23 de maio de 2013

Capital é terceira capital em preço do transporte


Os usuários do transporte coletivo de Goiânia e região metropolitana terão de pagar mais caro pelo bilhete único a partir de hoje. A tarifa que até ontem custava R$ 2,70, agora sofreu reajuste de 11,11%, o que resultou no valor de R$ 3. O Eixo Anhanguera e o Citibus também passam a circular com passagens mais caras, R$ 1,50 e R$ 4, respectivamente. A Companhia Metropolitana do Transporte Coletivo (CMTC) justificou o valor cobrado em consideração à variação do preço do diesel, do salário dos motoristas e dos índices oficiais de manutenção de veículos, conforme a Fundação Getúlio Vargas.

A decisão foi divulgada no final da tarde de ontem, após reunião dos membros da Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC), que aconteceu na Secretaria de Estado da Região Metropolitana de Goiânia. Participaram do encontro o secretário de Desenvolvimento Metropolitano, Eduardo Zaratz, o prefeito de Goiânia Paulo Garcia, o presidente da Agência Goiana de Regulação (AGR), Humberto Tannús, a secretária Municipal de Trânsito, Patrícia Veras, o secretário de Desenvolvimento Urbano Sustentável de Goiânia, Nelcivone Soares Melo, e o deputado estadual Talles Barreto. Os membros do conselho foram unânimes em favor do reajuste.

A recomposição do valor da passagem aconteceu, este ano, depois do dia 20 de maio, pois o cálculo das alterações devem também levar em conta o salários dos motoristas. Normalmente, a alteração é feita em abril ou início de maio. A alteração foi definida 18 dias depois de uma rápida greve dos motoristas do transporte público, que conseguiram reajuste de 9% no salário e 25% no vale-refeição.

Após a reunião que sacramentou o reajuste, somente um integrante da Câmara Deliberativa, o presidente da CMTC, se dispôs a falar com a imprensa. Os demais saíram por uma porta paralela, sem concederem entrevista. Conforme alegou Ubirajara Abud, os cálculos realizados são transparentes e simples, mas explicou que não foi possível chegar a um valor exato. “Esse ano chegou muito próximo a R$ 3. Por isso, tivemos que arredondar.” Sobre possível audiência pública programada para acontecer nos próximos dias, ele rebateu. “Qualquer pessoa entende o estudo. Então não há por que fazer questionamentos, como em audiência pública, para um assunto que é previsto em contrato. Temos de respeitar o contrato”, afirmou, referindo-se à previsão de reajuste anual, concedido às empresas operadoras do sistema no processo de concessão das linhas.

Abud esclareceu que o aumento foi divulgado poucas horas antes do vigor do novo preço para evitar especulação em cima da passagem. “Quando se divulga o aumento começa a ter especulação. Há um problema sério de pessoal que adquire a passagem com preço inferior e fica segurando (o sitpass).”

Mesmo diante de inúmeras reclamações da população que utiliza diariamente o serviço, Abud defendeu que a solução para o transporte público ter mais qualidade, razoabilidade e confiabilidade, acontece também com soluções para os problemas do trânsito. “A Prefeitura de Goiânia está fazendo a parte dela, com corredores preferenciais. É um projeto grande que visa a melhoria da velocidade de circulação dos veículos. Ao se ter uma pista preferencial e exclusiva para o ônibus, vamos ter melhor atendimento ao usuário”, declarou.

O presidente da CMTC ainda fez comparação do transporte coletivo da capital com outras regiões metropolitanas do País e considerou que Goiânia apresenta uma das menores tarifas. “Em outras regiões com o porte da nossa, existem tarifa diferenciada. Eu acho que o valor pago pela tarifa é justo. Imagina uma pessoa que pega um ônibus em Bela Vista e se desloca pelo mesmo valor para Trindade”, ressaltou. No entanto, o novo valor passa a ocupar o topo do ranking entre as capitais brasileiras, tendo preço semelhante somente em São Paulo e Brasília (leia abaixo).

Enquanto a reunião acontecia no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, do lado de fora, na Praça Cívica, estudantes protestavam contra o aumento da tarifa (leia mais na página 10). Ubirajara Abud considera que as manifestações podem ter continuação, mas acredita que o transporte coletivo é mais importante que os protestos. “Não temos como fugir dessa decisão, que se não for obedecida vai piorar a situação do transporte coletivo. No momento em que não se recompõe os custos, você dá motivo para as empresas levantarem questionamentos. Isso pode causar piora no serviço, que já não é o ideal, mas também não está entre os piores do Brasil”, diz.

Goiânia é terceira capital em preço do transporte

A nova tarifa do transporte coletivo, que passa a vigorar hoje por R$ 3 a viagem (aumento de 11,11% em um ano), posiciona Goiânia e a Região Metropolitana no topo do ranking de preços operados por todas as capitais brasileiras. O valor de uma única passagem agora se iguala ao praticado em São Paulo e em alguns trechos de Brasília – que até ontem eram as duas únicas capitais no topo do ranking (veja quadro).

Em uma análise comparativa com outras capitais, o preço definido pela Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC) chega a ser 42% maior do praticado nas duas capitais brasileiras com o menor valor, São Luis (MA) e Teresina (PI), onde a tarifa é de R$ 2,10. Considerada a capital brasileira onde o transporte coletivo é tido como modelo, Curitiba (PR) pratica o preço de R$ 2,60 a passagem.

Com o novo reajuste na capital goiana, a progressão de aumento da tarifa, aplicada nos últimos 10 anos, passou a ser maior inclusive que o próprio crescimento iflacionário. Em março de 2003, a passagem foi tabulada ao preço de R$ 1,50. Dez anos depois, constata-se um aumento exato de 100%. Conforme informou a diretoria regional do Dieese, nestes mesmos 10 anos, a evolução do Índice Nacional do Preço ao Consumidor (INPC), que mede a inflação, foi de 74,68%.

Agora desembolsando R$3 pela tarifa, passageiros que utilizam o transporte coletivo para se deslocarem ao trabalho - considerando duas viagens diárias, seis dias por semana - terão um custo mensal aumentado em R$16,20 (vai de R$ 145,80 para R$162). O valor acrescido daria para custear outras seis viagens, no valor anteriormente praticado, de R$ 2,70. Ao passageiro que costuma fazer quatro viagens por dia (seis dias por semana), terá que arcar com um acréscimo no final do mês de R$ 32.

Fonte: O Hoje