12 de julho de 2013

Goiás pode ficar fora de repasses


Goiás corre o risco de ficar de fora do pacto pela mobilidade urbana proposto pela presidente Dilma Rousseff (PT) depois protestos em todo o País. O Ministério do Planejamento encerrou anteontem reuniões com governadores e prefeitos das oito maiores regiões metropolitanas do País, consideradas prioritárias, que pediram R$ 51,8 bilhões em investimento, quantia acima dos R$ 50 bilhões anunciados pelo governo federal. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, deve dizer até o final da próxima semana se atenderá todos os pedidos e se receberá demandas de outros Estados.

Goiânia é a 11ª maior região metropolitana do Brasil, de acordo com o último censo (2010) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além das oito atendidas pelo governo federal, está atrás de Campinas (no interior de São Paulo) e Manaus (capital do Amazonas). Embora não estejam garantidos recursos para o Estado, governo e município estão esperançosos. “Estamos muito próximos de licitar o VLT [Veículo Leve sobre Trilhos] de Goiânia. Acreditamos que ele seja um bom projeto e pode se beneficiar desses recursos”, disse o governador Marconi Perillo (PSDB) após reunião em que a presidente anunciou a abertura dos recursos, em 24 de junho.

O secretário estadual de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Goiânia, Eduardo Zaratz, está fazendo o levantamento dos projetos que o governo estadual pretende apresentar, caso haja reunião. A assessoria informa que ele ainda não concluiu o documento. Apesar disto, o governador já indicou que o projeto prioritário é o VLT. No município, já há estimativa da quantia a ser pedida: R$ 1 bilhão para aplicar principalmente em corredores preferenciais de ônibus e ciclovias.

O Ministério do Planejamento ainda não disse se vai aceitar todos os projetos já apresentados, se vai selecionar alguns e usar a verba restante para distribuir entre as regiões ainda não recebidas, ou se vai abrir mais crédito. “Vamos analisar essas demandas [já apresentadas] para definir qual procedimento adotaremos, se faremos um anúncio de uma tranche intermediária (dividir a liberação dos recursos) ou se chamaremos outros estados e municípios”, afirmou a ministra. A assessoria de comunicação do Ministério do Planejamento informa que a equipe vai analisar prioridades e definir se haverá reuniões com outros estados.

CORREDORES

Conforme o titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável (Semdus), Nelcivone Soares de Melo, a Prefeitura de Goiânia possui vários projetos prontos para serem executados, mas faltam recursos. “Somente para investimento na capital precisaríamos de pelo menos R$ 1 bilhão, mas acredito que a reivindicação do Estado de Goiás deve atingir os R$ 3 bilhões”. Esse montante de acordo com Nelcivone de Melo será investido principalmente em obras em Goiânia e sua região metropolitana, Anápolis e municípios do Entorno do Distrito Federal onde se concentram mais da metade da população goiana.

Na capital, os recursos seriam destinados para corredores exclusivos de ônibus do transporte coletivo, entre eles os das Avenidas T-7 e T-9. De acordo com Nelcivone de Melo, somente para o corredor da T-7 serão necessários R$ 30 milhões. Outras prioridades é a obra do BRT no Eixo Norte-Sul, que vai exigir investimento da ordem de R$ 350 milhões, e os 100 quilômetros de ciclovias. “Para o BRT temos financiamento liberado, mas não é o suficiente. Com esses recursos do governo federal podemos reduzir para um ano o tempo de construção de obras que levariam quatro anos”, afirmou o titular da Semdus. Caso o pleito da prefeitura de Goiânia seja atendido, parte do dinheiro será direcionado para a melhoria da sinalização e modernização semafórica.

CHAMADA

Sobre o fato de Goiás ainda não ter apresentado projeto na área de transporte/mobilidade urbana, o subchefe de Assuntos Federativos da Presidência da República, Olavo Noleto, disse ao POPULAR que o governo federal irá chamar todos os Estados. Segundo ele, oitos cidades já foram convocadas, as mais populosas do País. A expectativa é de que nos próximos 15 dias o Planalto convoque as demais capitais.

Fonte: Jornal O Popular