21 de junho de 2013

Dilma Rousseff fará pronunciamento às 21h em cadeia nacional de rádio e TV


A presidente Dilma Rousseff vai fazer um pronunciamento em cadeia de rádio e TV nesta sexta-feira (21) às 21h. A decisão pela declaração foi tomada durante reunião pela manhã com seus ministros, convocada ontem para avaliar o efeito dos protestos sobre a imagem do país e decidir o que fazer em termos de segurança.

Em seu discurso, a presidente pretende sinalizar com mais ênfase que há total controle das políticas públicas do governo, sobretudo as com impacto social junto à classe média, e quer lembrar os canais institucionais de participação social. Isso, na avaliação de assessores do Planalto, é uma forma de mostrar respeito às cobranças dos movimentos mais afins à política petista.

A guinada conservadora dos discursos, também detectada pelo Planalto e exposta à presidente nas várias reuniões ao longo do dia, porém, ainda é objeto de análise. A declaração à nação seria uma forma de diminuir uma parte dos descontentamentos, para que haja tempo de diagnosticar a guinada conservadora de algumas parcelas de manifestantes.

Dilma deve ainda agendar reunião com governadores e também prefeitos para debater a pauta de reivindicações dos manifestantes e discutir formas de adotá-la.

Ela fez mais de uma reunião pela manhã com ministros para discutir o risco de as manifestações seguirem sem controle no país, o que pode colocar em risco os jogos da Copa das Confederações, além de prejudicar a imagem do país perante investidores estrangeiros.

PROTESTOS

Mesmo após a redução em série das tarifas de ônibus, principal reivindicação dos protestos que tomaram conta do país, novos atos levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas em cerca de cem cidades. Hoje há previsão de atoes em cerca de 60 municípios.

No 14° dia de manifestações, cenas de violência e vandalismo foram registradas em 13 das 25 capitais, que tiveram protestos. Ocorreram ataques ou tentativas de invasão a órgãos dos Três Poderes em nove cidades. Ações de repúdio a partidos políticos foram recorrentes.

Em Brasília, que contabilizou mais de 50 feridos, um grupo quebrou os vidros do Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores e houve princípio de incêndio. Dois ministérios foram pichados, e o Banco Central teve vidraça danificada.

"Foi um ato de vandalismo que não pode se repetir. Eu conclamaria a todos os manifestantes que observassem a calma e que respeitassem o patrimônio da nação", disse o chanceler Antonio Patriota à rádio CBN. "Fiquei muito indignado com o que ocorreu."

No Rio, o protesto reuni 300 mil pessoas e terminou num grande confronto que se espalhou pelo centro e terminou com mais de 60 feridos. Agressores chegaram a atacar um veículo blindado da Polícia Militar, conhecido como "caveirão".

Em Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), pelo menos 25 mil pessoas foram às ruas na quinta-feira (20) para protestar. O estudante Marcos Delefrate, 18, morreu após ser atropelado por um carro que furava um bloqueio de manifestantes --a primeira morte desde que começou a escalada de protestos, há duas semanas. Outras três pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave. O motorista está foragido.

Em São Paulo, a comemoração pela redução da tarifa, de R$ 3,20 para R$ 3, foi marcada por hostilidades de manifestantes contra membros de partidos políticos como PT, PSOL e PSTU. A multidão gritava "fora, partidos, vocês querem o povo dividido". Os petistas, o maior grupo, deixaram o ato.

O Movimento Passe Livre (MPL) emitiu nota no início da madrugada desta sexta-feira em repúdio aos atos de violência contra partidos políticos durante as manifestações. Às 20h, mais de 110 mil pessoas se reuniam na avenida Paulista, segundo o Datafolha.

Petistas foram expulsos do ato, que reuniu 110 mil pessoas às 20h, segundo o Datafolha.

Fonte: Folha de São Paulo