5 de maio de 2013

“Marconi não vai perder gol se tiver quem lhe passe a bola”


Depois de assumir a Saneago, o ex-prefeito de Itumbiara diz que vai trabalhar pela reeleição do governador e que o sucesso só depende da ajuda dos auxiliares do governo
Renan Accioly/Jornal Opção
Ele talvez seja um dos políticos goianos de maior carisma pessoal. Pode se falar muita coisa de José Gomes da Rocha, ou simplesmente Zé Gomes. E falam. O que não se pode é negar que ele vai além de toda a polêmica que seu nome desperta: consegue produzir resultados. Os avanços em sua cidade de origem, Itumbiara, onde foi prefeito por oito anos, mostram isso. “Passamos de zero por cento de esgoto para uma cidade destaque em saneamento básico.”

O ex-prefeito de Itumbiara é agora presidente da Saneago, estatal pela qual diz ter se apaixonado após ter implementado a rede de esgoto em sua cidade. “Ainda preciso de alguns meses para conhecer toda a empresa”, admite. Com sua experiência de 30 anos na vida pública, vai certamente ajudar na política do governo. Zé Gomes gosta muito de futebol — é torcedor fanático do Itumbiara, clube o qual ajudou bastante a ser campeão goiano em 2008. E é com uma metáfora futebolística que ele, ótimo frasista, vê o momento atual do governador. “Marconi é como Romário: precisa de alguém para lhe passar a bola. Se receber a bola na área, não tem goleiro que o segure. Gol ele sabe fazer.”

Nesta entrevista ao Jornal Opção, ele exalta o governador, de quem passou a ser companheiro fiel, e adverte o PMDB, onde tem Iris como padrinho de casamento: “Estão trocando Iris por uma marca de boi.” Polêmico, o que não é nenhuma novidade em se tratando de Zé Gomes.
Patrícia Moraes Machado — Como o sr. tem avaliado o quadro sucessório estadual para 2014?
Vamos pegar os nomes de Marconi Perillo, Iris Rezende, Paulo Garcia, Antônio Gomide e Júnior Friboi (José Gomes toma uma folha de papel e faz uma lista com os cinco nomes). Você consegue ver alguém candidato ao governo além desses cinco nomes? E qual desses poderia ser uma surpresa? Qual seria o potencial de cada um, as virtudes, os defeitos? E é olhando para essa turma que eu me sinto bem à vontade para dizer que Marconi ainda é o mais próximo da perfeição.
Patrícia Moraes Machado — Perfeição em quê? O que é essa perfeição para o sr.?
É o cidadão que, em um país que não cresce, conseguir fazer com que seu Estado seja o que mais tem crescimento. É um cidadão que durante um ano e meio foi patinho de parque, daqueles que caem e levantam, e continua firme. Tem um ano e meio que Marconi Perillo é um patinho de parque. Está aí a “CartaCapital” desta semana. Está o mundo inteiro batendo nele e ele resiste. Nenhum desses outros políticos de Goiás teria essa estrutura. Ele tem um governo raivoso em nível nacional contra ele. Tem um ex-presidente poderoso e que morre de ódio dele [Luiz Inácio Lula da Silva]. E ainda tem o fogo amigo e ex-aliados, que acham que podem meter a pá de cal sobre Marconi. E o governador continua dormindo às 3 horas da manhã e acordando às 5. Nenhum político conhece Goiás como Marconi. Lá em Itumbiara, quando vou conversar com uma pessoa, sei o que ela quer só de olhar nos olhos. A inocência faz muito bem para todos nós. É muito melhor para sua alma ser tapeado do que tapear, ser traído do que trair. Às vezes é muito melhor não saber de nada. Se você pegar essa lista de nomes que eu falei — me perdoe não dizer o perfil de cada um —, mas aqui tem cidadão que não sabe nem a hora em que está com fome, tem cidadão que quer governar Goiás pelo ódio, tem cidadão que quer isso para ter mais poder do que já tem, porque parece que esse poder ainda é muito pouco. E tem Marconi, que é o único ainda que vai ao interior e sabe quem é o bispo, quem é o padre, quem é o pastor, quem é o prefeito, quem é o ex-prefeito, os problemas que tal cidade tem. O que está faltando a ele — e vai resolver isso agora — é voltar a governar no interior, ir para lá e saber que ele tem “x” e pode gastar “x”, e que tem chance de esse “x” se multiplicar. É preciso que ele junte sua equipe para pedir uma pausa e dizer que, em primeiro lugar, estão os interesses de Goiás. Porque, se Marconi se afogar, antes dele morrem mais de 50 outros que acham que são “os caras”. Mas não são: é o brilho de Marconi que dá sustentação a esse mundo velho de pessoas. E são essas pessoas que, em determinado momento, enfraquecem o governador.
Patrícia Moraes Machado — Por que ele deixou essas pessoas tomarem conta do governo?
Porque tem um ano e meio que ele virou patinho de parque.
Cezar Santos — O sr. está dizendo que Marconi está fragilizado?
Estou dizendo que ele está em um processo de recuperação. Uma pessoa normal, no meio desse tiroteio que Marconi sofreu, teria enfartado.
Patrícia Moraes Machado — Essa divisão de poder, essas células dentro do governo, isso não seriam em função das dívidas de campanha?
Eu sou político e posso dizer: todo mundo acha que é dono da gente. E cada um põe seu preço. O preço que digo é o preço financeiro. É muito comum um suplente de vereador de uma vila qualquer achar que é o dono da gente. E nós, políticos, nunca gostamos de dizer que o cidadão não é. Digo isso do fundo do coração. Marconi é muito melhor do que nós pensamos e eu aceitei fazer parte do governo dele porque perguntei uma vez se teria uma vaga para um amigo de verdade. Sinto-me na obrigação de ir com o governador ao interior e ter uma conversa de alma com ele. Marconi é melhor do que podemos imaginar. Olhe esta lista: ache um mais puro que o Marconi.
Elder Dias — Estamos falando do “mais puro” ou do “menos impuro”?
Alguém que chega a um patamar como esse, no mínimo, tem muitas qualidades. De outra for­ma, não chegaria. Se eu não estiver equivocado, Marconi vai surpreender todos nós para melhor. Vive­mos em um período crítico, em que o funcionalismo quer ga­ran­tir aumento de salário, que os po­líticos querem garantir suas reeleições. É o momento em que quem está dentro não quer sair e quem está fora quer entrar. Só que nessa arca não cabe todo tipo de bi­cho. Quantos querem a vaga ao Se­­na­do, neste momento? Cyro Mi­randa [senador do PSDB-GO, que era suplente de Marconi] quer sair? Você acha que Vilmar Rocha [de­pu­tado licenciado pelo PSD e se­cre­tário-chefe da Casa Civil do Es­tado, lançado como pré-candidato por Marconi] não quer entrar? Mas quantos, ao todo, vocês não acham que estão querendo essa vaga de senador? É um problema pra Marconi. E tem também essa briga de Goiás e outros Estados frágeis para não perder incentivos fiscais, para poder atrair empresas e indústrias. Se depender dos paulistas, eles querem tudo para eles o resto da vida.
