21 de junho de 2013

Se os manifestantes soubessem o que se faz na Assembleia, agora o prédio estaria moído como a reputação dos deputados


A verdadeira festa de cidadania que tomou conta de Goiânia levou para a história a quinta-feira, 20 de junho. No início da noite, começou a se dispersar a multidão concentrada nas avenidas que dão acesso à Praça Cívica, que finalmente honrou o nome. Uma significativa parte dos manifestantes se lembrou de um monumento à gastança e à criminalidade ambiental, o prédio da Assembleia Legislativa. O edifício foi batizado em homenagem a Alfredo Nasser, um político que, se a passeata fosse em sua época, estaria no meio do povo.

Se Nasser soubesse o que se faz na casa que leva seu nome, certamente marcharia com a multidão sobre o prédio e arrancaria qualquer menção a sua biografia, inclusive o busto e a placa. O próprio Nasser ergueria cartazes contra a má qualidade dos deputados. O próprio Nasser faria faixas de protesto contra o que se apronta no Legislativo goiano.

Caso a multidão tivesse conhecimento de que a estátua de óculos representa o avesso da Assembleia, poderia derrubar tudo ali, menos a lembrança a Alfredo Nasser. O prédio é todo irregular, construído criminosamente dentro de nascentes do Córrego dos Buritis. Mas, o que aprontam ali dentro exige mudanças mais imediatas que a derrubada da obra de engenharia. É preciso implodir o prédio, tirar todo o material, devolver o espaço à natureza e recuperar as nascentes. Em 2014, na eleição, virá a melhor das mudanças, a não reeleição dos pústulas. Para isso, basta fiscalizar, flagrar e punir a compra de votos. Nenhum ali é líder o suficiente para ser eleito sem gastar. E a maioria gasta rios de dinheiro.

Se a multidão soubesse de um décimo do que se passa na Assembleia, ela própria derrubaria o prédio, ela própria faria na marra a mudança dos deputados. Mas o certo é guardar a indignação até outubro do próximo ano.

A multidão sabia pouco do que se passa na Assembleia porque é de interesse do Legislativo amoitar informações, mesmo tendo lei que manda abrir aquela caixa-preta. A desculpa para ocultar dados é uma decisão judicial, mas o próprio juiz que a sentenciou diz que estão interpretando mal as suas palavras, como demonstra reportagem no www.portal730.com.br.

A multidão sabia pouco do que se passa na Assembleia e mesmo assim protestou em sua porta. Já imaginou se todos os 6 milhões de goianos soubessem que a Assembleia funciona como o quarto de despejo do Poder Executivo, conforme escreveu o jornal A Rede... A maioria dos projetos aprovados é feita pelo governador Marconi Perillo e os deputados agem como seus vassalos. O próprio presidente da Assembleia, Helder Valin, é do partido do governador, tem os seus métodos e até o mesmo advogado. Aliás, o advogado é do governador, do presidente da Assembleia e de quem quiser processar os críticos do governador e do presidente da Assembleia.

A multidão não sabia das mutretas que levaram a aprovação do 14º e 15º salários. Poucos na multidão sabiam do auxílio-paletó, do lavajato exclusivo, de 72 assessores para um só deputado, dos carros à disposição, do verdadeiro quartel que montado na Assembleia, tirando os policiais militares que estavam nas ruas e que atuam como badecos dos parlamentares.

A multidão talvez não tivesse conhecimento da farra das passagens aéreas por conta do povo, pois os deputados viajam o Brasil e o restante do mundo todo à custa do contribuinte. A multidão não sabe se as passagens são superfaturadas nem como são escolhidas as agências que as vendem. A multidão não sabe que o presidente da Assembleia, Helder Valin, deu a volta ao mundo, no fim do ano passado. Valin estava com numerosa comitiva, em pleno período legislativo. A multidão não sabe se Helder Valin pagou as despesas com dinheiro do Executivo, do Legislativo ou do próprio bolso.

Se a multidão soubesse de tudo o que acontece no Legislativo, é provável que a mudança de local da Assembleia seria precipitada com a demolição no braço. O prédio continua inteiro, mas a reputação dos deputados, que estava aos cacos, ficou moída.

Fonte: Portal 730