17 de julho de 2013

Empresas dizem que vão "quebrar" com tarifa a R$ 2,70


As empresas concessionárias do transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia (RMG) reclamaram ontem - em reunião com prefeituras, governo do Estado e órgãos do transporte - que conseguem sustentar o sistema com a tarifa de R$ 2,70 só até o próximo mês. Presidente do Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo Urbano (Setransp), Edmundo Pinheiro afirma que as empresas “vão quebrar, pois operam no vermelho há mais de um mês”. O governo estadual e as prefeituras da região metropolitana decidiram ontem formar um grupo para analisar as planilhas do transporte coletivo e encontrar uma solução para a manutenção do sistema.

A decisão foi tomada na reunião no Palácio das Esmeraldas, no fim da tarde de ontem. É a primeira reunião entre o governador Marconi Perillo (PSDB), o prefeito Paulo Garcia (PT) e os prefeitos de Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Goianira se reuniram com a presença de um representante das empresas do transporte coletivo.

O grupo formado terá o objetivo de encontrar meios para manter a tarifa no preço atual. Já está definido que não há a possibilidade de mudança no valor do sitpass e que os estudos devem resultar numa solução para que o sistema permaneça em operação

Edmundo Pinheiro disse na reunião que algumas empresas não têm mais condições de operar e, continuando assim, o consórcio terá de entregar o serviço, cancelando a concessão. Prefeito de Senador Canedo, Misael Oliveira (PDT) desafiou as empresas a devolverem a concessão e mostrar as planilhas de custos que provariam o déficit anunciado. Misael disse que já pediu as planilhas, via Companhia Metropolitana do Transporte Coletivo (CMTC), por duas vezes e não foi atendido. Nenhum documento foi apresentado na reunião, que a princípio trataria apenas do programa de Passe Livre Estudantil.

O próprio presidente do Setransp foi quem apresentou as dificuldades das empresas e mudou o foco do encontro, que passou a ser a forma como manter o sistema funcionando normalmente. “Foi uma reunião não concluída, mas pelo menos fomos ouvidos pelo Poder Público pela primeira vez. Os governantes se mostraram atentos aos problemas”, afirmou Pinheiro. As empresas devem se reunir hoje para juntar os documentos, que devem ser entregues ao grupo formado pelo governo até o fim da semana. O prazo que os empresários apontaram para uma solução é até o mês que vem.

O Setransp reivindicava uma reunião com o poder público desde que a tarifa foi fixada em R$ 2,70, no dia 19 de junho, oficializando o cancelamento do reajuste de R$ 0,30 aplicado em maio. O valor de R$ 2,70, no entanto, já era cobrado desde o dia 11 do mês passado, em função de decisão judicial após ação pública do Procon Goiás.

Presidente da Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC) e secretário estadual de Desenvolvimento da Região Metropolitana, Eduardo Zaratz afirma que o quadro apresentado pelas empresas “é mais grave que o imaginado”. “Elas correm o risco de parar de funcionar a partir de agosto”, diz.

A princípio, as hipóteses a serem analisadas pelo grupo formado ontem é a desoneração de impostos estaduais, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), ou o pagamento de subsídios por parte do Poder Público.

O corte de alguns serviços, como o Citybus, não está descartado, mas ele será mantido até o fim do estudo. Ainda não há prazo para a busca de uma solução, mas Zaratz afirma que as reuniões devem ser diárias e sob o comando da CDTC.

O Estado vai indicar três nomes para compor o grupo que vai analisar os impasses no sistema de transporte coletivo. A Prefeitura de Goiânia vai participar com dois nomes. Aparecida e Senador Canedo terão um representante, cada uma.

Prefeitos de Senador Canedo e Aparecida vão analisar planilhas

Os prefeitos de Senador Canedo e Aparecida de Goiânia pretendem analisar todas as planilhas do transporte coletivo para avaliar quais os custos do Passe Livre Estudantil. Misael Oliveira (PDT) e Maguito Vilela (PMDB) esclarecem que não possuem condições financeiras para arcar com o projeto da maneira como foi apresentado pelo Estado e pela Prefeitura de Goiânia. “É preciso ver quantos alunos são exatamente, quantas viagens e qual o custo. Não podemos jogar dinheiro fora”, afirma Misael.

De acordo com as contas apresentadas atualmente, a prefeitura de Senador Canedo teria de arcar com cerca de R$ 84 mil mensais e a de Aparecida de Goiânia com mais de R$ 350 mil. Segundo Misael, a Prefeitura de Goiânia teria de pagar R$ 1,3 milhão, mas só quer custear R$ 900 mil. “As conversas começam a evoluir agora que as planilhas vão aparecer, por enquanto não tem qualquer solução. Vamos olhar todos os custos e ver o que pode ser feito”, diz o prefeito canedense. O prefeito de Goianira, Miller Assis, também afirma ter dificuldades no financiamento do benefício.

No entanto, o Estado de Goiás e a Prefeitura de Goiânia afirmam que não vão recuar em suas propostas sobre o passe livre. O governo estadual já até mesmo liberou o benefício para cerca de 7 mil alunos de acordo com a legislação aprovada atualmente, em que apenas estudantes da rede estadual e com algum benefício social podem ter o direito.

Já na Prefeitura, a Lei do Passe Livre universal deve ser sancionada ainda nesta semana pelo prefeito Paulo Garcia (PT). “Se for preciso, vou realocar recursos tirando de algum lugar para aplicar em transporte coletivo, pois é uma demanda da sociedade.”

Fonte: Jornal O Popular