Patrícia Moraes Machado — O sr. já esteve na cozinha do PMDB, com Iris Rezende, com Maguito Vilela. Participou das relações íntimas do partido e hoje está do outro lado, dividindo o poder com Marconi Perillo. Quais diferenças o sr. vê entre esses grupos políticos?
Eu me elegi vereador em 1976. Era gostoso fazer política. Eu era de oposição e não conhecia os quintais do palácio. Éramos inocentes ao ponto de sonhar, sonhar e lutar. Era a época do AI-5 [Ato Institu­cional nº 5, que cassou e cerceou direitos políticos], não tínhamos eleições nas capitais e um terço do Senado era biônico. A maior autoridade da cidade era o líder que o governo indicava, o cabo fulano, o sargento beltrano ou o delegado sicrano. Em 1979, Iris foi padrinho de meu casamento e estava proibido de participar de reuniões e aglomerações. Car­regávamos no bolso um cartãozinho do Iris escrito “bom para 70”, com um arco-íris e um machadinho desenhados.  Isso era nossa “identidade”. Vivía­mos o momento do bipartidarismo: tinha o bar da Arena e o bar do MDB, um açougue da Arena e outro do MDB, até lavador de carro ou era de um ou de outro. Com o pluripartidarismo as pessoas foram escolhendo outras siglas. Do PMDB vieram, por exemplo, Marconi e eu e muitos outros que estão por aí. No cafezinho da Câma­ra, uma vez, eu comentei que, depois Mar­co­ni ganhou as eleições em Goiás e que Osama Bin Laden atacou as torres gêmeas, os pequenos perderam o respeito pelos grandes. Então, hoje todo mundo acha que pode ser governador de Goiás porque Marconi conseguiu. Todo mundo acha que pode ser o novo profeta. Mas não é por aí. Eu ainda vejo Iris Rezende e Marconi Perillo como os dois nomes de maior potencialidade para disputar o governo. Iris porque não morre e Marconi porque é uma fênix.
Elder Dias — Mas Iris também não seria uma fênix? Ele estava praticamente morto para a política depois de perder a eleição para o Senado em 2002.
Sim, percebe-se a facilidade que Iris tem para se recuperar. Você pode colocar Iris Rezende dentro de uma máquina de moer carne. Quando você virar para pegar o saco plástico para ensacá-lo, vai vê-lo de terno e gravata, sorrindo e te abraçando.
Patrícia Moraes Machado — E por que o sr. abandonou esse grupo do PMDB?
No interior ainda tem dificuldade pelos cotovelos para ocupar seu espaço. Ainda há o coronelismo, um grupo que manda e comanda. Se você quiser alcançar alguma coisa, é preciso buscar seu próprio espaço. Eu cheguei a voltar para o PMDB: saí do MDB como vereador e voltei como deputado federal. Saí do MDB para me candidatar a deputado federal em 1986 pelo PDC, por acreditar que Mauro Borges deveria voltar a ser governador de Goiás mais uma vez, por sua história, por não ter concluído seu mandato e por ter uma visão bem mais ampla que os políticos de sua época. Era uma coisa de estudante, de apaixonado em política, nada contra o dr. Henrique Santillo. Era o espírito de goianidade, de saber que um filho de Pedro Ludovico e de dona Gercina Borges poderia voltar ao Palácio das Esmeraldas pelo voto, depois da maneira com que saiu de lá. Eu o abracei como candidato a governador em 1986 e tive o privilégio de ser deputado federal com ele, a partir de 1990. Gostava muito dele, tanto que dei o nome dele ao parque ecológico de Itumbiara. Não tem como falar mal de Mauro Borges. E naquele momento, em 1986, eu fui com Mauro e a cidade de Itumbiara, também. Voltei ao PMDB depois, como deputado federal. Iris tinha perdido a eleição [em 1998] e muitos o estavam deixando. Eu o procurei e falei que voltaria ao PMDB para ficar ao lado dele [José Gomes acabava de ser reeleito deputado federal pelo PSD]. Mas eu quis ser prefeito de Itumbiara e fui vetado, pelo então governador Maguito Vilela, que hoje é meu amigo. Meu sonho era curto: não queria ser senador, governador ou presidente da Re­pública, o que eu queria era governar minha cidade. Recorri então a dona Iris Araújo. Mas ela me disse que tinha compromissos já. Vi então que eu estava no lugar errado.
Patrícia Moraes Machado — E quem o PMDB apoiou na cidade?
Cairo Batista. Senti que eu não servia. Na política não tem dois termos, eu não era “o cara” naquele momento. Hoje tenho um grande carinho por Maguito Vilela, vejo que ele está fazendo uma administração com elegância à frente de Aparecida de Goiânia, uma cidade problemática. Hoje é preciso ser elegante até para perder, até para não dar conta, se for o caso. E ele está sendo equilibrado na condução da cidade. Para a eleição de 2006, depois de tudo, fiz uma visita a Iris na fazenda dele. Cheguei até ele e disse: “Padrinho, eu sou coerente e estou aqui para dizer que quero apoiar o sr. para governador. Vou procurar a imprensa e dizer que o sr. é meu candidato. Mas se o candidato for Maguito, vou dizer que não gostaria de apoiar.” Então, acabei por apoiar Alcides Rodrigues, que até então tinha cerca de 5% nas pesquisas de intenção de voto. Meu vínculo com Marconi começou aí.
Frederico Vitor — Mas em 2000 o sr. concorreu em Itumbiara pelo PMDB, contra Luiz Moura?
Nessa, que eu perdi, seria bom você me perguntar qual ajuda me deu o PMDB estadual. Fiquei sozinho enfrentando Marconi Perillo e cheguei a ter 47% dos votos. Estiveram em Itumbiara os artistas mais famosos do Brasil na época, como Zezé di Camargo e Luciano, Leonardo, Ivete Sangalo, É o Tchan, entre os outros. Daquela vez eu senti o quanto Marconi é bom de luta. A poucos dias da eleição, a dra. Maria Teresa Alencastro Veiga, então relatora de um processo contra mim, em um trabalho bem articulado, fez com que minha candidatura fosse cassada por unanimidade pelo TRE [Tribunal Regional Eleitoral]. Fiquei dois dias em Brasília cassado e com a eleição chegando, tentando reverter a situação. Até que o ministro Nelson Jobim me deu a liminar com o direito de continuar a ser candidato. Mas, aí, eu já havia me estourado.

A partir daí, ganhei em 2002 para deputado estadual e em 2004, finalmente fui eleito prefeito de Itum­biara, reeleito quatro anos depois.
