6 de julho de 2013

Indústria goiana cresce na contramão do País


Apesar da alta, especialistas afirmam que indústria sofre desaceleração.

A produção industrial goiana avançou 3,2% em maio, conforme informou a pesquisa mensal divulgada ontem pelo IBGE, revertendo uma situação de dois meses de resultados negativos. Goiás teve o melhor saldo no quinto mês do ano e figurou entre as cinco unidades da Federação que apresentaram variação positiva no levantamento, dentre as 14 capitais avaliadas. Mas a realidade não é animadora. Em abril, o setor industrial apresentou queda de 1,2%, na comparação com maio do ano passado, o recuo foi de -0,4%.

Com o resultado de maio, Goiás mantém variação positiva da produção industrial no ano, de 2,1% acima do índice nacional, que ficou em 1,7%. Nos últimos 12 meses, período que a produção nacional apresentou recuo de -0,5%, a produção goiana ficou estável quando comparada com os 12 meses anteriores.

De acordo com o coordenador técnico da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Welington Vieira, em maio do ano passado, o índice da atividade industrial registrada no Estado foi de 6,5%, na comparação de maio de 2012 com o mesmo mês em 2011, a alta foi 4,9%, e no acumulado de janeiro a maio, também do ano passado a alta foi de 12,4%. Ele ressalta que os números divulgados pelo IBGE mostram uma desaceleração muito forte na indústria goiana. “A expectativa é ruim, a combinação das paralisações nas rodovias, aumento das taxas de juros, alta da inflação, ameaça de greve de algumas categorias, não apontam para tendências favoráveis”, sentencia.

Uma das preocupações do coordenador técnico da Fieg é a queda na produção do setor de minerais não metálicos (-3,2%), no mês e de (-7,2%) no acumulado do período. Ele explica que grande parte dos subprodutos advindos desses minerais são utilizados na na indústria da construção civil. “Isso mostra uma desaceleração na setor que é um importante balizador da economia”. A principal contribuição negativa sobre o total da indústria foi registrada pelo setor de alimentos e bebidas (-5,3%), pressionado em grande parte pela redução na produção de refrigerantes, açúcar cristal, leite esterilizado e em pó, condimentos e temperos.
Medicamentos

Apesas dos números baixos, Goiás continua em uma situação melhor que o restante do País. O setor responsável pelo resultado goiano foi o farmoquímico, que teve alta de 8,6%. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de Goiás, Ivan da Glória, a aceleração da atividade já tem mais de um ano e foi alavancada por duas das maiores empresas do País, que possuem unidades no Estado e aumentaram a produção. Ivan explica que houve crescimento na produção nas unidades industriais de todos os portes, pois sem fabricação em escala não há como se manter no mercado. “Porém, o faturamento não aumentou, os reajustes nos preços dos remédios só são possíveis quando autorizados pelo governo e sem eles não é possível recompor as perdas provocadas pela inflação e alta das matérias-primas”, diz.

Fonte: Jornal O Hoje