11 de maio de 2013

Aparecida de Goiânia: 91 anos de contrastes



Crescimento populacional e industrial da cidade não é acompanhado pelo fornecimento de infraestrutura de forma ampla.

Aparecida de Goiânia completa hoje 91 anos. A pouca idade, se comparada ao tempo de outros municípios goianos, é um contraponto ao crescimento e à elevada quantidade de pessoas que vivem em Aparecida. Não por menos, as consequências do rápido desenvolvimento são percebidas nos contrastes. Distantes poucos metros das grandes avenidas e dos polos comerciais, encontram-se bairros que ainda sofrem com a falta de estrutura mínima, como ausência de esgoto, asfalto e água encanada. O grande desafio de quem a governa é conter a desigualdade, justificada, dentre outros fatores, pelo povoamento desenfreado e sem critérios.

Com a segunda maior população do Estado – 455.657 habitantes, conforme o Censo de 2010 – e praticamente emendada à capital, Goiânia, Aparecida passou a atrair atenção especial do comércio e da indústria. Apesar disso, fator crucial para a melhora da rotina e da vida dos aparecidenses, a prefeitura sente, ainda, dificuldade de uniformizar e fazer a igual distribuição dos ganhos gerados. Na década de 1970, quando iniciou-se a constância dos loteamentos na cidade, muitos foram feitos distantes uns dos outros, sem se preocupar com a chegada ou a oferta da infraestrutura necessária.

O secretário de Planejamento, Afonso Boaventura, conta que a atual gestão traçou um plano para tentar minimizar as consequências do que chama de “cidade esparramada”, descompactada. No primeiro momento, segundo ele, o foco é ampliar o acesso dos moradores de Aparecida à estrutura mínima. Hoje, por exemplo, cerca de 50% da cidade ainda não possui asfalto. Fora isso, conforme pontuou a piauiense e dona de casa Alzenir Carvalho de Brito, que mora no Bairro Colonial Sul desde 1987, a falta de esgoto também é uma tormenta. Nos bairros mais afastados dos grandes centros comerciais é comum encontrar casas com fossas, algumas até com duas.

Alzenir, no entanto, uma senhora de 53 anos, conta que, quando se mudou para a cidade, não tinha praticamente nada. No próprio Colonial Sul, as casas davam para contar nos dedos, as ruas de terra davam um colorido alaranjado ao cenário e a falta de água encanada ampliava a sensação de terra de ninguém. Hoje, muita coisa mudou. O asfalto chegou, a água também, assim como novos moradores, e os lotes baldios, tomados pelo mato, foram sendo ocupados. “Passei a gostar daqui”, diz a piauiense, que antes residia em Planaltina de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.


Mobilidade

Outra ação prevista no projeto da prefeitura é promover a interligação dos bairros, por meio de eixos estruturais, viadutos e grandes vias expressas para tentar compactar a cidade. Afonso Boaventura contabiliza, hoje, 252 bairros regularizados em Aparecida de Goiânia. No entanto, ele reconhece que existem muitos ainda não listados e em locais desconhecidos, separados por vazios urbanos, que os tornam distantes dos demais. Acredita-se, inclusive, que o total de bairros pode chegar a 280. “Vamos fazer um raio X disso, em breve”, promete.

Hoje, acredita-se que o tamanho de território de Aparecida seja de 288,342 km². Comparado a Anápolis (933,156 Km²), que perdeu o posto de segundo colocado em quantidade de habitantes em Goiás, Aparecida é pouco mais de três vezes menor. Isso implica, matematicamente, numa relação inversa no que se refere a densidade demográfica. Nesse caso, Aparecida apresenta uma densidade (1.580,27 habitantes / Km²) mais de quatro vezes maior que Anápolis. Tal relação inversa foi estabelecida num curto espaço de tempo, o que reflete a velocidade do crescimento e permite deduzir as consequências sociais e urbanas para a cidade.

Os vazios urbanos, além de dificultar o dimensionamento da cidade e a distribuição dos serviços, acarreta a concentração acentuada de pessoas em poucos espaços, o que gera outro contraste dentro de Aparecida. Mesmo existindo terrenos de sobra, a cidade sofre com o superpovoamento. Afonso adianta que reverter isso é a terceira intenção do poder público. O Plano Diretor, criado em 2002, deve entrar em pauta de discussão somente este ano e uma medida já desponta entre as que serão adotadas, que é o povoamento dos vazios urbanos, muitos utilizados na especulação imobiliária. “A ideia é incentivar os proprietários dessas áreas a torná-las funcionais, socialmente falando, e facilitar a distribuição”, afirma.

Fonte: Jornal O Hoje