23 de junho de 2013

Após suspense sobre possível recuo na implantação do novo módulo de transporte público, projeto do VLT será mantido

Mesmo submerso em dúvidas quanto aos reais benefícios da implantação do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) no Eixo Anhaguera, e os transtornos que as obras provocarão aos comerciantes e à população em geral, o governo do Estado pretende abrir a licitação do VLT na próxima semana, segundo informações do coordenador do projeto, Carlos Maranhão.

Ontem, Maranhão e representantes do fórum empresarial, sindicato de lojistas e comerciantes de diferentes setores se reuniram com o governador Marconi Perillo (PSDB) para tratar dos impactos das obras. Maranhão afastou as conversas de que o governo poderia desistir ou pelo menos adiar a execução das obras. “Fui contratado para fazer implantação do VLT, não ‘enterração’. Então, vou implantar”, declarou.

Ele disse que não há impasses no governo quanto à agilidade no início das obras. Com edital aprovado pela Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC) desde fevereiro, a licitação pode ser aberta a qualquer momento, mas o governo vinha estudando formas de convencer empresários e até mesmo aliados envolvidos com o VLT sobre as benesses do projeto. Nos últimos dias, as conversações eram de que Marconi poderia desistir da implantação do VLT, pois a previsão é de pelo menos 24 meses para que as obras sejam concluídas.

“Não há impasse no governo. O que existe é um desejo de ouvir a sociedade, de solucionar qualquer dúvida em relação ao projeto, porque se trata de uma obra de grande envergadura, um projeto grandioso que mexe com a vida da cidade. Nós, que estamos cuidando desse projeto, temos certeza de que é um projeto viável e muito bom para a cidade. Mas ele causa alguns impactos, durante as obras e depois, e isso precisava ser discutido para que não repitamos transtornos que já ocorreram com obras desse porte, como ocorreu com a implantação do Eixo Anhanguera, em 1998”, disse Maranhão, justificando a reunião do governador com alguns setores.

Segundo ele, a maioria dos comerciantes presentes se mostrou favorável, mas com várias críticas, e houve quem se posicionasse contrário ao projeto. Mesmo assim, o cronograma será mantido, com previsão de abertura da licitação na próxima semana. “As críticas são sempre no sentido de melhorar no período de construção, que é um período mais grave, porque a cidade acaba sendo afetada. Tivemos cuidado de mostrar como estamos fazendo, de forma modulada, de maneira que outros trechos não serão interditados, mas, ao mesmo tempo, estivemos abertos a uma série de sugestões que vão ser estudadas para retomarmos a solução”, ponderou.

Obras serão mantidas no período eleitoral

Maranhão também procurou minguar a preocupação do governo com as eleições do próximo ano. Como a previsão é de pelo menos dois anos de obras, alguns aliados de Marconi e o próprio governador estariam preocupados com transtornos durante o período eleitoral. “Esse governo não pensa em obra nenhuma sob ponto de vista eleitoral, o que nós pensamos é no bem-estar da população. Se vai demorar, vai passar a eleição ou não, isso é questão do tamanho da obra, não de opção eleitoral”, afirmou, lembrando que os recursos que cabem ao Estado já estão garantidos, faltando apenas o da iniciativa privada.

Questionado, novamente, se não haveria possibilidade de postergar a abertura de licitação e execução das obras, indignou-se: “Para quê postergar? Vocês (imprensa) acham que é justo dizer para as pessoas que estão andando em condições ruins e podem andar em condições melhores que elas têm de esperar mais dois anos porque vai ter eleição aí?”, indagou.

O valor da obra é de R$ 1,3 bilhão, sendo R$ 500 milhões do Estado, divididos em R$ 200 milhões do Fundo de Implantação do VLT, e R$ 300 milhões de empréstimos, via BNDES. Da união, já estão assegurados mais R$ 215 milhões, por meio do PAC da Mobilidade Urbana. Mais R$ 585 milhões devem vir da iniciativa privada. Após abertura, a licitação tem prazo de 45 dias para apresentação de proposta.

Fonte: O Hoje