26 de abril de 2013

Proibido estacionar - calçada é solução



A Prefeitura de Goiânia terminou a construção de 2,7 quilomêtros de extensão da via preferencial para ônibus, na Avenida Universitária, o que gerou alguns impasses com comerciantes do local. Agora enfrenta o imbróglio da extensão da obra ao longo da Avenida T-63, desde que foi anunciada, no início do mês passado, a construção de um corredor exclusivo para ônibus nos 5,7 quilomêtros de percurso da T-63.

Como parte do projeto, que busca melhorar a qualidade do transporte público da cidade, a medida não foi bem aceita pelos motoristas e comerciantes da região. Para eles, o trânsito vai ficar mais pesado e o movimento do comércio, por falta de estacionamento, cairá drasticamente com a obra.

No entanto, depois de um mês de ações educativas, a partir do dia 2 de maio, agentes de trânsito da Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (SMT) aplicarão multas ao veículo que parar ou estacionar no local de acesso aos ônibus. De acordo com Assessoria de Comunicação da SMT, os agentes vão reforçar a fiscalização ao longo da via. Ao utilizar a terceira faixa, que é para a circulação exclusiva de ônibus, os carros poderão apenas realizar a conversão na primeira rua à direita ou acessar a garagem.

Para os condutores de veículos que trafegarem pela T-63, e desobedecerem as regras de sinalização do local. Vão ser punidos pelo rigor da lei. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), no artigo 181, parar e estacionar na via, onde há sinalização regulamentadora, é uma infração grave com multa de R$ 127,69, remoção do veículo e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Comércio

Entre os comerciantes da Avenida T-63, entrevistados pela reportagem do Diário da Manhã é unânime a opinião de que a proibição de estacionar do lado direito da via, prejudicará as vendas e reduzirá em 30% a 40% o movimento. Há também aqueles que temem pelo próprio emprego, queda dos lucros das empresas.

Um comerciante reclama que o número de vagas que serão ofertadas aos clientes, no pouco espaço das calçadas, não é suficiente para atender a demanda. “As vagas já são limitadas e a tendência é que a situação piore. O cliente chega, circula duas vezes, não encontra vaga, vai embora. Aí o perdemos”, afirma.

Segundo o balconista Felipe Mendes, 36, que trabalha num dos comércios da via, afirma que o temor dos patrões, no que tange queda nas vendas, é geral. “Se as vendas começarem regridir, nós trabalhadores subalternos estamos perdidos. Isso aqui é igual um círculo vicioso. O patrão perde o lucro, nós aqui perdemos o emprego, e em casa os nossos filhos perdem o pão de cada dia. Porque o risco de ocorrer uma, ou outra demissão é grande”, explica.

Para o taxista José do Espírito Santo, 65, a medida também vai prejudicar no embarque e desembarque de passageiros ao longo da Avenida, e se revolta com a situação. “Essa proibição é um modo que a prefeitura tem para arrecadar dinheiro, assim como fizeram com a Avenida Universitária. Vejo isso como uma indústria da multa. Agora como nós vamos fazer para embarcar e desembarcar os passageiros. Isso de certa forma vai impactar ao nosso trabalho, pois como vamos deixar e pegar os nossos clientes”, exclama.

O empresário de uma oficina mecânica conta que a proibição vai prejudicar os consertos dos carros, pois o espaço da calçada é pouco, e os clientes não terão como estacionar ou aguardar um orçamento. “A tendência do comércio aqui é acabar. Temos outra oficina na Avenida T-9, que os serviços lá caíram em média de 20%”, afirma.

Motoristas

Além dos comerciantes, motoristas também reclamam da proibição do estacionamento. Para o condutor Júlio Cesár Marinho, 29, que também trabalha nas imediações da Avenida, a chance de chegar atrasado ao trabalho dobrou. “Além de enfrentar o trânsito caótico, vou ter que encontrar uma vaga para estacionar. Hoje (ontem), já perdi mais de 20 minutos para tentar estacionar”, conta.

Segundo o motorista e professor de Geografia, Henrique Nunes, 33, está cada dia mais difícil estacionar em Goiânia.” Agora ficou impossível parar aqui. E nas calçadas nunca há vagas. Venho quase todos os dias buscar minha esposa no serviço. Tenho que dar uma volta no quarteirão para busca-lá”, reclama.

Assim, com a proibição de estacionar na via, surge um outro risco, e quem teme são os pedestres. Haja vista, que agora eles vão ter que disputar as calçadas com os carros. Dificuldade que aponta o aposentado Jair Silva, 56. Segundo ele dependendo do espaço da calçada terá que ficar “ziguezagueando” e redobrar a atenção. “Agora que os carros vão estacionar nas calçadas, penso que seja um risco para os idosos e crianças que se distraem facilmente. E uma marcha à ré dos carros pode ser fatal”, diz.

Modernidade

Segundo o presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), Ubirajara Abud, as obras dos corredores preferenciais para ônibus faz parte de projetos contemporâneos que visa melhorar o fluxo do trânsito nos grandes centros urbanos do Brasil e do mundo. Ele diz que o bem público deve se sobrepor ao particular.

Ainda de acordo com Ubirajara, a via exclusiva de ônibus pode minimizar parte dos problemas de quem usa o transporte público. “Com o mesmo número de ônibus, os usuários terão um melhor atendimento. Com o trânsito congestionado, os motoristas de ônibus não conseguem cumprir os horários, causando a superlotação”, explica.

Em nota a Prefeitura de Goiânia afirma que os benefícios das construções dos corredores fazem parte de um projeto de mobilidade que prepara a cidade para demandas futuras. “A Prefeitura de Goiânia esclarece que o corredor da Avenida T-63 integra uma rede de circulação do transporte coletivo – vinculada aos demais corredores – que tem como objetivo aperfeiçoar o serviço do transporte coletivo, com ganho no tempo de viagem e aumento de velocidade dos ônibus por toda a cidade”, justifica.

Protestos

Na última quarta-feira, vários comerciantes fecharam as duas vias da Avenida T-63, no trecho que corta a Praça da Nova Suíça, em sinal de protesto contra as obras dos corredores exclusivos. Durante a manifestação foram exibidos cartazes com frases como “Corredor do Desemprego”. O trânsito na região ficou congestionado por cerca de três horas. No entanto, a prefeitura municipal, em nota, disse que entende a situação, mas permance irredutível ao objetivo de criar as vias exclusivas. E ainda anuncia mais intervenções no trânsito da Capital, nas Avenidas T-7 e 24 de Outubro, previstas para este semestre.

Na mesma nota a Prefeitura de Goiânia informou que “respeita o direito de manifestação dos goianienses e está sensível às demandas dos comerciantes da Avenida T-63”, diz. Ainda de acordo com a prefeitura, alternativas para estacionamento na via estão sendo discutidas entre comerciantes e profissionais da SMT, de acordo com as diretrizes da Legislação de Trânsito.

Fonte: Diário da Manhã