Patrícia Moraes Machado — Qualquer coisa envolvendo seu nome foi sempre sinal de poder político, principalmente em Itumbiara. O empresário Júnior do Friboi, com pretensões eleitorais, disse que investiria maciçamente em seu adversário no ano passado, Gugu Nader (PMDB), porque essa vitória seria um marco, inclusive contra Marconi. Por que isso ocorre?
Estive com Júnior do Friboi em duas ocasiões. Na primeira, eu estava em uma comitiva de prefeitos em visita à Europa e acabamos por nos encontrar em Paris. Foi lá que o vi pela primeira vez. Ele estava com outro grupo, de megaempresários. Depois de muito tempo, Marconi foi receber uma homenagem em Salvador, da Assembleia Legislativa da Bahia [a solenidade ocorreu em maio de 2011]. Fui informado de que eu trocaria de comitiva e seguiria em outro, em um avião com o empresário Júnior do Friboi. Ele, no caminho, me revelou que seria candidato. Eu lhe disse: “O sr. me falou na hora certa, porque eu ainda não tenho compromisso, de maneira que podemos sentar para conversar.” O que pedi foi a ele foi que conversássemos com meu grupo em Itumbiara. Nosso grupo lá não tem racha. Disse-lhe, então, que ele era um bom nome para o Senado. Friboi me olhou um tanto assustado e falou: “Mas não sou candidato a senador; sou candidato a governador.” Eu então respondi: “É a primeira vez que estou falando de política com o sr., então vamos colocar os pingos nos is. Para governador o sr. tem de entrar na fila, porque já tem um candidato natural, que é o atual governador. O atual governador sempre é o candidato natural.” Depois pensei comigo mesmo que não deveria ter dito isso. Mas penso comigo hoje: fui correto. Não poderia dar expectativa para uma coisa que não iria acontecer, que era meu apoio a ele. Se eu falar para alguém que estou trabalhando em alguma coisa, pode ter certeza de que vai sair. É como aquela frase que tinha antigamente em restaurantes às margens das rodovias, quando a gente parava para fazer uma refeição: “Aguarde, estamos caprichando.” É assim comigo, o que eu pego para fazer acontece. E então, de repente está Júnior do Friboi bancando a campanha de Gugu Nader em Itumbiara. Só que os gastos começaram a ficar exagerados. De nosso lado, fizemos o compromisso de não fazer um único comício em Itumbiara. E não fizemos. Come­çamos a ver trio elétrico — que é proibido —, carretas, avião chegando, avião subindo. Júnior do Friboi praticamente se mudou para Itumbiara: era padrinho de formatura, virou arrematador de leilão de barraquinha, se Gugu ia ao hospital para um procedimento, logo chegava o Friboi, preocupado. Então liguei para Célio [Silveira, prefeito de Luziânia] e disse que estavam massacrando nosso grupo. Liguei então para Júnior do Friboi, que me disse: “Olha, você vai me desculpar, não é nada pessoal, mas Iris me fez uma ligação e me fez um único pedido pela nossa amizade: que eu tomasse conta do ‘filho’ [Gugu Nader] que ele tem em Itumbiara.” Iris disse a Júnior que a eleição de Gugu Nader era o começo de tudo, em termos de retomada do poder. Ele disse que devia favores à família de Iris, também. Qualquer um aqui em Goiás sabe que Gugu Nader só andava com Júnior do Friboi. Pensei comigo: quem tem de bater em um, para bater em dois não custa nada. Reuni o povo na cidade e vi quem tinha compromisso conosco. Disse: “Vocês querem ganhar? Somos nós contra um mundo financeiro.” E ganhamos com 60% dos votos [José Gomes elegeu seu candidato, Chico Balla, do PTB] e fizemos 10 dos 13 vereadores.
Patrícia Moraes Machado — Por que o foco de Iris em Itumbiara?
Desde antigamente tudo começava por Itumbiara. Isso vem desde a união da UDN para apoiar o senador Pedro Ludovico Teixeira, no grande acordo com Mauro Borges, quando Itumbiara ganhou a Cargill e se tornou uma das primeiras cidades a receber esgoto em Goiás. Em 1982, Iris Re­zen­de lançou sua candidatura ao go­verno em Itumbiara. O mesmo ocorreu com Mauro Borges em 1986, no dia 20 de março, na Praça da República, um grande comício, em Itumbiara. O mesmo ocorreu com Paulo Roberto Cunha, em 1990. A primeira grande concentração da campanha de Alcides Rodrigues também foi lá. As águas do Rio Paranaíba dão muita sorte a quem começa um projeto por lá.
Patrícia Moraes Machado — Marconi trouxe o sr. para seu lado. Iris falou para Friboi investir em Gugu Nader, certamente para enfraquecê-lo. Parece que não é Itumbiara que puxa o foco político, mas o sr. Por que isso?
Nas últimas quatro eleições majoritárias em Itumbiara, o grupo político liderado por mim teve 75% dos votos válidos.
“Político é igual bife, apanha todo dia”
Patrícia Moraes Machado — Isso repercute na região?
Sim. Itumbiara tem uma área de influência muito grande. Em Cachoeira foi a mesma coisa, em Bom Jesus também. O PMDB tinha Goiatuba como sua capital e perdeu lá. Para comparar, na última eleição ao governo, só Itumbiara e Cachoeira fizeram o contraponto a Aparecida de Goiânia. Maguito deu 34 mil votos de frente para Iris, Itumbiara e Cachoeira deram 34 mil votos de frente para Marconi. Vinte e duas cidades do Sul deram 24 mil votos de frente para Marconi, Itumbiara sozinha deu 31 mil votos para Marconi. O quadro no Sul de Goiás hoje é outro com Zé Gomes. Temos as Prefeituras de Itumbiara, de Cachoeira, de Buriti, que não foi meu candidato mas é da base aliada, de Água Limpa, de Goiatuba, onde há muito tempo não ganhávamos, de Inaciolândia, de Bom Jesus, Morrinhos, também muito influenciada por Itumbiara. Então o Sul de Goiás está forte e a oposição sabe disso e vai bater muito em Zé Gomes. Pode ter certeza de que eles vão atirar no Zé Gomes. E podem fazer o que quiserem, que serão 75% de novo. Podem mudar pra Itumbiara que vão levar porrete de novo. Ninguém bate uma família unida.

