7 de julho de 2013

Aposta em shoppings e hotéis


Goiânia vai receber cinco novos shoppings e Aparecida um. No mesmo ritmo, setor hoteleiro terá sete novos empreendimentos. Passeio das Águas, no Setor Norte Ferroviário, será o maior dos novos shoppings em construção na capital goiana.

Com a aposta na continuidade do poder de consumo goiano, até 2016, Goiânia vai receber cinco novos shoppings centers e Aparecida de Goiânia mais um. O maior deles é o Passeio das Águas, instalado no Setor Norte Ferroviário, com 277 lojas, 180 mil metros quadrados de área construída e inauguração prevista para este ano, entre o final de outubro e início de novembro. Os outros cinco (Cerrado, Aparecida, Golden, América e Mega Fama) terão entre 100 e 200 lojas, aproximadamente.

Além disso, cinco já existentes serão expandidos: Mega Moda e Estação Goiânia (próximos à Rodoviária)), Plaza D’Oro (Residencial Eldorado) e Flamboyant. Entre construções e ampliações, o setor tem programado mais de R$ 1,3 bilhão em investimentos nas duas cidades.

No mesmo ritmo estão os empreendimentos hoteleiros. Serão, pelo menos, mais sete empreendimentos, num total de R$ 687 milhões em recursos e quase 2 mil novos leitos. Para justificar os investimentos, as construtoras se baseiam no crescimento, em sete anos, de 150% do tráfego de passageiros do Aeroporto Santa Genoveva e apontam pesquisas sobre a demanda por leitos, que segundo a HotelInvest, será 6% superior em cinco anos. “Hoje, Goiânia sofre uma carência de 2.500 leitos por ano”, reforça Rogério Queiroz Silveira, diretor da Queiroz Silveira Construtora, responsável pelos QS Marista e Two Hands.
Na contramão da expectativa, o presidente do Sindicato da Indústria de Hotéis de Goiânia, Luciano de Castro Carneiro, afirma que a demanda nas duas cidades não comporta tantos leitos. Segundo ele, a taxa de ocupação média na capital não chega a 60% e a quantidade de eventos que ocorrem em Goiânia não é suficiente para atrair o número de turistas necessário para sustentar esse crescimento.

“O que está acontecendo é que as construtoras fazem empreendimentos alegando que haverá um grande retorno para os investidores. Depois que a obra fica pronta e são vendidas todas as unidades, elas saem de cena, entregam para as administradoras, mas o prejuízo da falta de hóspede fica para quem comprou o apartamento, que tem de manter o funcionamento do hotel”, diz.

EMPENHO

Luciano cobra mais empenho dos governos estadual e municipais para a captação de eventos que atraiam mais turistas para a região. Mais uma vez, o economista José Luiz Miranda aponta como problema a falta de uma política consolidada para o incremento do turismo no Estado. “Temos excelentes locais de atração, mas a infraestrutura para receber os visitantes é precária e cara. Infelizmente, esse é um problema que ocorre também no resto do País”, ressalta o economista, que defende ainda a exploração econômica sustentável de espaços ambientais para o turismo.

Capital oferece boa qualidade de vida

Apesar dos crescentes problemas com trânsito, Goiânia é uma capital que atrai moradores e empresas pela qualidade de vida que ainda é possível manter por quem vive na cidade. Essa é uma característica muito evidente entre os investidores que estão acostumados a outros grandes centros do País, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, afirma o responsável pela Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (Semic), José Geraldo Freire.

“Mais de 90% de Goiânia tem rede de esgoto; 99%, iluminação; 97,5% têm meio fio e guia; 88% da cidade têm calçada. Em contrapartida, temos apenas 0,27% de áreas em condições subnormais, que seriam as favelas. Quando apresento esses números para os empresários que nos procuram, são atrativos enormes para eles se estabelecerem aqui. Ou, se as empresas estão na região (Aparecida, Senador Canedo e até Anápolis, por exemplo), eles acabam optando por morar na capital”, relata José Geraldo.

Ele também relaciona como atrativos o menor custo imobiliário na região, comparado a outras capitais, e a proximidade com Brasília. Entre as empresas que recentemente optaram por Goiânia, ele lista a rede de lojas de departamento Havan, que já abriu uma unidade em Anápolis e projeta quatro lojas para a capital. Também cita a empresa de artigos esportivos (comércio e indústria) Decathlon, que, segundo ele, já adquiriu área próxima ao Flamboyant.

POLOS

Com uma posição logística estratégica e um mercado de consumo que está entre os que mais devem crescer em dez anos, Aparecida de Goiânia tem atraído diversas indústrias, centros de distribuição e empresas comerciais. Tanto que já existem projetos para dois polos industriais privados, com capacidade para até 150 empresas no total.

Ambos já teriam demandas de investidores que querem se estabelecer na cidade, afirma o secretário municipal de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia, Marcos Alberto Luiz de Campos. “Os dois devem ser lançados no início do ano que vem. Serão opções confortáveis, seguras e modernas, para que as empresas sejam implantadas”, afirma Marcos Alberto, que cita também a implantação de um polo e um parque tecnológico municipais e do Complexo Empresarial Metropolitano, com recursos do Estado.

Também com investimentos privados, da ordem de R$ 50 milhões, será lançado em Aparecida, até o primeiro trimestre de 2014, o Condomínio Aeroportuário de Goiás, um aeroporto executivo de 200 hectares. Para o secretário, o custo menor e a disponibilidade de áreas na cidade, além da localização, são os maiores atrativos para as empresas, mesmo tendo condições de saneamento ainda precárias - apenas 15% do município têm cobertura do serviço e pouco mais da metade são atendidos com água encanada. “Mas existe uma perspectiva de universalização dos serviços em cinco anos.”

O atendimento da cidade por serviços de água e esgoto também deve gerar crescimento imobiliário em Senador Canedo, segundo expectativa do secretário municipal de Indústria e Comércio, Rafael Gonzales. “Hoje, a vinda de grandes shoppings para a cidade esbarra nesse problema”, opina.
Ele cita como investimentos recentes empresas do ramo alimentício, dos grupos Cicopal e Odilon Santos, além da Hypermarcas, com a fábrica de cosméticos.

R$ 450 milhões em bairro planejado

Com previsão de R$ 450 milhões em investimentos privados em obras, Aparecida está recebendo seu primeiro bairro planejado, na região Nordeste da cidade. O Parque América terá 290 mil metros quadrados de extensão e 4,5 mil apartamentos de dois, três e quatro quartos, além de um parque de 22 mil metros quadrados. Para erguer o bairro, os investidores tiveram de se preocupar com a realização de infraestrutura de urbanismo local (asfaltamento, redes de energia, água e esgoto).

Conforme Ricardo Reis, diretor da GPL Incorporações (parceira da Terral, EBM e Tropical no empreendimento), os primeiros edifícios do Condomínio Caribe serão entregues no ano que vem. “Este empreendimento vai mudar a realidade da cidade, que ainda não tinha nada planejado, como em Goiânia. Com as facilidades e disponibilidade de crédito que existem hoje, as unidades, que custarão entre R$ 160 mil e R$ 200 mil, serão portas de entrada para a casa própria, para que a pessoa viva por muito tempo com qualidade de vida”, frisa.

Fonte: Jornal O Popular