21 de abril de 2013

Pecuária 2013 projeta negócios de R$ 70 mi



Às vésperas da 68ª Exposição Agropecuária de Goiânia, que ocorre de 10 a 26 de maio, o presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), Ricardo Yano, projeta negócios superiores a R$ 70 milhões. Ele fala sobre as novidades do evento, como a venda de ingressos pela internet, as dificuldades enfrentadas pelos produtores goianos e a falta recursos para a transferência do Parque de Exposições para outra área.

“Existe um compromisso de antigos diretores de transferência de local, porém, a SGPA não dispõe de recursos. Sem o apoio do governo do Estado, não há perspectiva de mudaça,” afirma.

A entidade se vê ainda diante de uma investigação do Ministério Público Federal em Goiás (MPF/GO), que identificou supostas irregularidades em patrocínio do Governo Federal para a Exposição Agropecuária, em 2008, época em que Gilberto Santa’anna Filho era presidente. O MPF alega que existem falhas na celebração do contrato da SGPA com a extinta empresa de eventos M.A.S Araújo e suposto desvio de recursos de shows para a conta dos então dirigentes da entidade.

O valor que o MPF solicita para restituição aos cofres públicos é de R$ 145.548,50. Yano defende a entidade: “Se houve beneficiado, foi o ex-diretor”, diz. Confira a entrevista.

Tribuna do Planalto: Tudo pronto para mais uma Exposição Agropecuária?

Ricardo Yano: Conseguimos antecipar toda a programação, o que nos garante certa tranquilidade em relação aos preparativos, a exemplo dos shows, já definidos e anunciados. As questões de segurança, infância e juventude, limpeza, e trânsito, de fundamental importância para a realização do evento, também já estão acertados. Ainda estamos buscando melhores soluções para o transporte, para que o público tenha maiores condições de deslocamento. Ou seja, trabalhamos as questões estruturais com muita antecedência, juntamente com os órgãos ligados a cada área, para que a festa seja realizada com êxito. Praticamente todos os espaços dos estandes já estão reservados, com contratos assinados, assim como a exposição de animais e rodadas de negócios. A intenção é de que a festa seja um sucesso. Hoje, é quase uma obrigação de produtores e empresas que queiram participar do ranking nacional se apresentar na exposição de Goiânia, referência no País.

Quais as novidades para essa 68ª edição?

As novidades ficam por conta da volta dos rodeios, após dois anos fora da programação, das apresentações musicais e da venda antecipada dos ingressos pela internet, com preço de R$ 30 em dias de shows e R$10 nos outros dias. Serão 12 atrações musicais, divididas em oito dias. Vão se apresentar Luan Santana, a dupla Jorge & Mateus, a cantora gospel Aline Barros, além das duplas Lucas Lucco, Israel e Rodolffo e Humberto e Ronaldo. Estamos comemorando também o retorno de grandes empresas, a exemplo da Planalto Máquinas Agrícolas, e também de novos parceiros, como Sesi e Senai.

Quais as expectativas de negócios e de público este ano?

Com a vinda de novas empresas do agronegócio, retorno de outras, leilões de animais, e financiamentos pelo Banco do Brasil, Bradesco, com possibilidades quase certas também pela Caixa Econômica Federal, as expectativas para as rodadas de negócios são de superar R$ 70 milhões. Esperamos um acréscimo de 10% do público em relação ao ano passado, quando 700 mil pessoas passaram pelo parque de exposição. A aposta vem também pela novidade da venda antecipada dos ingressos pela internet a preços mais acessíveis, de R$10, e de R$ 30 em dias de apresentações musicais, a partir desta segunda quinzena de abril. Temos ainda a excelente grade de shows e a volta dos rodeios. Para as pessoas que gostam de assistir a todas as apresentações, serão disponibilizados passaportes com preços mais baratos.

A presença das embaixadas da Argentina e Nova Zelândia estão confirmadas. A participação traz visibilidade para a exposição?

É o resultado esperado para este ano, com expectativa de exposição de estandes dessas embaixadas nas próximas edições, o que não foi possível agora. A presença dessas embaixadas, assim como a da Coreia, que também visitará a feira, mostra a importância do Estado no agronegócio. E o tema desta exposição, “A nossa riqueza alimenta o mundo”, aponta justamente para a ideia de que Goiás é destaque no cenário nacional e internacional de produção e que tem potencial para superar os seus índices. Hoje, os nossos produtos chegam a mais de 150 países, o que nos traz orgulho e reconhecimento. A cada ano superamos os índices de produção, com maiores chances de exportação e aumento da nossa economia.

Qual a estimativa de custos para a realização da exposição e origem dos recursos?

Em geral, na exposição de Goiânia são gastos, no mínimo, R$ 4 milhões. Esse recurso vem de emendas de deputados e senadores, e apoio dos governos estadual e municipal, além de particulares. O Estado entra também com a contrapartida de pagamento de horas extras dos policiais que realizam a segurança durante a festa. Já da prefeitura, contamos com o trabalho de limpeza, realizado pela Comurg, e o da Agência Municipal de Trânsito (AMT), que controla o tráfego. Da bancada federal, este ano, estão previstos no Orçamento da União R$ 550 mil, mas ainda não temos essa confirmação.

O Ministério Público Federal (MPF) identificou supostas irregularidades em patrocínio do Governo Federal para a exposição em 2008, na gestão do presidente Guilherme Sant’anna. Qual a posição da SGPA?