Nós juntamos Itumbiara a favor de quem prestigia a cidade. E é Marconi Perillo quem prestigia a cidade de Itumbiara. Os amigos de Marconi deveriam entender que é assim, em vez de levar problemas, deveriam levar solução. Por isso que eu digo, dentro de 30 dias vocês vão ver o que vai virar a Saneago, a revolução de gestão que vamos fazer. Gestão é quando a pessoa acorda cedo se lembrando da empresa, almoça falando da empresa, passa a tarde, janta pensando, reúne de madrugada, conversa sobre a empresa. Quem atrasar processo, na terceira vez, será substituído. Vou ter uma ocorrência boa na Saneago porque não tenho empreiteira, não sou sócio de empreiteira, não tenho vínculo com empreiteira. Quero o benefício da empresa. Não vou pedir comissão, eu nunca pedi porque iria pedir agora? E olhe que não tem nenhum telefone de dez anos para cá mais grampeado que o meu. Sou grampeado por todos os órgãos que se possa imaginar. Sei disso porque já me contaram.
Patrícia Moraes Machado — O sr. se arrepende de ter apoiado Alcides Rodrigues?
Quando eu viajei para o Leste europeu, minha missão era convencer o dr. Alcides a ser candidato a senador na chapa do então governador Marconi Perillo em 2010. Assim, Iris não teria deixado a Prefeitura de Goiânia. Eu teria feito um bem para Goiás e para Goiânia. Meu pensamento era dr. Alcides como senador, com Marconi candidato a governador e Ademir Menezes (PR) assumindo o governo. O DEM ocuparia a vice, como de fato ocupou, e eu ainda apoiaria Raquel Teixeira (PSDB). Mas, em uma reunião em Praga (República Checa), de madrugada, eu fui o único prefeito com essa ideia. Todos os demais eram contra. Fiquei sozinho com essa tese, mas era o que eu queria.
Patrícia Moraes Machado — Mas como o sr. pretendia isso, depois de Alcides ter se tornado inimigo político de Marconi Perillo?
A vida de político é ser bife de pensão do interior, a gente apanha todo dia. É um jogo de interesses muito grande. É preciso ter 80 ouvidos e 3 mi­lhões de estômagos.
Cezar Santos — Como o sr. vê o processo de filiação de Júnior do Friboi no PMDB?
O que o PMDB nacional, por meio de Michel Temer [presidente do partido] e parte do PMDB local estão fazendo com Iris hoje é um crime contra ele. Falo isso porque, quando o PMDB acabou em Goiânia, Iris veio lá de sua fazenda em Canarana (MT) para ser candidato a prefeito, isso era uma piada. Não havia nem candidato a vereador na chapa. Um grupo de desconhecidos assumiu o PMDB metropolitano. Não havia lugar para reunir. Pois Iris veio e ganhou a eleição passando por cima de todo mundo. E agora é isso, o PMDB troca Iris Rezende por uma marca de marcar boi?
Patrícia Moraes Machado — Isso pode ser justificado pelos 16 anos do partido fora do poder?
Não se justifica. E digo mais: em uma eleição de Iris Rezende contra Júnior do Friboi, em qualquer cidade de Goiás Iris dá de 10 por 1 nele. Que fome por dinheiro é essa? Que gosto pelo dinheiro dos outros! (enfático) É vergonhoso para alguns, embora quem seja eu para palpitar em um partido do qual não faço parte mais. Mas estamos analisando história. Quero ver como o PMDB vai contar no futuro por que trocou Iris Re­zende por Friboi. Porque, da mesma maneira em que ele esteve no PTB, está no PSB e agora vai para o PMDB, amanhã pode estar em outro.
Patrícia Moraes Machado — Como o sr. avalia a prática política de Júnior do Friboi?
Ele nem começou, não é? (risos) Nem disputou nada ainda.
Patrícia Moraes Machado — E já mudou de partido três vezes...
Pois muda mais três (risos). Vamos abrir o jogo: se amanhã o BNDES estiver com o DEM, ele é DEM, se estiver com o PSDB, ele vai para o PSDB.
Elder Dias — O sr. diz que é um crime o PMDB abandonar Iris por Júnior do Friboi. Mas não é também algo parecido o que os aliados do governador Marconi Perillo estão fazendo com ele neste momento, com essa disputa interna? Não é também uma mesquinharia?
Uma coisa é o sujeito querer o lugar de Marconi. Outra coisa é alguém tentar vender, rifar, tirar Iris. Em troca de quê? De voto? Júnior do Friboi nunca teve voto. É por dinheiro? Então são mercenários. Eu acho que o cidadão que olhar para o PMDB e falar que Iris deve apoiar Júnior do Friboi é safado. Mas isso nem me diz respeito, porque vou apoiar Marconi, já tenho definição. Querem bater em Marconi? Se preparem.
Patrícia Moraes Machado — Mas não há tempo hábil para construir tantos Credeqs, tantos hospitais, nem rodovias duplicadas.Então não pode ter eleições no Brasil, pois ninguém fez nada.
Patrícia Moraes Machado — A classe política se justifica assim?
Nós somos o governo que mais fez, o resultado está aí, veja o crescimento de Goiás.
Patrícia Moraes Machado — O crescimento de Goiás é resultado de um efeito da economia, mas não um feito do governo.
Sim. Mas isso tudo foi plantado por Marconi. As grandes indústrias de Goiás foram trazidas por ele, assim como os grandes incentivos. Marconi está lutando por esses direitos em Brasília — e está fazendo isso com maestria e muito bem. Sou contra a reeleição e a favor de mandato de cinco anos. Hoje, qualquer projetinho depende de licença ambiental e aí já vai um ano. O Brasil está pago para não crescer.
Patrícia Moraes Machado — Como assim, “pago para não crescer”?
Hoje as ONGs, as leis e a onda de denuncismo são para o Brasil não crescer. Goiás perdeu três grandes obras por conta de denúncias do Ministério Publico Federal (MPF). O Aeroporto de Goiânia ainda não saiu por conta disso. A obra não aconteceu e o dinheiro foi embora.  Hoje, com cinco vezes o preço da época não se faz o aeroporto de Goiânia. O dinheiro que tinha dava para fazer o aeroporto. O que deveria ter sido feito? Apurar, punir e concluir a obra. Ou o TCU [Tribunal de Contas da União] não sabe fazer isso? E o anel viário de Goiânia? Foi o MPF quem paralisou a obra. E o Centro de Excelência? Não teve de devolver R$ 10 milhões agora? Para se conseguir hoje uma licença ambiental para se fazer o anel viário de Goiânia demora três anos. Três anos é um governo. Hoje o governo de Goiás tem mais de R$ 1,5 bilhão para começar as rodovias. Quando é que começa uma rodovia? Qualquer cidadão que trabalhou com usina de asfalto, com rodovia, sabe que este tipo de obra se inicia no mês de maio. Se não, produzem-se os famosos “borrachudos”. Obra se faz de maio a dezembro. Em dezembro você tem de guardar o maquinário no galpão. Agora você vai ver frentes de serviços diversas acontecendo pelo Estado todo.
Frederico Vitor — O que garante que essas obras sairão?
