.

A unidade possui área de 2.084 m², com investimento de de R$ 3 milhões em estruturas físicas, para benefício, sobretudo, de pacientes dos bairros da Região Sudoeste de Goiânia (Residencial Itaipu, Caravelas, Garavelo B, Grajaú, Real Conquista, Madre Germana e Andrea Cristina, dentre outros). “A grade de funcionários já está montada com médicos nas áreas de pediatria, oftamologia entre outras”. Os atendimentos à população se iniciaram no dia da inauguração.

Foram iniciadas, revela Machado, obras de construção da UPA noroeste, a qual deverá ter capacidade de atender até 450 pacientes diariamente. Custando inicialemnte R$ 3,6 milhões, mais os gastos com equipamentos.

Humanização do atendimento ganha atenção

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, Mauro Rubem elogia o programa. “É um plano muito bom, realista, que irá transformar prédios antigos.” Apesar do comentário em favor do programa, Rubem afirma que “continuaremos tendo asfixia em Goiânia, mas a rede tem que ser expandida pelo governo do Estado para o interior”.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de Goiás (Simego), Rafael Martinez, nutre expectativas com o programa. “É uma tentativa de melhorar a qualidade dos serviços e também dos trabalhadores”. Segundo ele, os investimentos em ganhos de desempenho, na qualidade dos serviços, na reforma e construção de unidades e infraestrutura atendem às principais reivindicações dos médicos goianos.

Fonte: Jornal O Hoje