Neste primeiro momento, vamos procurar entender a motivação da ação, mas podemos afirmar que a SGPA se coloca à inteira disposição do MPF para que o problema seja, de fato, esclarecido, e se houver culpados, que haja a devida correção por parte da Justiça. É preciso ficar claro que a SGPA, entidade de 71 anos, que tem feito um trabalho importante para a sociedade, não pode ser responsabilizada. Se houve realmente um repasse para o ex-diretor por causa da execução desse cronograma de serviço ilegalmente, que seja ressarcido. Se alguém foi beneficiado, foi o ex-diretor, e não a SGPA. Por isso, entendemos que a SGPA não tem nada a ver com a ação. Deixo claro também que o processo foi aprovado pelo Ministério do Turismo. Agora, não podemos aceitar que a entidade seja utilizada para apropriação ilícita de recursos. Se realmente aconteceu esse fato, a SGPA é a maior interessada para que sejam julgados os responsáveis. Haverá toda transparência dessa gestão para a solução do caso. Lamentamos muito uma entidade como a SGPA ser citada em ação judicial. Mas, reafirmo: não é a entidade, são diretores que passaram por aqui que estão sendo julgados. Queremos a transparência e por isso vamos colaborar com toda a documentação que o MPF julgar necessária para esclarecimento da ação.

O senhor afirma que é preciso transparência na realização da feira. Hoje, como são feitas as contratações de shows?

Nesta gestão, não realizamos contratação das atrações musicais, mesmo porque não dispomos de verbas nem do governo federal, nem do estadual ou do municipal. Os shows terão participação na bilheteria. Então, se houver um público maior em determinado show, o artista recebe mais. Se por alguma razão não houver público, o artista pode não receber nada. Esse acerto de porcentagem de bilheteria foi realizado pela presidência diretamente com os empresários. Assim, não temos de pagar por shows, o que nos dá a garantia de maior transparência na negociação.

Outras áreas também necessitam de contratação de mão de obra. Como é a negociação?

A SGPA mantém um sistema de concorrência por setor. Não contratamos uma empresa para realizar todo o evento, como anteriormente. Cerca de 60 empresas, no mínimo, cada uma em sua área de atuação participam dos 20 processos de concorrência para prestar determinado serviço. Então, os R$ 550 mil de recursos, se forem aprovados, serão repartidos entre todas as empresas vencedoras. Dessa forma, a lisura na realização da exposição, o nosso objetivo em relação às contratações e aos pagamentos, é bem maior.

As promessas de transferência do Parque de Exposição para outra área se arrastam por quase 18 anos. A última foi feita durante a 65ª edição, que aconteceu em 2010. A mudança foi esquecida?

O que temos é o compromisso de antigos diretores e do governo do Estado, por meio de termo de ajustamento, feito em 2010, de transferência de local, que deveria ter acontecido em 2011. Tudo o que dependia da instituição, foi feito. Porém, a SGPA não dispõe de recursos para fazer essa mudança. A estrutura do parque, um dos melhores do Brasil, foi conquistada ao longo de 71 anos de existência. Para transferirmos todo esse aparato imediatamente, precisaríamos do apoio do governo do Estado, o que, por hora, não será concretizado, pelo que constatamos em conversa recente com o governador Marconi Perillo. Então, a diretoria tem de buscar outro caminho. Talvez uma parceria com empresas privadas, por exemplo, mas que até agora não foram realizadas. Sem essa solução, não podemos falar em mudança. Infelizmente, foi criada uma expectativa na população que ainda não pode ser concretizada. Hoje, para transferência e início das atividades, são necessários aproximadamente R$ 150 milhões, recurso esse que nem o Estado, nem a SGPA dispõe.

Quais os maiores gargalos enfrentados hoje pelo produtor goiano?

As dificuldades são praticamente as mesmas de produtores de todo o País. Além dos problemas de armazenagem, transporte e escoamento, feito essencialmente por rodovias mal conservadas e com custos três vezes maiores de outros meios, como a ferrovia, por exemplo, as distorções tributárias também impedem o Estado, cujo 70% do PIB vem do agronegócio, de aumentar a fatia do bolo das exportações nacionais. É preciso maior conscientização do produtor em termos de conhecimentos para aumentar a qualidade da matéria-prima, principalmente no setor de pecuária. Há uma lacuna entre conhecimento, tecnologia e produtor a ser superada, para que o Estado alcance padrões internacionais, o que lhe garantirá crescimento econômico e de qualidade de produtos. Há ainda a questão da sucessão. O trabalho dos produtores, hoje mal remunerados, não tem continuidade pelas novas gerações. Os jovens buscam melhores condições de vida, que não são oferecidas no meio rural, em especial nas pequenas propriedades. Ou seja, é a questão da falta de mão de obra no campo e de qualificação dessas pessoas. E todas essas barreiras se constituem em prejuízos. No ano passado, apenas três estados conseguiram PIB positivo, e um deles foi Goiás, com média cinco vezes superior a do País. Então, a nossa força vem do agronegócio. Na pecuária temos muito a crescer ainda. Goiás ocupa o quarto lugar no ranking nacional, e se houver necessidade, tem condição de dobrar a sua produção na mesma área, com maior uso da tecnologia.

Fonte: Tribuna do Planalto