As rodovias, por exemplo, cada uma é uma empreiteira. Ou várias empreiteiras. Tem dinheiro no caixa, então vai acontecer. Esta­mos falando de escoamento e vida também, porque a cada 30 quilômetros há um carro de funerária esperando para juntar corpos, infelizmente. Vai ser uma revolução. Outro exemplo: em minha pasta, que é o saneamento, temos R$ 1,5 bilhão no caixa, também vai acontecer, porque são contratos, seja pelo FGTS ou tesouro, porque o governo vai bancar. Então vai acontecer. A Saneago será um grande canteiro de obras. Goiânia hoje deve ser a quinta capital com mais esgotos coletados. Ela passará para segunda ou primeira no ranking do País no governo Marconi.
Patrícia Moraes Machado — O projeto de Marconi de campanha era: água tratada e esgoto para todo o Estado.
Sim. Segundo a Organi­za­ção Mundial de Saúde, uma cidade até certo porte é necessário ter rede de esgoto. Em Rio Verde, Jataí, Anápolis, Aparecida de Goiânia e Formosa queremos chegar a 100% de esgoto. Vamos universalizar a água tratada para todas as cidades de goianas.
Elder Dias — Mas a promessa era universalizar também o esgoto para todas as cidades.
Em algumas cidades, temos 75% de esgoto, e vamos agora complementar. Em várias cidades as ETEs [estações de tratamento de esgoto] estão prontas, falta fazer a ligação. Está tudo pronto. É que Goiás cresce acima de média. Existem ainda vários municípios que ainda não obedecem ao que pede o Ministério das Cidades. É comum vermos em alguns bairros de Goiânia várias ruas abertas, mas que não tem água e esgoto. Hoje um loteamento tem de colocar água, asfalto e esgoto. Mas nem sempre é assim. Marconi determinou que resolvêssemos os problemas de Campos Belos, onde há 50 anos a população sofre com a água salobra. Para buscar a água é preciso de uma adutora a 45 quilômetros para busca-la. Você toma uma cidade como Novo Gama, que cresce acima da média, onde estamos com 93% de água. Lá, faltam três bairros, inclusive um bairro de Brasília que foi criado em 1964. Senador Canedo, por exemplo, se quiser buscar água tem de buscar em Caldazinha, no Rio Caldazinha. Não tem água, embora fosse uma questão municipal. Piracanjuba, por exemplo, tivemos de buscar a 14 quilômetros. Então, a água é de pressão. Nós vamos entregar o João Leite no fim do ano. Quero convidar o Jornal Opção para almoçarmos lá.
Patrícia Moraes Machado — Por que uma obra desta demorou tanto tempo? E quanto foi gasto nela?
Isso foi questão de tamanho e complexidade. Teria de pegar tais valores. Mas para você ter uma noção, o João Leite é o vale das montanhas, a água da barragem está acima de 80% da cidade de Goiânia. O parque ecológico é fantástico.
Elder Dias — Como o senhor vê a questão de uma possível ocupação imobiliária ao redor da barragem?
Sou totalmente contra e, fique com raiva quem quiser, pois aquilo não pode ser alvo de especulação imobiliária. Que ganhem dinheiro em outro lugar. Aquilo deve ser um santuário, pois água é vida e servirá para nossos netos. Goiás já deu um exemplo: Marconi brigou muito pelas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e trouxe usinas sucroalcooleiras para nossa região. Muita gente não entende essa briga do Marconi, mas essas usinas são todas mecanizadas sem o problema social das outras usinas. O operador de colheitadeira, hoje, chega a ganhar R$ 4 mil no mês, é mais fácil de trabalhar, pois é tudo motorizado.

Produzimos álcool, produzimos açúcar, mas falta investir na coprodutora de energia. Faltam PCHs, mas os empresários estão com medo de investir já que a Dilma paralisou a área energética. Só no Meia Ponte nós conseguimos fazer três sem barragem nenhuma. O processo é canadense. Goiás é um Estado diferente do resto do Brasil. A cada raio que cai você encontra jazida de cobre, ouro, minério. Aqui ainda não está explorado.
Patrícia Moraes Machado — As obras das PCHs serão transferidas para outro mandato?
Não. É um projeto praticamente pronto.
Elder Dias — Em quanto tempo estará pronto?
Três anos.
Patrícia Moraes Machado — Mas até lá acabou o mandato.
Sim, mas o resultado de empregos é de imediato. O resultado das empresas atraídas é algo que virá de imediato. Nós somos o terceiro maior produtor de álcool e açúcar do Brasil, mas poderemos ser o primeiro. Nós somos um Paraná. Mas para que essas conquistas aconteçam temos um governador Marconi que não tem preguiça.
Patrícia Moraes Machado — Mas o sr. está me mostrando um Estado que a maioria dos cidadãos desconhece. Estamos vivenciando um Goiás onde a saúde é precária, onde a segurança pública é deficitária.
É bom lembrar que a PEC 29 [que fixa um piso de investimento que a União, Estados e municípios destinarão à saúde] ficou três anos para ser votada no Congresso. Saúde e segurança não são problema só de Goiás. É um problema nacional. Em Santa Catarina estão queimando ônibus há 90 dias porque prenderam o chefe de uma máfia. Temos isso em São Paulo o dia inteiro, se você assistir ao programa do Datena [apresentador de noticiário policial] não consegue jantar. Em Minas é a mesma coisa e no Entorno do DF, idem. Tem um bairro em Valparaíso de Goiás em que você precisa de autorização da Polícia para adentrá-lo. É Goiás, mas é perto de Brasília. Um militar e um agente da Polícia Civil do outro lado da rua, em Brasília, ganha três vezes mais do que seus colegas goianos. O armamento de lá é três vezes melhor do que o de cá. Só que é o governo Federal que paga tudo. Goiás é um Estado violento? Sim, mas é o Brasil que é violento, pois nosso País está sendo manchado de sangue por causa da questão da droga. E a droga, por meio do tráfico, está em Goiás também. O que o governo federal está fazendo de fato para esta área, a não ser acompanhar o governo do Rio de Janeiro para repercutir em todo o País, com a política de ocupação e pacificação dos morros de lá? Nada! Então a violência é no Brasil, não só em Goiás. Tudo que Brasília trouxe de bom para nós também passou a ser um caixote de problemas. Hoje, 30% do crime em Goiânia vem de Brasília. Teremos eleições no ano que vem e, em qualquer pesquisa de qualquer Estado, você verá que Dilma tem 60% das intenções de votos. A que você atribui isso, se os problemas de saúde e segurança são nacionais? Como que a Petrobrás, que é uma das maiores empresas do mundo, está falida hoje? Como é que ela consegue ter essa popularidade?
Patrícia Moraes Machado — Mas isso não é tirar o foco do governo e jogar em outros?
