27 de junho de 2013

Construção do VLT em Goiânia começa em setembro


O Governo de Goiás prevê para setembro o início da construção, em Goiânia, do VLT, Veículo Leve sobre Trilhos, por meio de parceria com a iniciativa privada. De acordo com o presidente do Grupo VLT, Carlos Maranhão Gomes de Sá, o projeto é viável porque oferecerá mais conforto e segurança aos usuários, além de ser um veículo muito menos poluente. Segundo Maranhão, o projeto VLT traz ainda, como o maior de todos os benefícios, a requalificação e redinamização da Avenida Anhanguera. Em entrevista ao Goiás Agora, Maranhão falou sobre o assunto.

Qual a principal vantagem da construção do VLT em Goiânia?

Carlos Maranhão – A principal vantagem é dotar a cidade e os usuários do transporte coletivo com um modal de melhor e mais alta qualidade. Evidentemente esse modal não pode ser colocado em toda parte do sistema e em todas as linhas, porque depende da quantidade de passageiros e também de recursos. Nós agora estamos conseguindo colocar esse modal no Eixo Anhanguera porque tem uma demanda muito grande de passageiros. São mais de 240 mil passagens por dia. E também porque estamos fazendo isso em parceria com a iniciativa privada, que vai bancar cerca de 40% do investimento.

De que forma o VLT trará melhorias para o transporte coletivo da capital?

Carlos Maranhão - Ele traz melhorias na medida em que é um transporte que dá ao passageiro mais conforto, mais segurança, mais confiabilidade e é um veículo muito menos poluente que o veículo que utiliza o combustível fóssil, já que é movido à energia elétrica. E, além disso, ele vai trazer, como o maior de todos os benefícios, um projeto de requalificação e redinamização da Avenida Anhanguera, por onde ele vai passar, que é o antigo corredor dos ônibus. No bojo desse processo está ainda a proposta de requalificação de toda a avenida, estimada em cerca de R$ 93 milhões.

De que maneira será feita essa requalificação?

Carlos Maranhão - Essa requalificação será feita na parte das pistas, no piso das laterais, que vão ser ocupadas por veículos particulares e pelo trânsito comum, onde o asfalto das laterais das pistas será totalmente refeito. Também teremos uma faixa exclusiva para o trânsito de bicicletas, uma ciclovia. E além disso, a requalificação continua nas calçadas, onde vamos ter as calçadas refeitas de uma forma mais ecologicamente correta, com faixas para grama, com a faixa para arborização, além das faixas para pedestres e de acesso às residências, às lojas e aos prédios da rua. No mais, toda a fiação e cabeamento da avenida serão subterrâneos. E todo o mobiliário urbano, como lixeiras, bancas e bancos para assentamento vão ser melhorados e modificados e serão colocados de acordo com projetos próprios para cada localidade da Anhanguera. Campinas, por exemplo, terá um projeto próprio de urbanização; o Centro vai ter outro, mais inspirado na Art déco; o Setor Universitário vai ter outro também diferente e assim por diante. E todas as praças, um total de nove que existem ao longo da Avenida Anhanguera, todas elas serão requalificadas e reurbanizadas. Além disso, problemas relativos à drenagem da avenida serão corrigidos. Essa é outra vantagem que será deixada para a cidade, tudo isso sem falar no benefício do transporte propriamente dito.

Para quando está previsto o início e o término das obras?

Carlos Maranhão – Ele começa ser construído a partir de setembro. Estamos prevendo a abertura das propostas para o dia 2 de agosto e um mês após estaremos iniciando as obras, que deverão durar aproximadamente 24 meses.

Qual a origem dos recursos aplicados na obra?

Carlos Maranhão – O projeto vai ser desenvolvido em parceria com a iniciativa privada, será, portanto, uma parceira público-privada, na qual o poder público entra com R$ 800 milhões e a iniciativa privada com 500 milhões. Os R$ 800 milhões do poder público serão divididos da seguinte forma: R$ 215 milhões serão conseguidos pelo PAC da Mobilidade do governo federal, e o restante, R$ 585 milhões, são recursos que o Estado já possui e que foram conseguidos via empréstimos junto ao BNDES e Banco do Brasil.

Como o Estado analisa o custo previsto da obra no valor de R$ 1,3 bilhão?

Carlos Maranhão – É claro que é um valor normal a ser gasto e próprio para investimentos em VLT. Desse valor cerca de R$ 500 milhões vão ser gastos exclusivamente com material rodante, com a compra de vagões importados, porque esse material não é fabricado no Brasil. As obras civis vão ficar em cerca R$ 550 milhões, quando a gente considera que serão construídos, com essa verba, cinco terminais que comportarão atividades de shopping; quando se coloca também a extensão dupla dos trilhos, de 14 quilômetros de ida e volta, e comparando tudo isso com investimentos feitos em outros Estados, como Rio de Janeiro ou na cidade de Salvador, vemos que os recursos que serão aqui investidos estão na mesma proporção.

O que será feito para amenizar os transtornos da obra?

Carlos Maranhão – Será feito tudo o que for necessário, já tivemos uma reunião com os lojistas para discutir esse assunto. A principal questão é que estamos pensando uma metodologia que vai trabalhar inicialmente apenas no canteiro central, e por quarteirão. Não se fará o quarteirão da frente sem ter terminado o anterior. Apenas quando a obra tiver avançado dois ou três quarteirões é que faremos a parte de urbanização fachada a fachada, que afeta as calçadas, de maneira que as obras terão continuidade sempre, sem estar isolando a frente dos lojistas por muito tempo. Estamos imaginando que nesse caso vamos permanecer por, no máximo, um mês em cada quarteirão ocupado por obras, dentro dos 24 meses totais previstos para o término da obra. Além disso, estamos propondo todo um sistema de monitoramento de trânsito junto com a Secretaria Municipal de Trânsito (SMT) de maneira que os cruzamentos não fiquem fechados por muito tempo, não mais que uma semana. E vamos ainda estudar certos tipos de compensações tributárias para a queda no faturamento das lojistas.

Fonte: Goiás Agora