4 de julho de 2013

Quem venceu a briga dos ônibus foi o empresário, não o usuário


A cidade comemora a tarifa zero para o transporte de estudantes e o fato é que quem vai bancar é a sociedade. Por isso, o grande vencedor foi o dono do ônibus, não o usuário do ônibus. As empresas consideram ideal a tarifa a 5 reais, as autoridades autorizaram 3 reais e a Justiça mandou reduzir para 2 e 70. O bonito nessa conversa é que a diferença para chegar a 5 reais está saindo do bolso do povão e o rombo só vai aumentar. A fatura será dividida entre as prefeituras e o governo do Estado. Ou seja, sobrou para a população.

Empresários garantem que estão sofrendo prejuízos com a gratuidade para idosos. Só não dizem que a viagem é gratuita apenas para o idoso, mas diluída na tarifa dos demais passageiros. Com os estudantes será diferente: o poder público simplesmente vai tirar dos cofres e passar para as empresas. No fim das contas, o grande beneficiado com as manifestações foi quem sempre explorou o coitado do usuário.

As empresas de ônibus já são amplamente beneficiadas. Não pagam tributos na compra dos dois maiores bens, os ônibus e o combustível. A linha mais longa e com mais passageiros, a do Eixo Anhanguera, ficou pendurada no Estado, que arranca do Orçamento 5 milhões de reais por ano para manter o subsídio. Por essas e outras, transporte coletivo gera mais lucro que prostituição e tráfico de drogas. Os governos não dão dinheiro para cafetão e traficante, mas a impunidade é a mesma.

Portanto, os governos federal e estadual e as prefeituras têm de voltar atrás nessa negociata com as empresas de ônibus. Os barões do transporte não podem pegar dos cofres públicos as verbas de construir hospitais, reformar escolas, honrar compromisso com professores. Presidente, governador e prefeito que derem dinheiro para as empresas estão roubando do povo. Não há outro termo: é ladrão. Ladrão. Ladrão.

Fonte: Portal 730