Estou sendo específico com Goiás porque o que Marconi está fazendo é com os pés no chão. Não adianta ele dar 100% de aumento aos professores e outras categorias, porque quebra o instituto previdenciário do Estado. Quem vai pagar os aposentados? Não adianta o Marconi dobrar salário, porque ele não tem caixa para pagar. A lei de responsabilidade fiscal está em cima. É muito bonito o deputado de oposição, Mauro Rubem (PT), falar que tem de dobrar salário de funcionário público.

Sim, mas arruma a fonte. Você acha que Marconi não quer dobrar salário? Quem não quer? Mas onde está o dinheiro para pagar? Uma coisa é você fazer greve por melhores salários, outra coisa é fazer greve por não receber salário. Marconi vai ter de enfrentar isso e é como uma cirurgia sem anestesia. Em véspera de ano eleitoral ele vai ter de pegar 25% dos comissionados e colocar na rua. Mas se não tem caixa tem de fazer isso. Vai ter insatisfação da base, vai faltar apoio no Parlamento, mas tem de fazer.
Cezar Santos — Mas quanto mais demora a fazer isso, mais difícil fica politicamente.
O que aconteceu com o programa da meritocracia? Os funcionários que tinham os melhores índices de conhecimento, sem dever favor a ninguém, viraram chefes de determinados setores. Marconi não teve ne­nhum problema político e teve de tirar dali os aliados, os que devem sustentação política. E ele teve coragem de fazer. O go­vernador vai ter de demitir 20% e não vai ganhar ninguém. Mas este é o preço de se governar.
Elder Dias — A baixa aprovação do governo tem a ver mais com a questão da sensação de que o Estado está parado. De que não tem obra em andamento, que não vai dar conta de fazer o que se prometeu. Existe por parte do governo a preocupação de priorizar compromissos? E se existe, quais os que a população vai ver entregues até o fim do mandato?
Marconi autorizou o secretário de Segurança Pública a contratar 1,3 mil reservistas de imediato, para tentar dar mais uma posição a sociedade. Mas tem um número interessante. Um soldado trabalha 12 horas e descansa 36 horas. Em Goiás nenhum soldado deve ganhar menos do que R$ 3,5 mil por mês e descansa 36 horas. Nós sabemos que nessas 36 horas ele trabalha como segurança ou em empresas familiares, o que é um direito dele. Além de trazer esses 1,3 mil reservistas, Marconi também vai abrir um concurso para PM, pois precisamos de 3 mil a 4 mil homens. Mas não tem caixa para pagar. Para trazer essa tropa de 4 mil homens tem de ficar um ano trabalhando esses homens, na parte psicológica, no treinamento como um todo. Então o que o Estado está estudando? Um salário diferenciado para esses reservistas que serão contratados, o que será certamente um problema jurídico para o futuro. Eu acho que seria interessante o governo federal pagar as Polícias Militares de todos os Estados. O que Brasília faz com os Estados é uma humilhação.
Patrícia Moraes Machado — Mas o governo federal insinua que tenta ajudar o Estado, mas diz que este recusa o socorro.
Não é assim, mas seria nosso sonho. Já pensou se coubesse ao Tesouro Nacional o pagamento das Polícias Militares? Porque todas, exceto a de Minas Gerais, são subordinadas ao governo federal. Segurança pública é obrigação da União. Saúde, também. Por que os municípios quebraram todos? Até mesmo Goiânia, que arrecada R$ 2 bilhões por mês, está quebrada.
“Brasília já enquadrou o PT goiano”
Patrícia Moraes Machado — Por que o sr. quis ir para a Saneago?
Quando eu assumi a prefeitura de Itumbiara em primeiro de janeiro de 2007, aquela cidade tinha zero por cento de esgoto coletado e tratado. Todo o esgoto de Itumbiara era jogado nos mananciais ou nas galerias pluviais ou ainda direto no Rio Paranaíba. Tudo que era lixo hospitalar era lançado no rio. E eu, que era apaixonado pelo projeto de saneamento de Curitiba, pensava comigo: será que nós não damos conta de resolver esse problema? Porque quando chega setembro ou outubro, quando os ribeirões baixam as águas, vem a fedentina. As bocas de lobos são tampadas porque ninguém aguenta. Então, até o asfalto começa a feder. Para o transporte de esgoto, é necessário um duto centrifugado.  Começamos este trabalho e fui observando que esta companhia é muito importante, com um quadro de funcionários invejáveis e traz grande orgulho para Goiás. A Saneago tem mais de 135 engenheiros e o projeto de saneamento básico de Goiás é uma coisa de louco. A empresa é muito maior que Goiás pensa. Eu queria a Saneago porque Itumbiara é a capital das águas no Estado. Nós somos cortados por seis ribeirões e um rio. Quando o Marconi me convidou para assumir a empresa, no meio do ano passado, me disse que eu era a pessoa certa para a companhia por ter facilidades em Brasília para buscar recursos para Goiás. Ele me disse também que havia muito projeto parado, que a empresa é muito boa, mas tem alguns setores dela que parecem arame farpado. Ele me falou: “Vá para lá e levante tudo.” Tem cidade em que faltam 8% de água tratada, em outras faltam 12%, em outras, 15%. Quando começa o mês de julho falta água em vários bairros de Goiânia.  É uma coisa confusa. Para você colocar água no 17º andar não é fácil. Temos de proteger nossos mananciais e nascentes. Posso garantir para vocês que entre maio e junho vamos ter a Sa­nea­go entregando um inventário perfeito de cidade por cidade. Marconi é igual ao Romário: se a assessoria der conta de co­locar a bola na área, gol ele sabe fazer. Só não peça ao Marconi para ele ir buscar a bola, porque este não é o papel dele.
Elder Dias — Mas não é isso que tem faltado?
Sim. O que precisa para o pessoal é colocar a bola na área. O goleiro pode ser o Iris, pode ser o Júnior do Friboi, pode ser o Vanderlan, pode ser qualquer um que o Marconi vai pôr o goleiro num canto e a bola no outro. (risos) Está faltando é colocar a bola para o Marconi.
Euler de França Belém — Mas o sr. não acha que o governo não está quase na prorrogação desse jogo, não?
Sim. Mas, se você colocar o Marconi para bater um escanteio aos 48 minutos do segundo tempo, a bola entra. (risos)
Patrícia Moraes Machado — Mas, da mesma forma que o sr. afirmou que ele sofrerá desgaste com o corte de comissionados, ele também não deveria correr o risco e insistir em colocar nomes adequados em cada pasta?
Eu penso o seguinte: o Marconi vai entregar a bola para cada um dos secretários e vai esperar a bola dentro da área. O que não der conta de colocar a bola dentro da área, Marconi já vai saber que com aquele não vai fazer gol. Ou o sujeito dá conta de colocar a bola dentro da área ou tem de ser substituído.
Elder Dias — Mas Marconi não sabia disso no início do governo?

