15 de maio de 2013

Reunião define aumento na tarifa do transporte coletivo



Duas semanas depois da greve dos motoristas de ônibus, os nove componentes da Câmara Deliberativa de Transporte Coletivo (CDTC) devem definir no fim da tarde de amanhã, na sede da Secretaria de Estado de Desenvolvimento da Região Metropolitana (SEDRM), o reajuste na tarifa do transporte coletivo. A passagem deve ser aprovada no valor de 3 reais nos ônibus convencionais e 1,50 real no Eixo Anhanguera, válidos a partir de segunda-feira. O reajuste chega a cerca de 11% e teria sido motivado, principalmente, pela variação no preço do óleo diesel, de 16% no último ano. Os números ainda não foram confirmados oficialmente.

A reunião para a recomposição da tarifa, que é prevista no contrato de concessão com as empresas do transporte coletivo, ocorrerá exatamente 14 dias após a greve dos motoristas de ônibus. Os funcionários paralisaram suas atividades e prejudicaram a locomoção de milhares de pessoas na Grande Goiânia nos dias 2 e 3 de maio. Ao final do movimento, conseguiram aumento de 9% no salário e 25% no tíquete alimentação. A possibilidade de reajuste da tarifa foi antecipada pelo POPULAR, na edição do dia 4, mostrando que o aumento concedido aos motoristas poderia servir de pretexto para alteração no preço da passagem. Na semana passada, estudantes e usuários do transporte coletivo realizaram manifestação no Centro da capital questionando o aumento. O último reajuste ocorreu há um ano. Em 20 de maio do ano passado começou a vigorar o preço atual, de 2,70 reais.

A reunião de amanhã tem apenas dois pontos como pauta: a recomposição tarifária e “outros assuntos de interesse da CDTC”. A Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) afirma que a recomposição tarifária é prevista na cláusula 24 do contrato com as empresas. Para o reajuste, a própria CMTC deve realizar um estudo que verifica diversos itens, como a recomposição salarial dos funcionários, os gastos com a frota de ônibus e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O órgão municipal informa que um estudo já foi realizado e entregue para a Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (AGR), que aprecia se o relatório está em conformidade com as regras.

A AGR analisa o estudo e o leva para a reunião na CDTC, da qual também é membro. Os nove componentes têm poder de voto igualmente e definem se o reajuste será ou não aprovado. No entanto, extraoficialmente, as empresas do transporte coletivo de Goiânia confirmam que já existe um acordo para o reajuste. Além da CMTC, AGR e SEDRM, participam da CDTC as prefeituras de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo - que representa as demais 16 prefeituras da região metropolitana -, a Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável (Semdus) e um representante da Assembleia Legislativa, o deputado Talles Barreto (PTB).

Confusão

Todos os representantes foram convocados para a reunião pela Secretaria da Região Metropolitana na segunda-feira e confirmaram a presença. No início da tarde de ontem, a CMTC era o único órgão que negava a existência da reunião e dizia que o estudo do reajuste tarifário não havia nem mesmo começado. Informada pelo POPULAR da existência dos ofícios confirmado a reunião, houve uma mudança de versão e a justificativa do órgão é que teria ocorrido um erro de comunicação. A CMTC diz que o estudo do reajuste é enviado a todos os componentes da CDTC para que possam avaliar o seu teor.

A mudança do valor da passagem para 3 reais já era temida pelos usuários do transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia, já que a fixação de reajustes tornou-se usual depois de movimentos salariais dos motoristas do sistema.

Nos últimos dois anos não houve greve oficial dos funcionários, principalmente por causa da disputa entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado de Goiás (Sindittransporte), que representa a categoria oficialmente, e o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Goiânia e Região Metropolitana (Sindicoletivo). Neste ano, o Sindicoletivo criticou o acordo trabalhista feito pelo Sindittransporte com o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Goiânia (Setransp)

Fonte: O Popular