Euler de França Belém — E ele, então, vai para a Série B?
Não. Ele vai ficar na série A. Eu acho que quem não colocar a bola lá não pode ficar neste time. A maioria do governo está dando certo. Mas é igual dente na boca: se um só estiver estragado, você não come direito nem beija a namorada. (risos)
Patrícia Moraes Machado — O sr. não acha que a classe política de Goiás esteja passando por uma “fadiga de material”?
Desde que eu me conheço por gente nunca vi a terceira via dar certo em Goiás. Iram Saraiva, Barbosa Neto, Vanderlan Cardoso... Tome os cinco homens mais íntegros de Goiás e os coloque na política. Depois, os encontre daqui a um ano. Hoje, nós políticos estamos vivendo o pior momento de todos os tempos. O sujeito novo, que se diz moderno, que se dê o mandato para ele. É muito fácil falar que é bom sem nunca ter feito nada. Uma coisa é falar, outra é estar dentro e fazer. Não conheço ninguém que não erre, aliás, nem quero conhecer. Quem tenta fazer, quem faz acontecer, tem suas falhas. Alguns posam agora de bons garotos, mas deixe começar a campanha.
Patrícia Moraes Machado — Por quê?
Porque aí a vida deles se torna pública. Hoje está tudo muito bom.
Cezar Santos — Por falar em campanha, o sr. tem mais de 30 anos de mandato. Quais seus planos pessoais? Vai se candidatar a que e quando?
Eu ajudo mais o governo pulando para dentro da Saneago. E confesso que ainda não conheço a empresa por completo, que é muito complexa e não dá para conhecer em 30 dias. Quando estivermos mais mergulhados na Saneago e fizermos que a família Saneago se una para contar para Goiás a sua força, penso que vamos ajudar muito mais o governo, o governador Marconi e o Estado de Goiás, estando na empresa. E posso fazer uma escadinha para 2018. Posso passar pela Prefeitura de Itumbiara mais uma vez, durante um ano e meio e disputar o Senado em 2018, quando serão duas vagas, seria mais confortável.
Cezar Santos — Então, nada de repetir Câmara dos Deputados?
Fui vereador por 12 anos, deputado estadual por 2 anos, federal durante 14 anos, prefeito por 8 anos, reeleito. Eu poderia talvez passar pela prefeitura. Eu me sentiria desconfortável em disputar para deputado estadual, porque foi uma Casa da qual não gostei, tanto que renunciei. Para vereador não faz sentido. Para federal eu vou apoiar Jovair Arantes, que foi muito bom para Itumbiara, foi muito meu amigo. Para governador, sou Marconi. Acho que a chapa Marconi e José Eliton tem de continuar, por ser uma pessoa equilibrada, amiga, confiável.
Patrícia Moraes Machado — Vilmar Rocha para o Senado?
Tanto pode ser Vilmar quanto outro nome que surja de conversação na base. Quando se vai negociar, tem de se abrir para todos. A composição, que na verdade é “a legenda X exige isso ou aquilo”, e se fala composição para ficar mais suave. Nós podemos matar essa charada (formação da chapa majoritária) melhor que todos os outros partidos. Conheço o PT e o PMDB, sei o tamanho da briga. E Marconi vai fazer um grande governo, quem não der conta de acompanhar o ritmo dele vai estar fora.
Patrícia Moraes Machado — Complete seu raciocínio em relação a PT e PMDB...
O PMDB não abre mão da cabeça de chapa e o PT vai ter de ir arrastado, chorando, porque Brasília já mandou avisar que o PT goiano não é ninguém e quem manda é Brasília. 
Patrícia Moraes Machado — Vanderlan Cardoso e Ronaldo Caiado podem compor com Marconi Perillo ainda?
Vou fazer de tudo para ter Caiado na nossa chapa, porque ele pode nos ajudar muito. Ele merece uma atenção especial.

Cezar Santos — Há até uma identificação entre eles.
No interior, a turma de Caiado é a turma do Marconi. E os dois sabem que não podem desapontar esse eleitor, porque eles estariam fragilizados.
Cezar Santos — Voltando um pouco sobre suas pretensões pessoais. O sr. sempre teve a imagem de político meio folclórico, o que o sr. sempre tem reforçado. Aquele José Gomes que nos anos 1980 fazia discursos prometendo a mesma ambulância em vários municípios, ambulância que não aparecia depois, ficou para trás? Ou vai ressurgir quando o sr. se candidatar de novo?
Minha vida nunca foi fácil. Venho de uma família grande e que embora muito humilde, gosta muito de piadas, de anedotas, de fazer surpresas. Eu trouxe isso para a cidade, e com 18 anos já era vereador em Itumbiara. As coisas aconteceram muito rapidamente na minha vida. Eu me tornei presidente do PRN, partido do então presidente Collor de Mello e aí veio essa história das ambulâncias. Se você for a Ceres, pergunte a Vanda Melo se a ambulância não chegou. Pergunte em Panamá ao Zé Divino se a ambulância não chegou. Pergunte em Serranópolis ao Toinzin Professor se a ambulância não chegou. Em Uruaçu, pergunte ao Ademar se a ambulância chegou ou não. Acontece que montaram uma versão em cima de mim para me imputar que eu estava com abuso de poder dando ambulância nos municípios. E aí essa brincadeira de que fazia de conta que entregava e não entregava. Mas as ambulâncias foram entregues, te dei os nomes, é só perguntar. Aí vira lenda e é preferível a lenda à verdade.     
Elder Dias — E o caso dos jogadores do Itumbiara empregados em seu gabinete?
Você falou de algo que nem a inquisição fez com alguém o que fizeram comigo. Pode requerer na Câmara Federal o ato 211 da mesa diretora. Os artigos sexto e sétimo dizem: os gabinetes dos parlamentares terão tantos assessores. Função dos assessores: motorista, segurança, digitador, secretário parlamentar, assessores nas bases do parlamentar para prestar serviços determinados pelo titular, cabendo ao mesmo determinar local e atividade e outros serviços  afim. Havia uma verba x. E u não podia usar essa verba para outra finalidade, que fosse educação, saúde, pois seria crime, já que a verba era específica para contratação de pessoal. Eu só poderia gastar com pessoal. Eu só fiz o que o regimento interno, o ato 211, permitia. Eram só quatro jogadores. Um time de futebol precisa de pelo menos 30 jogadores. E eu contratei esse quatro por dois meses, eles eram meus amigos, eram da cidade e eu fazia jogos da solidariedade, sem cobrança de ingresso, a entrada era alimentos não perecíveis. O procurador não parou para prestar atenção, mas um jogador para ser contratado precisa ter carteira de trabalho, com contrato registrado na Federação Goiana e na Confede­ra­ção Brasileira de Futebol. Os jogadores tinham salário no clube. O que o Ministério Público fala é que eles estavam na Câmara para complementar o salário, mas não é verdade. Os jogadores ficaram dois me­ses comigo e o Campeonato Goiano dura quatro meses. Time do interior naquela época não jogava quarta e domingo, era só aos domingos. Mas se tinha jogo na quarta, que horário era? À noite. Então não havia incompatibilidade de horário. O horário deles comigo era 4 horas. Pergunto, por que tudo isso em cima de mim? Porque eu era o menino que veio da roça, era vereador em Itumbiara e que chegou a deputado federal muito rápido. Nos últimos 36 anos, nunca dormi uma noite sem ter mandato, exceto do dia 1º de janeiro de 2013 para cá. Qualquer promotor com a meu tempo de mandato está aposentado ganhando R$ 30 mil por mês. Se eu me aposentar hoje pela Previdência eu vou ganhar R$ 3 mil. Não fiz concurso para promotor, mas fiz todos os concursos que um homem público pode fazer, disputei todas as eleições e ganhei todas no voto. Não tenho nada contra os promotores, mas essa questão é uma maldade contra mim. E a Câmara arquivou o processo. Pergunto, eu era gestor? Eu era ordenador de despesas? Era eu que pagava? Não, eu só indicava. O regimento permitia. Há 17 anos esse processo me acompanha.
Patrícia Moraes Machado — Por que essa perseguição?
Não entendo. O MPF tinha que ter entrado com processo contra a Câmara, que permitia. E porque só eu dos 45 deputados que a “Folha de S. Paulo” divulgou na época? Só eu que ele entrou com processo. Mas eu quero dizer o seguinte, nunca respondi a nenhum processo por roubo, dolo ou desvio de dinheiro. Eles dizem que as contratações eram ilegais. A Câmara arquivou o processo dizendo que eu estava dentro das normativas. O ato 211 está lá para quem quiser ver. Podem dizer que a Câmara mudou o regimento. Se mudou, não pode retroagir para condenar. Ela mudou, mas mudou após o fato. O que mais irritou eles foi o que eu disse na Globo, contratei e contrato de novo. Depois que mudaram o regimento aí eu não contrato. Há 17 anos eu sofro com esse processo. Mas o TSE diz, e já tem jurisprudência, que o cidadão para se tornar inelegível tem de ter cometido dolo e enriquecimento ilícito. Ninguém prova que eu tenha levado 1 centavo para casa. Em todos os escândalos de prefeituras em Goiás, nunca se viu Itumbiara no meio. Máfia das ambulâncias, máfia de construtoras, máfia dos sanguessugas máfia dos remédios, máfia de licitações agora em 42 cidades... nunca se viu a Prefeitura de Itumbiara nisso.
Elder Dias — Nem a construtora Delta passou por lá?
Pegue a relação, não tem. Nepotismo em Itumbiara não tem.
Elder Dias — E o que ocorreu com o time do Itumbiara? Zé Gomes saiu da prefeitura e o time foi rebaixado?
A cidade ficou triste. A alegria de um povo não tem preço. E eu lembro, só no estádio do Maracanã, o contribuinte está pagando R$ 1,5 bilhão e talvez o Brasil nem jogue lá, porque só jogará se fizer a final. Agora, verba do meu gabinete quatro jogadores, 20 e poucos mil reais, que crime é esse? Eles querem me matar por isso? Na Constituição está escrito que lazer também é obrigação do político, do gestor, do Estado. Países desenvolvidos incentivam funcionários para viajar, ter lazer. E eles ficam com essa coisa em cima de mim... arrumem coisas com fundamento. Se cassarem meu mandato um dia, ou se me suspenderem politicamente por eu ter ajudado o Itumbiara Esporte Clube, e graças a Deus fui campeão goiano — o único time do interior a se sagrar campeão dentro do Serra Dourada —, eu fico feliz. Ficaria triste se tivesse roubado. O Minis­tério Público pede oito anos de suspensão dos meus direitos políticos e se vê que Bola e Bruno [condenados pelo assassinato da modelo Eliza Sa­mu­dio], que mataram uma mulher que só queria ter reconhecida a pa­ternidade do filho dela, enforcaram, esquartejaram, jogaram para os ca­chorros... quanto tempo eles vão fi­car presos? Nenhum dia mais de oi­to anos. Aqui em Goiânia, outro [Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos] matou uma garota britânica, cortou, pôs na mala, fez vídeo e foi pra festa, mostrou o vídeo para os amigos... não vai ficar um dia preso a mais após oito anos. Eu usei minha verba de gabinete no painel de transparência, com os nomes, e ele vão me condenar por oito anos? Oito anos para um político é a morte dele. É preciso ver a questão da improbidade, o que eu fiz de errado? Fui transparente, o regimento da Câmara permitia eu fazer. Aí querem que eu fique sem ser político por oito anos, um cidadão que foi vereador aos 18 anos, ficou 36 anos com mandato. Foi só isso que acharam na minha vida até hoje? Acho isso muito pesado. Faço essa comparação para mostrar o quanto o político está frágil.
Patrícia Moraes Machado  — Falar em grampo, como o sr. avalia a denúncia da “CartaCapital”?
Sem sentido nenhum.
Elder Dias — Pode ter sido feito à revelia do governador?
Quem sabe alguém que utilizou o nome do governador para se valorizar.
Elder Dias — Foi esse o caso?
Lógico que foi. Qualquer menino faz aquilo. É coisa de amador. Fui vítima disso também, na última eleição, quase me mataram, essa “CartaCapital” tem foto minha nela, um tal de não sei o que 47 [site], eu abraçado com fulano, beijando a boca de fulano... nada de fato verdadeiro. A “CartaCapital” foi distribuído de ponta a ponta em Itumbiara, dizendo que descobriram Zé Gomes, o braço direito da Carlos Cachoeira no Sul, e eu nunca vi esse rapaz, nunca estive com ele. E uns diálogos [gravados pela PF na Operação Monte Carlo] engraçados que não dizem nada, falam de obra emergencial em Itumbiara, não tem citação de meu nome, falam num tal de João, depois num Gomes. E o cara da Polícia Federal diz embaixo: existe a possibilidade de Gomes ser o prefeito de Itumbiara. Primeiro que nunca fui João, eu sou Zé. Segundo, ninguém nunca me chamou de Gomes, todo mundo me chama de Zé Gomes. Terceiro, nunca tive obra emergencial em Itumbiara. Aí eles pegam esse negócio, colocam na “CartaCapital”, põem uma foto minha e espalham pela cidade. Foi só abrir as urnas, cacete neles, tivemos 75% dos votos. Em determinado momento, procurei o João Furtado [então secretário de Segurança Pública] e rastreou-se esse negócio na internet, deu no Uruguai, passou não sei por onde e terminou na Bélgica. E vem essa “Carta Capital” com conversa fiada.  
Fonte: Jornal Opção